Ministro deu a declaração no
início da sessão plenária desta quinta-feira
No início da sessão plenária
desta quinta-feira, 26, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, condenou declarações de autoridades
policiais do Rio de Janeiro que atribuíram à Corte responsabilidade pela
operação que resultou em ao menos 23 mortes em uma favela na capital
fluminense.
Para o ministro, todos sabem que
se trata de um problema estrutural. “É preciso que as coisas sejam ditas com
muita clareza e que sejam vistas com uma perspectiva isenta”, afirmou. “No
momento tenso que vivemos, devemos contribuir para a superação das crises, e
não para apontar culpados ou bodes expiatórios”.
“Essa violência policial é
lamentável, com um quadro extremamente preocupante. Há palavras de autoridades
locais atribuindo ao Supremo Tribunal Federal a responsabilidade por essa
tragédia, que nós sabemos que é um problema estrutural. Todos nós fazemos votos
de que esse quadro seja superado”, disse.
Como mostrou Oeste,
o coronel da PM do Rio Luiz Henrique Marinho Pires disse que a decisão do Supremo
de restringir as operações policiais em favelas do RJ possibilitou a migração
de criminosos ao Estado. Na ocasião, o tenente-coronel Ivan Blaz,
porta-voz da Polícia Militar, afirmou que o objetivo da operação foi localizar
criminosos de outros Estados que se esconderam na Vila Cruzeiro, local onde
ocorreu as mortes.
“Isso vem acentuando nos últimos
meses. Esse esconderijo deles nas nossas comunidades é fruto basicamente dessa
decisão do STF. É o que a gente entende, a gente está estudando isso, mas
provavelmente deve ser fruto dessa decisão do STF”, disse o coronel.
Gilmar Mendes acrescentou que é
de conhecimento público que, se o Estado hoje goza de alguma saúde financeira,
isso se deveu à parceria que se estabeleceu com o STF. “Do contrário,
certamente, teria colapsado, inclusive em termos financeiros”, declarou.
O ministro Edson Fachin, relator
da ação na qual a Corte decidiu, em 2020, restringir as operações
policiais em favelas do Rio de Janeiro para casos excepcionais, enquanto durar
a pandemia, endossou as palavras do decano e afirmou que a situação no Rio de
Janeiro e a imputação de culpa à Corte são objetos de preocupação do presidente
Luiz Fux e de todo o Supremo.
Fux disse que ontem mesmo
conversou sobre o assunto com o ministro Fachin, mas preferiu não polemizar. “A
Polícia Militar deve satisfações, e estou aguardando essas satisfações.

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