
Ditador da Venezuela, Nicolás Maduro
Foto: Reprodução/Redes sociais
Informação foi publicada na
revista científica britânica Nature
Gabriel Romero, médico assistente
de uma das maiores clínicas públicas da Venezuela, é um dos muitos
profissionais de saúde da Venezuela que lutam contra a covid-19, apesar da
falta de equipamentos médicos básicos, energia, abastecimento de água constante
e remuneração adequada.
Em entrevista à revista
científica Nature, Romero pediu para não usar seu nome verdadeiro
por temer uma punição da ditadura de Nicolás Maduro. Quando alguns
profissionais falaram sobre o que consideram condições inaceitáveis, foram detidos
pelas forças governamentais. A publicação é de 25 de agosto.
Diante da visível subnotificação
do governo Maduro, profissionais de saúde decidiram agir secretamente em busca
de informações confiáveis. Médicos e enfermeiras se uniram em redes
clandestinas para coletar dados dos hospitais e enviá-los a institutos de
pesquisa e organizações não governamentais a fim de serem compilados e
divulgados.
Isso tem revelado um cenário de
caos muito pior do que o apresentado oficialmente. O governo venezuelano
divulga dados que, comparados aos dos países vizinhos, estão fora da realidade.
Estima-se que os números reais de casos e de mortes por covid-19 no país sejam
entre cinco e sete vezes maiores que os oficiais.
Números oficiais
Oficialmente, a Venezuela
registrou mais de 326 mil infecções e cerca de 3.900 mortes entre seus 29
milhões de habitantes desde o início da pandemia. São 135 mortes por milhão de
pessoas. Em contraste, seus vizinhos Colômbia e Brasil relatam cerca de 2.440 e
2.700 mortes por milhão de pessoas respectivamente.
Ao olhar para os dados da América
do Sul, Romero e outros profissionais da saúde dizem que os números da
Venezuela não refletem a realidade e que a situação é causada pela falta de
testes e infraestrutura — mas também por um esforço deliberado do governo para
minimizar o pandemia.
“É muita pressão”, diz Romero,
que coordena uma rede clandestina que coleta esses dados. “Sempre me preocupo
com a possibilidade de sermos detidos. Mas não posso morar em um país onde a
narrativa oficial é que está tudo bem, quando vivemos uma realidade totalmente
diferente”, afirmou.
A narrativa da pandemia
A economia da Venezuela entrou em
colapso na última década por causa da corrupção, da má gestão financeira e da
queda no preço do petróleo, seu principal produto de exportação. Como
resultado, pelo menos 5,4 milhões de pessoas fugiram do país, e, dos que ficaram,
cerca de 90% vivem agora na pobreza, de acordo com as Nações Unidas.
É possível que esse colapso
econômico tenha desacelerado a disseminação do coronavírus Sars-CoV-2, afirmam
epidemiologistas entrevistados pela Nature. A crise tem dificultado
as viagens pelo país e poucos venezuelanos têm condições de ir a restaurantes
ou bares, onde podem ocorrer eventos de superpropagação.
Mas os dados do governo ainda não
correspondem aos relatórios coletados nos hospitais. De acordo com o Médicos
Unidos Venezuela, um coletivo de médicos venezuelanos que monitoram a situação,
mais de 736 trabalhadores venezuelanos da área da saúde morreram de covid-19
desde o ano passado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!