
Resultado da eleição de 6 de junho segue sendo contestado
por Keiko Fukimori. HENRY ROMERO/REUTERS
38 dias após
a votação do segundo turno, o país ainda não tem a proclamação oficial do
resultado da eleição presidencial
O partido Força Popular, da candidata presidencial Keiko Fujimori, recorrerá contra ao menos 15 atas de votação das autoridades eleitorais regionais, que na terça-feira concluíram todas as proclamações descentralizadas dos resultados do segundo turno da eleição presidencial do Peru a favor do candidato da esquerda, Pedro Castillo.
Na reta final
do longo processo eleitoral peruano, o advogado Julio César Castiglioni, membro
da equipe jurídica do Força Popular, declarou ao jornal "El Comercio"
que o grupo fujimorista recorrerá contra ao menos 15 atas dos Júris Eleitorais
Especiais (JEE) que não favorecem a sua candidata.
O anúncio foi
feito no mesmo dia em que foram concluídas as atas de resultados nos tribunais
eleitorais regionais que ainda não constavam como "resolvidas" no
sistema do Júri Nacional de Eleições (JNE), o órgão eleitoral de esfera nacinal
do Peru.
Mais demora
Caso não haja
impugnações, essas últimas atas serão aceitas e encaminhadas ao JNE, que neste
cenário espera emitir a proclamação geral de resultados em 19 ou 20 de julho.
No entanto, se
o Força Popular apresentar recursos antes da próxima sexta-feira, quando se
encerra o prazo de três dias estabelecido pela lei eleitoral, a proclamação do
pleito de 6 de junho pode ser ainda mais adiada.
Em contagem
regressiva para o dia 28 de julho, quando se encerrará o regime de transição
presidido por Francisco Sagasti, esta nova manobra jurídica do fujimorismo,
embora prevista dentro do marco normativo, pode postergar a proclamação oficial
de quem assumirá o comando do país.
"Não é
problema nosso se o processo de proclamação vai ser adiado ou não, é problema
de quem não quis facilitar o esclarecimento da questão da fraude", disse
Castiglioni.
Supostos
erros
Os recursos
contra essas atas de proclamação descentralizadas são os últimos possíveis.
Nesta fase, já não é possível se referir a questões de impressões digitais ou
de assinatura, e sim apresentar supostos erros numéricos.
Em outras
palavras, o Força Popular teria de provar que o Gabinete Nacional de Processos
Eleitorais (ONPE) cometeu um erro numérico e que este foi notado pelas
autoridades eleitorais regionais.
Desde o dia
posterior à apuração, Keiko Fujimori alega que foi vítima de uma "fraude
sistemática" e pediu a anulação de atas com cerca de 200 mil votos de
zonas rurais, onde Castillo obteve votação expressiva.
A candidata da
direita não apresentou nenhuma prova crível dessas acusações, apenas supostas
irregularidades nas mesas de votação com as assinaturas dos responsáveis pelas
mesmas, as quais apresentou como "roubo de identidade" ou supostos
laços familiares entre os membros das mesas de voto, algo proibido por lei.
Todas estas
reclamações foram rejeitadas em primeira instância pelos JEEs e depois
transmitidas à JNE, que concluiu em última instância concluiu na segunda-feira
passada o processo de publicação das resoluções que declaram os recursos
improcedentes.
Além disso,
nenhum órgão de observação eleitoral, incluindo a Organização dos Estados Americanos
(OEA), encontrou provas de fraude, enquanto União Europeia, Estados Unidos,
Reino Unido e Canadá expressaram confiança no sistema eleitoral peruano e
disseram acreditar que as eleições foram livres e justas.
A filha e
herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) tenta encontrar
provas que apoiem a denúncia de suposta fraude, a fim de inverter os resultados
eleitorais. De acordo com a apuração final, Castillo venceu as eleições com
50,12% dos votos.
Apesar disso,
Keiko já declarou que não aceitará a promulgação de Castillo como presidente
eleito do Peru porque, na opinião da candidata, isso "consumará a
fraude".
Agência EFE
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