Presidente elogiou pedido da PGR
para arquivamento de investigação a seu respeito sobre dados eleitorais
sigilosos
O presidente Jair Bolsonaro (PL)
comentou nesta terça-feira, 2, a ação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que voltou a pedir
que o Supremo Tribunal Federal (STF) arquive o inquérito do ministro Alexandre
de Moraes sobre vazamento
por sua parte de dados sigilosos de uma investigação da Polícia Federal (PF).
As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul.
Bolsonaro elogiou a iniciativa
vice-procuradora-geral, Lindôra Araújo, que na segunda-feira apontou que Alexandre
de Moraes “contaminou” provas de uma investigação contra o presidente. A
integrante da PGR, braço direito do procurador-geral, Augusto Aras, argumentou
que o ministro do STF violou o sistema acusatório ao determinar novas medidas
na apuração.
Nesta terça-feira, Bolsonaro
disse que os inquéritos comandados por Moraes sobre o tema são “ilegais,
imorais”. O presidente ainda afirmou que o pedido de arquivamento solicitado
por Lindôra Araújo aconteceu porque a investigação “não tem fundamento”.
“São inquéritos completamente ilegais,
imorais. É uma perseguição implacável por parte dele (Moraes). A gente
sabe o lado dele”, disse Bolsonaro.
“Estamos jogando dentro das
quatro linhas (da Constituição). Falei agora, na minha convenção lá no
Rio de Janeiro, vamos pela última vez às ruas para mostrar àqueles surdos,
poucos surdos, que o povo tem que ser o nosso norte. Essa população aí tem que
ser respeitada”, acrescentou o presidente, em menção à convocação para atos de
7 de Setembro.
Bolsonaro investigado por
Moraes
Em agosto de 2021, Jair Bolsonaro
expôs nas redes sociais a íntegra de um inquérito da Polícia Federal, três anos
antes, que apura suposto ataque ao sistema interno do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). Por lei, qualquer servidor público tem obrigação de proteger
informações sigilosas, independentemente de hierarquia.
À época, os ministros do TSE
enviaram uma notícia-crime endereçada a Alexandre de Moraes relatando a suposta
conduta criminosa do presidente. Então o ministro do STF decidiu abrir um
inquérito para investigar o caso.
Na entrevista desta terça-feira,
Bolsonaro voltou a destacar as suspeitas sobre segurança do sistema eleitoral
brasileiro, falando que a Polícia Federal tem indícios de atividades de hackers dentro
de computadores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Ficaram lá por oito
meses”, disse o presidente.
Neste ano, o procurador-geral da
República, Augusto Aras, afirmou em seu parecer que, mesmo que as informações
tenham sido divulgadas pelo presidente de forma ‘distorcida’, não houve crime
na conduta.
Já em um relatório preliminar
encaminhado pela PF ao Supremo, no começo do ano, a delegada Denisse Ribeiro
afirmou que reuniu elementos sobre a ‘atuação direta, voluntária e consciente’
do presidente ao divulgar informações sigilosas de uma investigação em
andamento.
A delegada também apontou o
envolvimento do deputado federal Filipe Barros (PSL-PR), que participou
da live com o presidente em 2021, além do ajudante de ordens
da Presidência, Mauro Cid, que, segundo a investigação, foi o responsável por
divulgar o inquérito na internet.
“Quebraram o sigilo do meu
ajudante de ordens. Isso não vou adjetivar aqui, que é um crime o que essa
pessoa (Moraes) cometeu. O objetivo não é ajudante de ordens, é ver as
mensagens que eu troco com ele, algumas confidenciais. Ele está fazendo tudo de
errado, tudo de errado e, no meu entender, não vai ter sucesso no seu intento
final”, concluiu Bolsonaro, na entrevista desta terça-feira.

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