Entre os titulares das contas estão reis, ditadores, clientes envolvidos em torturas, tráfico de drogas e corrupção
Um consórcio de mídias internacionais revelou dados sobre mais de 18 mil contas bancárias do Credit Suisse, o segundo maior banco da Suíça.
As informações expõem as contas
bancárias de chefes de Estado, funcionários ligados ao setor de inteligência,
empresários, ditadores, entre outras pessoas de todo o mundo.
Juntas, as contas detêm mais de
US$ 100 bilhões.
Os dados abrangem contas abertas
desde a década de 1940 até a década de 2010, mas não cobrem as operações atuais
do banco.
Entre as pessoas listadas como
detentoras de milhões de dólares em contas do Credit Suisse estavam o rei
Abdullah II da Jordânia e os dois filhos do ex-ditador egípcio Hosni Mubarak.
Segundo as reportagens, ainda
aparecem como clientes do banco executivos que saquearam a estatal petrolífera
da Venezuela, um traficante de pessoas nas Filipinas, um diretor da Bolsa de
Valores de Hong Kong preso por suborno, o chefe de espionagem no Iêmen, um
bilionário que ordenou o assassinato de sua namorada libanesa pop star, além de
políticos corruptos do Egito à Ucrânia
Especialistas que analisaram as
informações publicadas pelo consórcio de mídia afirmam que muitas dessas
pessoas não deveriam ter sido autorizadas a fazer transações bancárias no
Credit Suisse, levantando questões sobra falhas de controle do segundo maior
banco da Suíça.
“Essas pessoas não deveriam poder
ter movimentado dinheiro nas suas contas se o dinheiro tinha origem suspeita”,
ressaltou Graham Barrow, especialista independente em crimes financeiro.
“Bancos têm o dever claro de garantir que fundos movimentados tenham
proveniência clara e legítima”.
Venezuelanos aparecem na lista
Dados bancários vazados revelam
que venezuelanos que foram condenados ou indiciados por saquear a estatal
petrolífera do país esconderam sua riqueza ilícita em contas com o Credit
Suisse.
Mais de duas dúzias de
venezuelanos ligados a quatro esquemas de corrupção na estatal petrolífera
PDVSA acumularam ativos no valor de pelo menos US$ 273 milhões em 25 contas.
Quase todos elas foram abertas
entre 2004 e 2015, quando bilhões de dólares foram desviados da PDVSA,
inclusive para pessoas que já haviam sido publicamente implicadas em esquemas
de corrupção.
Credit Suisse
As listas de clientes dos bancos
suíços estão entre os segredos mais bem guardados do mundo, protegendo não só
as identidades de algumas das pessoas mais ricas do planeta, como também pistas
sobre como acumularam suas fortunas.
Os bancos suíços são proibidos
legalmente de receber dinheiro ligado a atividades criminosas.
As informações foram vazadas por
um denunciante para o jornal alemão Süddeutsche Zeitung. O jornal
compartilhou os dados com um grupo de jornalismo sem fins lucrativos, o
Organized Crime and Corruption Reporting Project, e 46 outras organizações de
notícias em todo o mundo.
O que disse o banco
Em resposta às revelações, o
Credit Suisse publicou um comunicado à imprensa, onde “rejeita fortemente as
alegações e insinuações sobre as supostas práticas ilegais do banco”. E
ressaltou que “as questões apresentadas ocorreram no passado, em alguns casos
datando dos anos 1940. Outras afirmações “seriam imprecisas ou foram retiradas
do contexto, resultando em interpretações tendenciosas da conduta comercial do
banco”.
O banco acrescentou que
aproximadamente 90% das contas citadas na investigação estão fechadas ou já
estavam em processo de fechamento. Também ressaltou que “leva a sério o suposto
vazamento de informações”, lembrando que aplica um rigoroso sistema de proteção
de dados.
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