O jornal Estado de S. Paulo, divulgou neste domingo (23), um editorial intitulado ‘O mal que Lula faz à democracia’, e afirma que ‘As sondagens de intenção de voto mostram que parte do eleitorado está se esquecendo de quem é Lula‘.
Eis o editorial do Estadão:
Considerando tudo o que o PT
fez e deixou de fazer ao longo de seus 40 anos de existência – muito
especialmente, no período em que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff
estiveram no Palácio do Planalto –, uma nova candidatura petista à Presidência
da República não deveria suscitar entusiasmo na população. A legenda que
supostamente seria progressista, ética e renovadora da política percorreu um
caminho muito diferente, colecionando casos de corrupção, aparelhamento do
Estado, apropriação do público para fins privados e políticas econômicas
desastradas.
No entanto, apesar de todo
esse passivo, Luiz Inácio Lula da Silva tem aparecido em primeiro lugar nas
sondagens de intenção de voto para presidente da República. Às vezes, com
margem de vantagem suficiente para a vitória em primeiro turno. Sabe-se que as
eleições ainda estão distantes no tempo e na cabeça do eleitor. As pesquisas de
agora não se prestam a prever o que vai ocorrer em outubro nas urnas. Há tempo
para muitas mudanças. De toda forma, as sondagens revelam um dado
importantíssimo: parte do eleitorado está se esquecendo de quem é Lula. Convém,
portanto, resgatar essa memória.
Para começar, o líder petista
não tem nenhuma credencial para se apresentar como o salvador da democracia.
Antes de assumir o governo federal, o PT notabilizou-se por uma oposição
absolutamente irresponsável, numa lógica de quanto pior para o País, melhor
para Lula. Sem base jurídica, apenas para criar instabilidade, o partido
apresentou pedidos de impeachment contra Itamar Franco e Fernando Henrique
Cardoso. Sabotou sistematicamente os projetos apresentados pelo Executivo.
Fechada ao diálogo, a legenda de Lula tratava tudo o que viesse do governo
federal – rigorosamente tudo: Plano Real, modernização do sistema de telefonia,
criação das agências reguladoras ou mesmo propostas de melhoria para a educação
pública – como ocasião para criar desgaste.
Depois de chegar ao Palácio do
Planalto, o PT continuou sua tradição antidemocrática. Apenas mudou de lado na
mesa. São famosos e variados os escândalos de fisiologismo do partido de Lula.
O mensalão é caso paradigmático de perversão do regime democrático, com uso de
dinheiro público para manipular a representação política.
O petrolão foi ainda mais
perverso, ao colocar toda a estrutura do Estado, incluindo estatais e empresas
de capital misto, a serviço do interesse eleitoral do partido. Não foi apenas
um conjunto de ações para desviar uma enorme quantidade de dinheiro público e
privado. Todo o esquema estava orientado a alimentar a máquina eleitoral de
Lula.
Também nas relações com os
grupos políticos divergentes, Lula manteve, uma vez no poder, a mesma trilha
antidemocrática. Passou a deslegitimar toda e qualquer oposição ao seu governo,
criando uma das mais infames campanhas de incivilidade, intolerância e
autoritarismo da história nacional: a do “nós” (os virtuosos petistas) contra
“eles” (todos os que não aceitam Lula como seu salvador). O País segue ainda
padecendo diariamente dessa irresponsável divisão social, da qual, não por acaso,
Lula pretende extrair os votos para voltar à Presidência.
A atuação antidemocrática de
Lula continuou após a saída do PT do governo federal. Nos últimos anos, o líder
petista dedicou-se a desmoralizar, perante o mundo, o Estado Democrático de
Direito brasileiro. Em vez de uma defesa técnica nas várias ações penais em que
se viu envolvido, Lula promoveu verdadeira campanha difamatória contra o
Judiciário, sugerindo que, por trás de cada condenação, mesmo colegiada e
amplamente baseada em provas, havia uma conspiração (internacional!) para
prejudicá-lo. A decisão do Supremo sobre a incompetência de determinado juízo,
que libertou Lula, não torna menos grave o comportamento do ex-presidente e do
PT. Ao se apresentar como perseguido político, Lula deixa claro que não
acredita nas instituições democráticas do País.
Depois do ambiente de ameaças
e de ataques à democracia criado pelo bolsonarismo – a exigir uma resposta
responsável dos partidos e dos eleitores –, parece piada de mau gosto com o
País pensar no PT como eventual solução. Lula nunca tratou bem a democracia
brasileira.
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