O valor corrigido da multa aplicada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes do estado (Agetransp) à concessionária SuperVia, no dia 29 de março deste ano, é de aproximadamente R$ 4,8 milhões. A informação foi repassada pelo conselheiro-presidente da agência, Murilo Leal, aos integrantes da CPI dos Trens, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em audiência realizada nesta segunda-feira (11/04).
No momento da autuação, a multa
por descumprimento de investimentos previstos em contrato foi fixada em cerca
de R$ 2,3 milhões. Segundo Leal, o processo ainda se encontra em fase de recurso
na agência. Ele informou ainda que o pagamento das multas pela concessionária
está suspenso até o fim do estado de calamidade pública, com data de término em
primeiro de julho de 2022, conforme aprovado pelo órgão na Resolução 47/21, com
base no Decreto Estadual 47.246/20.
Segundo a Agetransp, nos anos de
2020 e 2021, foram aplicadas 14 multas à concessionária, mas o presidente da
agência reconheceu que há autos de infração aplicados em 2017que ainda não
foram pagos.
A deputada Martha Rocha (PDT) criticou
o fato de multas anteriores à pandemia de covid-19 estarem com a
obrigatoriedade de pagamento suspensa. “O decreto do Governo do Estado fala que
a condição para a suspensão do pagamento de multa é a calamidade pública. Em
2017 não havia pandemia, então não pode ter esse argumento. Isso beneficia quem
está irregular”, questionou.
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| Foto: Thiago Lontra |
A presidente da CPI, deputada
Lucinha (PSD), após analisar a planilha enviada pela Agetransp com as multas
aplicadas, observou que a SuperVia paga majoritariamente os autos de baixo
valor. “Das multas pagas pela Supervia, 70% foram de valores abaixo de R$ 100
mil. As maiores multas não foram pagas”, questionou.
Sobre a demora na tramitação dos
processos de auto de infração, o conselheiro-presidente da Agetansp alegou
falta de estrutura do órgão. Ele solicitou aos parlamentares da CPI que façam
constar no relatório final a proposta de concurso público para suprir as
necessidades.
“Não somos um órgão autuador, nós
verificamos os fatos e abrimos o processo regulatório, que precisa de instrução
técnica. Temos um corpo técnico muito limitado, com apenas cinco servidores
efetivos, sendo os demais ou requisitados de outros órgãos ou comissionados. Ao
todos somos 112 servidores, não só para fiscalizar a SuperVia, como a concessão
de Metrô, de duas rodovias e das barcas”, disse.
A deputada Lucinha fez um balanço
da atuação da CPI, que já promoveu cinco reuniões: “Temos a questão dos
dormentes deteriorados, a malha ferroviária destruída, a falta de banheiros nas
estações e a falta de acessibilidade. As denúncias de que 12 estações do
sistema ferroviário estão sob o poder do narcotráfico vieram também a partir
das apurações do Parlamento”.


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