Cerca de R$ 3 milhões nos caixas das unidades de ensino por inutilização; com orientação e capacitações, escolas começaram a utilizar saldo para melhorias
A Escola Municipal Instituto
Profissional São José, na Lapa, vem dando um exemplo no que diz respeito ao
controle, organização e utilização das verbas do Programa Dinheiro Direto na
Escola (PDDE) e Ações Integradas, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE). Com apoio e orientação da Secretaria Municipal de Educação,
Ciência e Tecnologia, as unidades escolares da rede municipal de ensino
passaram a ganhar mais confiança, independência e autonomia na utilização das
verbas. De acordo com o secretário de Educação, Marcelo Feres, com esse
auxílio, tornou-se possível promover importantes investimentos na estrutura
física de creches e escolas.
Segundo Marcelo, a soma dos
saldos remanescentes de verba PDDE em todas as unidades, atualmente, é de cerca
de R$ 3 milhões, que poderiam ter sido revertidos em benefícios e melhorias
para as escolas. “Essa quantia ficou parada nos caixas das escolas por
inoperância e falta de apoio aos diretores. Agora, estamos oferecendo cursos
sobre as questões relacionadas ao PDDE, como a criação da Unidade Executora,
funcionamento e prestação de contas”, relatou.
Um deles é o Curso do FNDE, que
teve início em 16 de maio e prossegue até 29 de junho deste ano, com
certificação de 60h. Uma oficina temática também está prevista para as próximas
semanas, com a equipe da Subsecretaria de Gestão Orçamentária e Financeira,
abordando o tema PDDE e Almoxarifado. O atendimento individualizado aos gestores
também é garantido.
A diretora da unidade, Fabíola
Pires, afirmou que adquiriu este mês oito câmeras de monitoramento,
ventiladores, cortador de grama, lavadora a jato, bebedouro, mesa de jogos,
brinquedos pedagógicos e outros itens. “Além da verba desse ano, tinha um valor
parado em caixa que não tinha sido usado pela gestão anterior, por dois anos
consecutivos, e nem prestaram contas. Agora nós prestamos contas de tudo e
estamos utilizando para compra de diversos materiais. Além disso, fizemos parede
de azulejo para as crianças pintarem e treinarem a coordenação motora fina e
grossa, abrimos uma sala de secretaria e reuniões e sala de direção. Também
compramos tintas e a Seduct nos deu a mão de obra para pintarmos a escola.
Ficamos muito felizes. Também fizemos uma biblioteca com TV e internet para
trabalhar a leitura das crianças”, assegurou Fabíola.
Para ela, essa verba ajuda a
transformar a escola. “É a melhor coisa que tem. Com as câmeras que adquirimos,
vamos poder monitorar a escola de casa através do celular que a Seduct forneceu
par as escolas. Muitos diretores têm medo de usar a verba pois é muito
trabalhoso, temos que prestar contas, fazer reuniões e ser muito corretos para
não termos problemas no futuro. Fazemos patrimônio de tudo que compramos. Na
outra unidade onde também atuei como diretora, Escola Maria Antônia Pessanha
Trindade, climatizamos todas as salas e fizemos laboratório de informática com
verba PDDE”, lembrou.
Raquel Pereira é mãe de duas
estudantes da unidade, Kamilly Victoria e Wallentina Pereira, e falou sobre os
avanços. “Só temos a agradecer pelas melhorias que estão acontecendo na escola.
Estamos vendo as mudanças agora. A felicidade está estampada no rosto das
crianças a cada dia. As professoras também são maravilhosas. Tenho certeza que
essa escola vai se reerguer novamente porque há esforço da diretora. Está claro
que ela quer colocar a escola para frente e nós pais somos gratos por todo esse
esforço que ela vem fazendo”.
A subsecretária de Gestão
Orçamentária e Financeira, Carla Patrão, explicou que o objetivo principal do
PDDE e Ações Agregadas é o de prestar assistência financeira às escolas
públicas, permitindo a realização de pequenas despesas necessárias ao seu
funcionamento cotidiano, constituindo-se como uma fonte de financiamento da
educação pública.
“Estamos mobilizando as Unidades
Executoras a utilizarem os saldos financeiros remanescentes de Programas PDDE,
uma vez que a manutenção de saldos em conta bancária sem utilização por muito
tempo não é desejável, visto que são sabidas as inúmeras necessidades dos
estabelecimentos públicos de ensino, as quais poderiam ser supridas, ainda que
parcialmente, com tais valores”, afirmou Carla.
Segundo Carla, a Secretaria vai
disponibilizar, pela primeira vez na história da Educação, todos esses dados no
Portal do Programa de Aprendizagem Eficiente (PAE), garantindo a lisura e transparência
do processo. “Estamos propondo também que as escolas divulguem para a
comunidade escolar as informações sobre esses recursos e como estão sendo
utilizados. A Seduct está elaborando, ainda, um quadro informando a cada escola
os recursos que podem gastar no ano”, completou Carla.
Segundo Martha Castori,
responsável pela Coordenação de Prestação de Contas (Verbas do PDDE e Ações
Agregadas), o setor é responsável pela orientação e verificação da
aplicabilidade desses recursos. “Mas vamos além disso, conferimos tudo,
inclusive se os fornecedores estão aptos a fornecerem o que foi orçado. Ou
seja, acompanhamos as unidades escolares desde a criação da Unidade Executora
até a conferência e encaminhamento das prestações de contas ao FNDE. Orientamos
em todos os passos, acompanhamos, conferimos, tudo para que as verbas sejam
executadas e bem aplicadas”, garantiu.

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