Área às margens da BR-040 usada para despejo dos
escombros da tragédia de Petrópolis. Local de despejo
dos resíduos da tragédia de Petrópolis fica no bairro Rocio
— Foto: Rogério de Paula/Inter TV
Os escombros da tragédia que
já deixou mais de 200 mortos em Petrópolis, na Região Serrana do Rio,
no dia 15 de fevereiro, estão sendo despejados pela Prefeitura às margens da
BR-040, no bairro Rocio, em uma área definida em consonância com os órgãos
ambientais, segundo a Prefeitura, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e
Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
O MPRJ explica que este é o
segundo ponto definido para o despejo, visto que o primeiro, no bairro Caititu,
tinha restrições ambientais, o que foi alertado pelos próprios moradores, que
chegaram a fazer um protesto na última semana.
Desde então, diariamente, em
média, 400 caminhões chegam com resíduos retirados da área central do município
ao novo ponto de descarte, conforme contou à reportagem um funcionário que
coordena a atividade. Ele disse ainda que nos próximos dias começariam a chegar
materiais de outras áreas atingidas pela tempestade.
Ao g1, o Inea explicou que o depósito dos resíduos no local ocorre de
forma provisória e que o meio ambiente não será afetado devido aos tipos de
materiais que chegam.
"Não oferecem riscos ao meio
ambiente, por se tratarem em sua maioria de lama, materiais de construção civil
e outros materiais inertes", afirmou em nota.
A Prefeitura disse que há uma
licença especial para o despejo no Rocio. E que uma outra área, no bairro
Mosela, também é utilizada como ponto de transferência de materiais.
"Esse ponto de transbordo
tem autorização do Ministério Público Federal (MPF). Os caminhões menores
deixam o resíduo no local para transferência desse material para os maiores que
seguem para a destinação final (no Rocio)".
Ainda segundo o município,
assinaram a autorização para utilização da área no Rocio o Ministério Público
do estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a 4ª Vara Cível de Petrópolis, o
Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Novo destino definido após
protesto
O primeiro destino definido para
os resíduos foi uma área desapropriada para a construção de casas populares no
bairro Caititu, mas os moradores fizeram um protesto alegando que o despejo
afetaria minas de água existentes no local. O Ministério Público, após analisar
a situação, verificou que já havia um inquérito civil com ponderações
ambientais em relação a área.
"Já havia um diagnóstico da
área, no sentido de haver sérias restrições ambientais naquele local: sete
nascentes, recurso hídrico, então era um local muito sensível, ambientalmente
falando, e aquele material poderia causar danos irreparáveis e até irreversíveis
ao meio ambiente", disse a promotora de Justiça, Zilda Januzzi.
Após uma reunião, segundo a
promotora, todos os órgãos ambientais participantes concordaram que o ponto na
BR-040 seria melhor para realizar o bota-fora, tanto pelo aspecto logístico
quanto ambiental.
O Inea afirma que a área de
descarte fica fora de uma importante Unidade de Conservação que existe na
região: a Reserva Biológica do Tinguá, que é uma reserva federal. De acordo com
o Plano de Manejo da reserva, disponibilizado pelo Ibama, trata-se da maior
Rebio do Estado do Rio de Janeiro, que tem 4,6% de seu território, que abrange
outros municípios, dentro de Petrópolis.
"Os órgãos ambientais
estaduais, com o objetivo de prestar apoio ao município, se reuniram com a
administração pública municipal, com o procurador-geral de Justiça do Estado do
Rio de Janeiro e o Ministério Público para definir o local onde os resíduos seriam
depositados. A região escolhida é uma área degradada na zona de amortecimento
da Reserva Biológica de Tinguá e não está dentro da área da Unidade de
Conservação, que é uma reserva Federal. O ICMBio está ciente e de acordo com a
decisão, assim como o Ministério Público Federal", disse o Inea em nota.
Quanto à necessidade de
licenciamento ambiental para a atividade, o órgão explica que "a
Prefeitura é a responsável pela autorização ambiental dos espaços de
bota-fora". Disse ainda que "essa autorização é uma forma de
licenciamento ambiental" e que "o controle ambiental é composto de
diversos instrumentos", como no caso da autorização ambiental da
Prefeitura.
Por Ariane Marques, Nicolás
Satriano e Rodrigo Marinho, g1 — Petrópolis
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