
Ministerio de Comunicacíon | Flickr
Movimento ao Socialismo tenta
recuperar simpatizantes para voltar ao comando do país.
O partido de Evo Morales, Movimento ao Socialismo (MAS-IPSP), busca recuperar
os simpatizantes e conquistar novos eleitores para levar o cocaleiro novamente
à presidência da Bolívia.
“Para nós, política é
basicamente o exercício do poder para esvaziar o bolso dos ricos e entregar aos
pobres. Essa é a política que deve guiar aqueles de nós que somos membros do
Movimento ao Socialismo”. Foi o que afirmou Juan Ramón Quintana, ex-ministro do
governo e uma das figuras mais importantes do entorno próximo de Evo Morales,
em discurso no
seminário político do MAS.
Se já não tivesse ficado claro
durante os 15 anos em que a sigla esteve à frente da Bolívia, Quintana explicou
claramente – na presença de Morales, com palavras simples e contundentes – que
no MAS eles são socialistas, em que consiste o socialismo e quais são os
objetivos do partido no poder.
Quintana fez essas afirmações
alertando que, por correrem o “risco de se perderem ideologicamente”, é
necessário que construam um “escudo” para evitar o enfraquecimento. Além disso,
esclareceu que durante os 14 anos em que governou junto a Morales, a classe
alta declarou “guerra a eles sem ter conseguido recuperar as riquezas dos ricos
para entregá-los aos pobres”.
No mesmo sentido, no último
domingo (29), Morales afirmou em um programa da rádio Kawsachun Coca que,
nas semanas anteriores, o MAS definiu uma nova escala de mensalidades em seus
novos estatutos, e que quando terminarem os congressos departamentais,
começarão as inscrições de novos militantes para iniciar “a segunda revolução
democrático-cultural” no país.
Poucas horas depois, Quintana
também disse: “quanto mais lésbicas, mais homossexuais há no MAS, bem-vindos
queridos camaradas, aqui vamos abraçar vocês, aqui vamos mimá-los”.
Ele ainda acrescentou: “caro
camarada Evo, espero que você, realmente – digo-lhe de todo o coração – possa
criar esta comunidade de heterossexuais, gays, lésbicas, etc., porque você
seria o presidente mais democrático do mundo.”
A perda de adeptos do Movimento
ao Socialismo desde a queda de Morales, em 2019, fez com que o partido se
empenhasse ao máximo para recuperar os antigos adeptos e conquistar novos
eleitores. Isto para levar novamente o cocaleiro – que também é filiado ao Foro
de São Paulo – à presidência do país.
Atualmente, a Bolívia atravessa
uma profunda crise econômica que, na visão de inúmeros analistas, vem ocorrendo
sem que o regime esquerdista de Luis Arce apresente planos convincentes até o
momento.
Jeanine Áñez
Além disso, há o caso da violação
de direitos humanos e abuso de poder de Arce, que mantém encarcerada a
ex-presidente interina, Jeanine Áñez, por cinco meses. Houve um sério agravo no
estado de saúde física e mental de Añez nos últimos meses,
culminando recentemente em uma tentativa de suicídio.
🇧🇴 A Presidente da Assembleia Permanente dos Direitos Humanos da Bolívia, Amparo Carvajal, faz vigília à porta da prisão de Miraflores à espera de ver a ex-presidente Jeanine Añez, após sua tentativa de suicídio. #Bolivia #JeanineAñez
— Thaïs Garcia 🇧🇷 (@ThaisConexao) August 22, 2021
pic.twitter.com/jZNYVkTryX
Em 30 de agosto, mais de 260
mulheres de todo o mundo denunciaram, através de um manifesto, a perseguição, a
injustiça e os maus-tratos cruéis à ex-presidente da Bolívia, cuja vida está em
risco. Líderes políticos e sociais de 22 países juntaram suas vozes em seu
apoio, exigindo sua libertação.
Mujeres de todo el mundo denunciamos la persecución, injusticia y cruel maltrato a la ex Presidente de Bolivia, @JeanineAnez, cuya vida está en riesgo.
— María Corina Machado (@MariaCorinaYA) August 30, 2021
Líderes políticas y sociales de 22 países unimos nuestras voces en su apoyo y exigimos su liberación. Ayúdanos a hacer fuerza! pic.twitter.com/bR1VKE4H5C
No texto, os signatários exigem a
libertação de Áñez, “sujeita a um processo que a privou de liberdade por
motivos políticos, contrariando as recomendações de diferentes organismos
internacionais, incluindo o Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes
(GIEI), anexado ao Organização dos Estados Americanos (OEA)”.
“Apesar de ter permanecido presa
ao marco institucional democrático e liderado um processo de transição que
culminou na eleição do novo presidente da Bolívia, senhor Luis Arce, hoje vemos
com preocupação como essas mesmas instituições que Áñez respeitava a sujeitam a
um processo perante a justiça ordinária, acusando-a sem elementos convincentes
ou legalmente comprovados da prática de crimes”, acrescentam.
Assim, os autores do manifesto
indicam que Áñez é inocente, “deve ter o direito de se defender em liberdade e
deixar de ser mantida em prisão preventiva” e “ser transferida o mais rápido
possível para um centro de saúde para ser avaliada e tratada antes que sua vida
continue a ser em perigo”.
Por Thaís Garcia
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!