Prefeitura e polícia comemoram
"retirada" a mando do PCC mas dizem que novas concentrações tendem a
surgir nos próximos dias
Apesar do esvaziamento
da Cracolândia no último fim de semana, as autoridades da região
mantêm alerta para a formação de novas concentrações dos usuários de drogas. O
vai e vem por ruas do centro de São Paulo é característico do grupo de
traficantes e viciados, que persiste na região há mais de 30 anos mesmo após
dezenas de operações do governo estadual, prefeitura e de forças de segurança.
O novo episódio desse movimento
foi registrado neste fim de semana na concentração que juntava cerca de 430
pessoas entre as ruas Helvetia e a alameda Cleveland. Segundo investigações da
Polícia Civil, o sumiço súbito veio por ordem de traficantes da facção
criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), que comanda o negócio de drogas na
região.
Uma nova concentração já se
formou na Praça Princesa Isabel, a poucos metros de onde a Cracolândia estava
há uma semana. A prefeitura alega, no entanto, que a aglomeração é muito menor
que a anterior, com cerca de 100 usuários, e que o acampamento também não conta
com o "atacado" de drogas característico do fluxo.
A Praça Princesa Isabel,
inclusive, já foi palco de reagrupamento do grupo em outras ocasiões de ameaça,
como em 2017, após megaoperação da prefeitura no local. Na ocasião, o então
prefeito João Doria (PSDB) chegou a anunciar o
fim da Cracolândia, mas o "fluxo"
voltou meses depois ao mesmo local de onde foi expulso.
"A gente considera que
venceu uma batalha importantíssima, mas a guerra não acabou. Foi um golpe duro
para o tráfico, mas eles vão tentar se reestabelecer em outros lugares e temos
que monitorar isso constantemente", afirma o secretário executivo de
Projetos Estratégicos da Prefeitura de São Paulo, Alexis Vargas.
"Isso [saída da Cracolândia]
não é desse fim de semana para agora. Vem acontecendo desde alguns meses e
conseguimos agir nessas novas concentrações. Teve na praça General Osório,
no túnel
da [avenida] Paulista com a [avenida] Rebouças."
Conforme mostram dados do
monitoramento da prefeitura, a movimentação na Cracolândia caiu bruscamente em
2018, mas manteve inconsistência nos anos seguintes por conta da dificuldade em
dispersar o grupo da região. A média mensal em 2019, de 533 usuários, caiu para
478 um ano depois e voltou a subir em 2021, com média de 591. Em 2022, a taxa
atual é de 434.
A Prefeitura de São Paulo e a
Polícia Civil alegam que a mudança gradual veio após ação conjunta das forças
desde o início do Programa Redenção, que ampliou o atendimento aos usuários e
requalificou prédios do bairro, acompanhado da ofensiva
contra traficantes da região.
"A conjugação desses
esforços e nossa ação repressiva fez com que o trabalho dos traficantes ficasse
impossível. Nós não permitimos mais a montagem de tendas — depois também a de
barracas pequenas e até de guardas-chuvas — e eles ficaram sem condições
de exercer aquela atividade criminosa que era vender a céu aberto a
droga", opina o delegado Roberto Monteiro, um dos responsáveis pela
Operação Caronte, que já prendeu 92 traficantes na região desde 2021.
Monteiro diz que a ordem do
tráfico na região demonstra os avanços do trabalho policial, mas admite que
esvaziamentos já ocorreram em outros períodos. "Essa determinação
comprovou o que falamos há muito tempo: lá existe uma liderança hierárquica,
disciplinada, tanto é que os dependentes químicos seguem a liderança do
traficante", argumenta.
Apesar do histórico de retiradas
momentâneas, as autoridades comemoram a nova dispersão, que acreditam abrir a
oportunidade para diminuir a gravidade do problema nos próximos anos. O motivo
é a dificuldade extrema de intervenções em "fluxos" grandes, que
possuem centenas de usuários prontos para defender os traficantes com quem
convivem.
Gabriel Croquer, do R7

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