2/03/2022

Nicarágua inicia julgamentos de opositores de Ortega

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, está no comando
 desde 2007 | Foto: Reprodução/Redes sociais

O país também suspendeu universidades, entidades ligadas aos direitos humanos e ONGs

Justiça da Nicarágua, alinhada ao ditador Daniel Ortega, deu início na quarta-feira 2 aos julgamentos de uma série de presos políticos.

Alguns deles seriam candidatos na eleição de fachada realizada em novembro, da qual previsivelmente saiu vencedor o ditador.

Os “julgamentos orais e públicos”, como foram definidos, pesam sobre 13 dos atuais 168 presos políticos do regime.

Na quarta, foram condenados dois jovens que participaram dos protestos de 2018 nos quais a forte repressão do regime acabou matando mais de 300 pessoas.

Yader Parajón e Yaser Vado foram classificados pelo Ministério Público como “criminosos e delinquentes que atentaram contra os direitos do povo, comprometendo a paz e a segurança”.

O Centro Nicaraguense dos Direitos Humanos denunciou que o julgamento esteve cheio de irregularidades, como a falta de acesso dos advogados aos detidos e a prisão preventiva tendo se estendido por muito mais do que a lei determina (90 dias).

Nos próximos dias, se sentarão no banco dos réus outros rivais políticos importantes de Ortega e do sandinismo, como a ex-ministra Dora María Téllez e a dissidente Ana Margarita Vijil, entre outros. Seus advogados afirmam que elas estão sendo mantidas isoladas, incomunicáveis, com má alimentação e sem direito a troca de roupa.

Os julgamentos ocorrem no próprio centro de detenção de El Chipote, o que configura outra irregularidade, uma vez que não se usam os estabelecimentos regulares do Judiciário.

Universidades, entidades e ONGs suspensas

A Assembleia Nacional do país cancelou as permissões de operação de cinco universidades.

Também foram suspensos, a pedido do Ministério do Governo, os registros jurídicos de 11 entidades civis nicaraguenses ligadas à defesa dos direitos humanos.

Também foram desligadas entidades com alguma relação com os Estados Unidos e a União Europeia, que desde a eleição de fachada aumentaram o número de sanções contra o país da América Central.

Ortega — um dos líderes da Revolução Sandinista, que nos anos 1970 derrubou a dinastia Somoza — tomou posse oficialmente em janeiro para seu quinto mandato. Ele está no poder desde 2007.

Redação Oeste

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