Líder da Rússia durante 23 anos,
o atual ocupante do Kremlin, Vladimir Putin, sempre foi uma figura um tanto
nebulosa, seja pela rápida ascensão ao poder ou pela discrição que dispensa a
sua vida pessoal. Após iniciar o confronto contra a Ucrânia no último dia 24 de
fevereiro, porém, se tornou o centro das atenções do mundo inteiro. Com isso,
especulações a respeito de traumas vividos em sua infância, de atitudes tomadas
em seus anos de poder e também de seu estado de saúde atual tentam explicar
suas ações. Mas o que se sabe a respeito da vida do presidente russo? Confira
na linha do tempo abaixo:
1952 - Nascimento
Vladimir Vladimirovich Putin
nasceu em Leningrado (atual São Petersburgo) no dia 7 de outubro. Seu pai
Vladimir Spiridonovitch Putin lutou na Segunda Guerra Mundial, enquanto a mãe
Maria Ivanovna Shelomova permaneceu em casa e quase morreu de fome durante o
cerco à cidade de Leningrado entre setembro de 1941 e janeiro de 1944.
Acredita-se que o casal tenha tido outros dois filhos mais velhos, que morreram
antes de Putin nascer.
1963 - Sambo
Fã de filmes soviéticos de
espionagem e sonhando em trabalhar nos órgãos de defesa nacional, Vladimir
Putin começa a praticar sambo, uma arte marcial desenvolvida pela União
Soviética que combinava judô, boxe e luta livre.
1968 - Faculdade de Direito
Aos 13 anos, manifesta o desejo
de ingressar na KGB, o famoso serviço de inteligência da União Soviética, então
é aconselhado a cursar Direito e a continuar praticando lutas.
1970 - Faixa-preta
Putin inicia o curso de Direito e
conquista a faixa preta em artes marciais.
1975 - Entrada na KGB
Se forma em Direito na
Universidade Estadual de Leningrado e entra no Serviço de Inteligência
Estrangeira da KGB.
1983 - Casamento
Em 28 de julho, Putin se casa com
a comissária de bordo Lyudmila Shkrebneva, especialista em línguas
estrangeiras. Devido ao serviço secreto que desempenhava, sua vida privada
sempre foi muito reservada.
1985 - Primeira filha
Nasce sua filha mais velha, Maria
Vorontsova. Usando um nome falso, ela teria tido uma infância e juventude
comuns. Estudou Biologia e Medicina, e atualmente trabalha como médica
endocrinologista e investigadora.
1986 - Caçula
Nasce sua filha caçula, Ekaterina
Putina. Usando o nome da avó, Katerina Tikhonov, a moça se tornou bailarina e
se licenciou em Estudos Asiáticos.
1990 - Início da carreira política
Após 15 anos no serviço secreto,
Putin se aposenta da KGB como tenente-coronel e passa a atuar como pró-reitor
da Universidade Estadual de Leningrado e conselheiro do prefeito da cidade.
1991 - Relações exteriores
Ele se torna presidente do comitê
de relações exteriores do gabinete do prefeito de São Petersburgo.
1994 - Vice-prefeito
Quatro anos depois de deixar a
KGB, Vladimir Putin é nomeado vice-prefeito de São Petersburgo.
1996 - Mudança pra Moscou
Ele se muda para Moscou e começa
a trabalhar na equipe do então presidente da Rússia, Boris Iéltsin.
1998 - Diretor da FSB
É nomeado pelo presidente russo
como diretor do Serviço de Segurança Federal (FSB), agência sucessora da KGB.
1999 - Primeiro-ministro
É nomeado primeiro-ministro em
agosto e envia forças russas para uma operação antiterrorista na Chechênia,
recebendo apoio popular. No dia 31 de dezembro, Boris Iéltsin renuncia
inesperadamente à presidência e torna Vladimir Putin o presidente interino até
as eleições.
2000 - Finalmente a presidência
Em março, ele é eleito presidente
com 53% dos votos e promete “uma Rússia forte”. Em junho, assina acordo de
controle de armas com o presidente dos EUA, Bill Clinton. No mês de julho, se
reúne com o presidente chinês Jiang Zemin para assinar uma declaração conjunta
contra os planos dos EUA de construir escudos antimísseis na América do Norte e
Ásia. Já em dezembro, se encontra com Fidel Castro, em Cuba.
2001 - Controle da mídia
O governo da Rússia assume a
estação russa de televisão NTV e fecha outros meios de comunicação
independentes. Em setembro, o país se compromete a ajudar na campanha
antiterrorismo dos EUA após os ataques de 11 de setembro.
2002 - Contra os EUA
Putin se junta ao chanceler
alemão Gerhard Schröder e ao presidente francês Jacques Chirac para se opor aos
planos dos EUA de usar a força para derrubar o governo de Saddam Hussein no
Iraque .
2004 - Reeleição
Vladimir Putin é reeleito como
presidente da Rússia com mais de 70% dos votos.
2008 - Novamente primeiro-ministro
Como a constituição não permitia
que um presidente permanecesse por mais de dois mandatos, ele escolhe Dmitri
Medvedev como seu sucessor. Seu candidato vence as eleições e nomeia Putin como
primeiro-ministro horas depois de assumir o cargo, em 7 de maio.
2012 - Volta à presidência
Putin é eleito pela terceira vez
como presidente da Rússia após um forte movimento de oposição. Ele nomeia
Medvedev como primeiro-ministro.
2013 - Divórcio
Vladimir Putin se divorcia de
Lyudmila Shkrebneva após 30 anos de matrimônio. No mesmo ano, comemora o 20º
aniversário da adoção da constituição pós-soviética e ordena a libertação de
cerca de 25.000 indivíduos das prisões russas.
2014 - Anexação da Crimeia
Putin envia tropas para a Ucrânia
depois de o presidente ucraniano Viktor Yanukovych ser derrubado e fugir para a
Rússia. Moscou anexa a península ucraniana da Crimeia, mas a comunidade
internacional não reconhece essa anexação. Surgem movimentos separatistas
pró-Rússia no leste da Ucrânia e Putin é acusado de apoiar os rebeldes. Ele
nega.
2015 - Entrada na Síria
O presidente russo se reúne com
líderes mundiais em Minsk para assinar um acordo de paz que encerraria os
combates na Ucrânia. No entanto, os conflitos são retomados. Nesse mesmo ano,
um inquérito britânico liga Putin ao assassinato do ex-oficial da FSB Alexandre
Litvinenko, que se manifestou contra o governo e foi envenenado. Já no fim de
2015, a Rússia entra na guerra na Síria em apoio às forças do presidente Bashar
al-Assad.
2016 - Interferência hacker
Especialistas em segurança de
computadores norte-americanos vinculam serviços de inteligência russos aos
ataques de hackers que atingiram a candidata presidencial pelo Partido
Democrata dos EUA, Hillary Clinton, e também o vazamento de milhares de e-mails
privados publicados pelo WikiLeaks. Agências de inteligência dos EUA concluem
que Putin estaria envolvido, mas o presidente Donald Trump rejeita essas
conclusões e promete melhorar os laços com Moscou.
2018 - Quarto mandato
Autoridades britânicas acusam
Putin de ordenar o ataque ao ex-oficial de inteligência russo Sergei Skripal,
condenado por espionagem. Ele foi encontrado inconsciente com sua filha em
Salisbury, na Inglaterra, e teria sido exposto a uma substância neurotóxica
desenvolvida pelos soviéticos. O caso repercutiu duas semanas antes das
eleições, mas não evitou que Putin conquistasse seu quarto mandato. Segundo a
agência Golos, que monitora eleições na Rússia, a votação foi repleta de
irregularidades.
2020 - Envenenamento
Em janeiro, Putin anuncia sua
intenção de mudar a constituição russa para eliminar o limite de mandatos para
presidentes. Seu primeiro-ministro Medvedev renuncia ao cargo. As mudanças
constitucionais são aprovadas e um referendo nacional é realizado para
confirmar a decisão. Em agosto, outro crítico de Putin – Alexei Navalny - é
envenenado com Novichok, mas o Kremlin nega envolvimento. No mesmo ano, a
imprensa britânica noticia que Vladimir Putin teria realizado uma cirurgia para
tratar um câncer no abdômen e que o líder russo sofria com a doença de
Parkinson. O Kremlin também negou as informações e afirmou que o presidente
está bem de saúde.
2021 - Deslocamento do exército
Em setembro, membros de sua
comitiva são infectados pela Covid-19, Putin realiza período de isolamento e
sofre um ataque de tosse durante uma reunião com autoridades. Não não foi
confirmado se ele testou positivo para a doença. No fim do ano, o presidente russo
ordena deslocamento do seu exército para a fronteira ucraniana e envia unidades
adicionais para Belarus, negando que teria planos de invadir o país.
2022 - Invasão da Ucrânia
Em 21 de fevereiro, Putin
reconhece a independência das regiões ucranianas de Donetsk y Lugansk, anulando
o acordo de paz de Minsk, de 2015. Três dias depois, em 24 de fevereiro, inicia
uma “operação militar especial” na Ucrânia com bombardeios ao redor de Kiev. O
presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirma que o país se defenderá e, nos
dias seguintes, líderes ocidentais iniciam um pacote de fortes sanções
econômicas contra a Rússia. Jornais britânicos sugerem que Putin esteja
sofrendo com a síndrome de arrogância desencadeada pelo longo período de
isolamento durante a pandemia de Covid-19. Segundo especialistas, esse quadro
causaria mudanças no lobo frontal do cérebro e reduziria a capacidade de
avaliar riscos. Agências de inteligência norte-americana têm avaliado a saúde
do líder russo, mas nada foi confirmado.
Por Raquel Derevecki/Gazeta do
Povo
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