Em entrevista exclusiva ao
Morning Show, da Jovem Pan, presidente da República voltou a dizer que ex-juiz
da Lava Jato condicionou troca no comando da Polícia Federal à indicação para o
STF
O presidente Jair
Bolsonaro criticou, nesta segunda-feira, 10, a postura de Sergio Moro à
frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em entrevista exclusiva
ao Morning
Show, da Jovem Pan, o chefe do Executivo federal afirmou
que o ex-juiz da Operação Lava Jato “passou a achar que era
dono” da pasta. Pré-candidato do Podemos à
Presidência da República, Moro deixou o governo federal em abril de 2020 e
acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal (PF). Por
decisão do ministro Alexandre
de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o
inquérito que apura as denúncias foi prorrogado por mais 90 dias – o despacho
foi assinado na quarta-feira, 5.
“Ele [Moro] teve um ano e quatro
meses comigo e não descobriu nada do governo? Prevaricou? Um mês antes de sair,
ele deu entrevista, acho que ao Roda Viva, e falou a verdade do que acontecia
no meu governo. Parabéns para ele. Só que eu tinha um problema: achava que a
Polícia Federal podia agir melhor. A indicação do diretor-geral é [escolha]
privativa [do presidente da República], eu dei liberdade. Para todos os
ministros eu falei ‘vocês podem formar o ministério, mas eu tenho o poder de
veto. Você botou esse secretário, não [vai ficar] por causa disso’. Tira o cara
fora ou não admite o cara. Na questão da Polícia Federal, eu achava que tinha
que ser dessa maneira, porque outras questões foram aparecendo ao longo do
caminho, mas ele não admitia isso daí, era tudo dele. No início do governo, ele
botou num conselho uma senhorita jovem, a Ilona Szabó, que, quando eu vi, falei
‘essa senhora não tem nada a ver com o que a gente defende’. As posições são
bastante progressistas. Ele dizia: ‘A gente precisa para ter contraponto’.
Contraponto já tem com a imprensa, não tem que botar gente lá dentro para dar
pancada em você, pegar o que acontece lá e jogar para imprensa. Possivelmente,
isso ia acontecer. Ele passou a achar que era o dono do ministério”, disse
Bolsonaro.
Ainda de acordo com o presidente
da República, Moro só aceitaria trocar o então diretor-geral da PF, Maurício
Valeixo, se fosse indicado para a vaga do ministro Celso de Mello no Supremo
Tribunal Federal. “Na véspera, quando esteve comigo, no dia em que ele pediu
demissão, ele aceitava mandar embora o diretor-geral, em setembro, quando eu o
indicasse para o Supremo. Que petulância, que petulância. Eu confesso que
acreditei nele, no começo, como muita gente acreditou. Ele foi no meu governo
para fazer um trabalho sério, para se blindar ou para se preparar para ser
futuro candidato a presidente? São três alternativas aí Não deu certo, tirei
ele fora, tinha que tirar. Eu lembro perfeitamente: era mais ou menos meio-dia
quando foi anunciada a demissão dele, ele dando uma coletiva, o número de
apoiadores meu vinha caindo, perdi 50 mil no Facebook. Depois de eu ter me
externado, passamos a reconhecer que ele era verdadeiramente”, acrescentou o
mandatário do país.
Por Jovem Pan
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