
Moradores de Maricá, RJ, com problemas no abastecimento
de água tentam atendimento na sede da Cedae.
Foto: Rodrigo Monteiro
Cedae afirma que está operando
com apenas 30% da capacidade devido à estiagem e ao baixo nível do rio Ubatiba.
Clientes afirmam que, mesmo com ordem judicial, caminhão pipa não vai até as casas.
Moradores de Maricá (RJ) têm
convivido com problemas no abastecimento de água da cidade. De acordo com eles,
o problema da falta de água existe há anos mas, nos últimos dias, a situação
tem piorado.
A manicure Sidilene Moura
Nascimento Reis, que mora há 22 anos na Rua 75, no bairro Saco das Flores, diz
que todo mês é uma luta para conseguir água.
"Tem uns dois meses que
estamos nessa luta, com dificuldade. Fiz um pedido para comprar um carro pipa
no dia 24 de setembro, e até hoje o caminhão não apareceu. Eu tenho até uma
tutela judicial ao meu favor. Já agendei o caminhão pipa pela central de
atendimento mas também tem que agendar por aqui na Cedae", contou
Sidilene.
Na última sexta-feira (1º),
moradores formaram filas para conseguir atendimento em frente à Cedae, no
centro de Maricá. A maioria era por falta de água e por causa do caminhão pipa
que, segundo os clientes, não chega até as casas.
Para tentar driblar o problema, Sidilene conta que capta água da chuva e usa pastilhas de cloro para tratá-la. Sidilene questiona os reservatórios que abastecem a cidade.
"Eu acho que assim como eu
junto a água da chuva, a Cedae já era pra ter um bom reservatório, né? Assim
como o povo de Maricá está fazendo isso, eu acho que a Cedae, deveria ter
colocado um reservatório melhor", afirmou a manicure.
O caminhão pipa é pago na conta
de água. O valor médio é de R$ 35. Mesmo assim, quem precisa da água, sofre pra
conseguir encher cisternas e caixas d'água.
Com os pais de 75 e 72 anos, o
advogado Fábio Antunes da Silva, também reclama que no centro de Maricá a água
não chega com frequência.
"Eu vim pedir água pro meu
pai e pra minha mãe que moram no centro da cidade. Meu pai tem 75 anos, minha
mãe tem 72. Vim aqui pra não expor meus pais por causa da pandemia. A Cedae
simplesmente força fazer o pedido de caminhão pipa por telefone, mas tem que
vir até aqui pra agendar. Então, não adianta nada", reclama o advogado.
O que diz a empresa
No final de setembro, a Cedae
informou que em função da estiagem e do nível baixo do rio Ubatiba, onde capta
água para tratamento e distribuição em Maricá, a companhia está operando com
30% da capacidade de produção e fornecimento de água tratada para parte do
município.
Por conta disso, o abastecimento
está reduzido para os bairros do Centro, Barra de Maricá, Itapeba, Boqueirão,
Jacaroá, Flamengo, Nova Metrópole, Caxito, Ubatiba, Mombuca, Araçatiba,
Divinéa, Caju, Nova Metrópole e Colinas.
A empresa disse ainda que, para
minimizar os efeitos da estiagem, a Cedae está fazendo manobras operacionais e
ações complementares. E afirmou que os clientes da companhia podem solicitar o
envio de caminhão pipa pelo telefone 0800-282-1195.
Manutenção no sistema
Na próxima quarta-feira (6), o
Sistema Imunana-Laranjal, que abastece parte da cidade de Maricá, vai passar
por manutenção. O fornecimento de água vai ficar interrompido das 7h às 22h.
A companhia recomenda aos
clientes que reservem água para o período, adiando tarefas não essenciais que
exijam grande consumo.
A manutenção já é por causa do
verão deste ano, segundo a Cedae. Além de Maricá, o fornecimento de água também
será interrompido nos municípios de Itaboraí, São Gonçalo, Niterói e na Ilha de
Paquetá.
Segundo a Cedae, a água deve
voltar em até 48h após a conclusão da manutenção. Um esquema especial de
atendimento foi montado para atender escolas, hospitais, unidades do Corpo de
Bombeiros e outros serviços essenciais durante o período de abrangência da
manutenção preventiva.
Por Rodrigo Monteiro, g1 — Região dos Lagos
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