Estatal afirmou que alta do preço dos combustíveis
está atrelada ao mercado internacional
Estatal promoveu alta de 5% no
preço do litro da gasolina e 8% no diesel na semana passada
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão vinculado ao Ministério da Justiça que controla a concorrência do mercado, abriu uma investigação contra a Petrobras para averiguar “possíveis condutas anticompetitivas” após a estatal anunciar novo reajuste no preço dos combustíveis. O pedido foi assinado pela chefe de Gabinete da Presidência, Ana Paula Guimarães, na quarta-feira, 12, e acatado pela Secretária-Geral do Cade. Segundo a movimentação do processo, a Petrobras ainda não foi notificada. Procurada pela reportagem da Jovem Pan, a estatal não respondeu aos questionamentos. Em nota, o Cade afirmou que não fiscaliza preços e produtos praticados no mercado. “Cabe à autarquia acompanhar o funcionamento dos mercados para prevenir e identificar eventuais práticas anticompetitivas.”
A Petrobras anunciou na
terça-feira, 11, o primeiro reajuste nos preços da gasolina e do diesel em 2022. O litro
da gasolina passou a ser vendido para as distribuidoras a R$ 3,24, alta de
4,8%. Já o litro do diesel foi a R$ 3,61, aumento de 8%. Em um ano, os
combustíveis já subiram quase 80%. Em dezembro de 2020, o litro da gasolina
custava R$ 1,84 aos distribuidores, diferença de 76% com o valor anunciado na
semana passada. Já o preço do litro do diesel foi elevado em 78,7%, partindo de
R$ 2,02 há 12 meses. Em comunicado, a estatal afirmou que os reajustes “são
importantes para garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas
e sem riscos de desabastecimento” e que seguem a paridade internacional,
“acompanhando as variações para cima e para baixo, ao mesmo tempo em que evita
o repasse imediato para os preços internos, das volatilidades externas e da
taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais”.
Nesta segunda-feira, o presidente
do Senado, Rodrigo
Pacheco (PSD-MG), afirmou que pretende
pautar no início de fevereiro o projeto de lei que define um valor
fixo do ICMS —
imposto estadual — sobre os combustíveis, com a relatoria do senador Jean Paul
Prates (PT). Em nota, Pacheco informou que a proposta vai ser submetida ao
Colégio de Líderes no início dos trabalhos no Senado. O anúncio ocorreu um dia
após o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), criticar
o Senado pela falta de avanços da medida aprovada pelos deputados no
ano passado.
No sábado, 15, o coordenador
do Fórum Nacional dos Governadores, o governador do
Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou que os gestores
estaduais decidiram descongelar a base de cálculo do ICMS dos
combustíveis a partir de fevereiro. A medida havia sido adotada em outubro
de 2021 em meio aos debates para reduzir o preço dos combustíveis. No mesmo
mês, a Câmara aprovou um projeto de lei que alterava a incidência do imposto
sobre os preços para um valor fixo com a média dos últimos dois anos, mas o
texto não andou no Senado. Atualmente, cada Estado define o valor do ICMS sobre
os combustíveis.
Por Jovem Pan
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