Decisão do mandatário russo é mais um ponto da
escalada da tensão que envolve os países do leste europeu; anúncio gerou reação
imediata de líderes do Ocidente
Depois de reconhecer a
independência das regiões de Donetsk e Lugansk, o presidente da Rússia, Vladimir
Putin, assinou dois decretos que autorizam o envio de tropas para as
regiões separatistas da Ucrânia. A decisão do mandatário russo é mais um
ponto da escalada da tensão no leste europeu e foi tomada na esteira dos
esforços capitaneados por outros líderes do Ocidente, como o presidente da
França, Emmanuel Macron, com o intuito de arrefecer a crise.
Putin anunciou o reconhecimento
das regiões separatistas em um pronunciamento televisivo, transmitido na tarde
desta segunda-feira, 21. Pela manhã, o autocrata já havia realizado uma reunião
não programada do Conselho de Segurança para discutir a questão. No encontro,
ele disse que o futuro da Ucrânia seria decidido ao longo do dia. No discurso,
o presidente da Rússia fez uma análise histórica sobre a fundação do país
vizinho e uma longa lista de críticas explicando por quais motivos reconheceu a
independência dos dois territórios.
Segundo o presidente russo, a
Ucrânia não é uma nação de verdade, pois nunca teve uma tradição consistente.
“Eles começaram a copiar modelos estrangeiros que estão enraizados em sua
cultura e história, mas não ouviram os seus moradores, e só adotaram essas
medidas para atender ao que o ocidente quer”, disse Putin. Ele ainda fez
questão de dizer que os moradores de lá são russos ortodoxos que estão sofrendo
com as ações ocidentais na região e que os estados independentes estão criando
um peso para a Rússia.
A decisão de Putin gerou uma
reação imediata. Durante a tarde, Ursula Von der Leyen, presidente da
Comissão Europeia, disse em seu perfil no Twitter que o reconhecimento de
regiões separatistas é uma flagrante violação de direito internacional,
acrescentando que a União Europeia e seus aliados vão responder com unidade,
firmeza e determinação em solidariedade com a Ucrânia. A Organização do
Atlântico Norte (Otan) condenou o reconhecimento pela Rússia da
independência de Donetsk e Lugansk.
O primeiro-ministro britânico,
Boris Johnson, denunciou o reconhecimento da independência das regiões
separatistas da Ucrânia pela Rússia como uma violação flagrante da soberania do
país e do repúdio dos acordos de paz de Minsk. “É claramente contrário ao
direito internacional. É uma violação flagrante da soberania e da integridade
da Ucrânia, é o repúdio dos acordos de Minsk”, declarou Boris Johnson durante
coletiva de imprensa, considerando ser um mal presságio para a situação na
Ucrânia. Johnson vê indícios de que as coisas evoluem em uma direção ruim na
Ucrânia.
‘Violação da soberania
nacional’
Em um pronunciamento em rede
nacional, exibido na noite desta segunda e no início da madruga da terça, no
horário local ucraniano, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky reagiu às
decisões de Putin. O chefe de Estado disse que o reconhecimento da
independência das regiões separatistas viola a soberania nacional ucraniana e
cobrou “ações concretas” do Ocidente. Zelensky também reforçou que o país busca
uma saída diplomática para a crise. “Estamos comprometidos com uma solução
pacífica e diplomática. Estamos em nossa própria terra. Não tememos ninguém.
Não devemos nada a ninguém e não vamos desistir”, disse.
Por Jovem Pan
*Com informações da AFP
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