Leilão arrecadou R$ 422 milhões em bônus de assinatura
A sessão pública do 3º Ciclo de
Oferta Permanente de blocos de exploração e produção de petróleo e gás natural,
realizada hoje (13) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), terminou com 59 blocos arrematados em seis bacias e
somou R$ 422 milhões em bônus de assinatura, o que representa um ágio médio de
854% em relação às propostas mínimas exigidas pelo leilão.![]()
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Os blocos foram contratados por
13 empresas, que devem investir R$ 406 milhões em atividades de exploração nos
próximos anos.
Ao fim do leilão, o ministro de
Minas e Energia, Bento Albuquerque, destacou que o leilão foi o oitavo em três
anos, e considerou o período exitoso. “O resultado de todos esses leilões
significa investimentos de mais de R$ 620 bilhões, e arrecadação governamental
superior a R$ 1 trilhão ao longo de 30 anos, com expectativa de criação de mais
de 500 mil empregos", afirmou.
Sobre as ofertas recebidas hoje,
o ministro sublinhou a presença de empresas brasileiras no leilão. “Podemos
destacar o interesse de várias empresas que iniciaram e consolidaram sua
atuação no Brasil, adquirindo campos maduros da Petrobras através do processo
de desinvestimento”, disse. “Fico feliz de ver a quantidade de empresas
nacionais participando desse evento, coisa que deve orgulhar a todos aqueles
que elaboram políticas públicas nesse país.”
Na sessão pública de hoje,
empresas podiam fazer propostas por 14 setores de blocos exploratórios
localizados em sete bacias: Santos, Pelotas, Espírito Santo, Recôncavo,
Potiguar, Sergipe-Alagoas e Tucano. A Oferta Permanente inclui campos
devolvidos ou em processo de devolução, blocos não arrematados em leilões
anteriores e novos blocos exploratórios em bacias terrestres em estudo na ANP.
Ao abrir a sessão, o
diretor-geral da ANP, Rodolfo Saboia, destacou que a recente alta nos preços do
petróleo, relacionada à invasão da Ucrânia pela Rússia, lembra a importância da
segurança energética, em um contexto de substituição das energias fósseis por
renováveis.
“A transição energética precisa
ser feita de forma equilibrada. É necessário, sem dúvida, aumentar o
investimento em energias renováveis, para garantir a ampliação da oferta de
combustíveis limpos, mas, ao mesmo tempo, é imprescindível continuar atendendo
à demanda por hidrocarbonetos de forma sustentável e eficiente, ate que as
novas soluções sejam capazes possam substituí-lo", disse Saboia.
“Especialmente no Brasil, temos ainda muita riqueza a ser gerada pela indústria
de petróleo e gás natural em benefício da sociedade”.
Empresas vencedoras
Os blocos marítimos da Bacia de
Santos foram os primeiros a receber ofertas na sessão pública. Houve disputa
entre a empresa Total Energies, que arrematou dois blocos, e o consórcio formado
pela Shell Brasil (70%) e a Ecopetrol (30%), que venceu a disputa em cinco
blocos e fez a única oferta pelo sexto bloco que arrematou.
Ao todo, o bônus de assinatura
que será pago pelos blocos do setor somou R$ 415,5 milhões, o que representa um
ágio de 895,99% sobre a oferta mínima exigida. As licitações também devem gerar
R$ 307 milhões em investimentos e preveem um programa exploratório mínimo de
1,3 mil unidades de trabalho.
A Bacia de Pelotas foi a segunda
na ordem de apresentações, e nenhuma empresa fez um lance por seus blocos
marítimos. Na Bacia do Espírito Santo, a terceira do dia, dois blocos
terrestres de setores diferentes receberam ofertas únicas. Um foi arrematado
pela CE Engenharia e outro pelo consórcio formado entre a Imetame (30%), Seacrest
(50%) ENP Ecossistemas (20%). O bônus de assinatura que será pago pelos dois
blocos soma R$ 355 mil, e o investimento previsto na exploração é de cerca de
R$ 2 milhões.
A quarta bacia da sessão pública
foi a do Recôncavo, que teve quatro blocos arrematados em três setores
diferentes. A Petroborn venceu a disputa por um dos blocos e fez oferta única
pelo segundo que arrematou. Os outros dois blocos tiveram participação da NTF,
que arrematou um sozinha e outro em consórcio de 50% com a Newo. Os bônus de
assinatura somaram cerca de R$ 1,1 milhão e os investimentos previstos, cerca
de R$ 14,4 milhões.
Na Bacia de Alagoas, a empresa
Origem arrematou 11 blocos no primeiro setor ofertado e mais três no segundo. O
bônus de assinatura total foi de cerca de R$ 1 milhão e o investimento previsto
é de quase R$ 8 milhões, com 2,3 mil unidades de trabalho no programa
exploratório mínimo.
A Bacia de Potiguar teve a maior
parte de seus blocos arrematados pela empresa Petro-Victory, que obteve a
concessão de 19 blocos em três setores diferentes. A 3R Petroleum fez propostas
por blocos em dois setores e conseguiu arrematar seis deles. O bônus de
assinatura totalizou cerca de R$ 2 milhões, e o investimento previsto nos
blocos leiloados é de R$ 39 milhões.
A última bacia a receber ofertas
foi a de Tucano, localizada na Bahia. A empresa Origem arrematou quatro blocos,
e o consórcio formado pela Imetame (30%) e ENP Ecossistemas (70%) levou
outros dois. O bônus de assinatura somou R$ 2,5 milhões, e os investimentos
previstos são de R$ 24,2 milhões.
Ofertas anteriores
O modelo de licitação dos blocos
oferecidos no 3º Ciclo é o modelo de concessão, que se aplica a licitações que
não incluam o polígono do pré-sal. Os dois ciclos anteriores da oferta
permanente, também realizados apenas sob o regime de concessão, ocorreram em
2019 e 2020. No primeiro ciclo, em setembro de 2019, foram arrematados 33
blocos e 12 áreas com acumulações marginais. Já no segundo, em dezembro de
2020, foram arrematados 17 blocos exploratórios.
Desde o fim do ano passado, o
Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabeleceu a Resolução nº
27/2021, que permite que blocos do pré-sal e de áreas estratégicas sejam
incluídos na oferta permanente, sob regime de partilha.
A partir disso, estão em fase de
elaboração o edital e os modelos de contrato da Oferta Permanente de Partilha
de Produção (OPP). O leilão ainda não possui data para ser realizado, mas, na
abertura da sessão pública realizada hoje, o diretor-geral da ANP previu que
isso pode ocorrer ainda este ano.
Agência Brasil - Rio de
Janeiro

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