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| Bolsonaro exige expulsão de deputados do PSL críticos a seu governo para voltar à legenda. NAJARA ARAÚJO/CÂMARA DOS DEPUTADOS |
Presidente negocia com integrantes do PSL desde o segundo semestre de 2020, mas não descarta se filiar a outras legendas
Em negociação para retornar ao PSL, partido pelo qual se elegeu em 2018, o presidente Jair Bolsonaro colocou o fim de abril como prazo para definir seu futuro político. "Já estou atrasado. Não tenho outro partido, espero que esse mês eu resolva", afirmou o presidente na manhã desta segunda-feira (19), em conversa com apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada.
O chefe do
Poder Executivo tem falado desde o segundo semestre do ano passado que conversa
com integrantes do PSL para voltar a ser um deles, mas também negocia com
outras legendas. No mês passado ele afirmou que estava "namorando" um
partido para ser "dono".
"Abril
está bom (como prazo para definir). O duro foi quando eu me candidatei (em
2018), que eu acertei em fevereiro, março (do ano da eleição), em cima da
hora", disse o presidente.
Bolsonaro
deixou o PSL em novembro de 2019 após desavenças
com o presidente da sigla, o deputado Luciano Bivar (PE). O principal
motivo foi o controle do cofre da legenda, que se tornou uma
superpotência partidária ao eleger 54 deputados, quatro senadores e três
governadores na esteira do bolsonarismo. Com isso, a ex-sigla do presidente
deve ter a maior fatia dos recursos públicos destinados a partidos políticos
neste ano, de R$ 103,2 milhões.
O Estadão ouviu
de membros da cúpula do PSL que, para voltar à legenda, o presidente cobrou um
"alinhamento ideológico" e a expulsão de deputados que têm feito
críticas mais fortes a ele, como Júnior Bozzella (PSL-SP), Julian Lemos
(PSL-PB), Joice Hasselmann (PSL-SP) e Delegado Waldir (PSL-GO).
Integrantes do
PSL afirmam que as conversas para o retorno ao partido pelo qual se elegeu
presidente em 2018 estão na fase de aprofundamento e que Bolsonaro
"namora" o partido. Para o chefe do Executivo, é importante ter uma
legenda com um bom tempo de televisão e acesso à verba partidária e eleitoral,
até mesmo para poder fazer frente a uma eventual
candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O projeto de
reeleição de Bolsonaro também visa o comando de diretórios estaduais do partido
no Nordeste. Hoje há rivais do presidente em estados nordestinos, como os
deputados Julian Lemos (PSL-PB) e Heitor Freire (PSL-CE), que coordenam os
diretórios partidários de seus Estados. Também é o objetivo de Bolsonaro
retomar o comando do partido no Rio de Janeiro e em São Paulo, que antes do
racha eram chefiados respectivamente pelo senador Flávio Bolsonaro, hoje no
Republicanos, e pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filhos do presidente.
A ponte entre
Bolsonaro e o PSL é feita pelo advogado Antonio Rueda, vice-presidente nacional
da sigla e coordenador do diretório do Distrito Federal. A última vez que Rueda
e Bolsonaro conversaram foi há um mês, quando o presidente reforçou a vontade
de voltar ao partido e foi discutido um panorama geral sobre o cenário político
brasileiro.
O
vice-presidente do PSL tenta conciliar a vontade de Bolsonaro com a da ala do
partido que é crítica a ele. O Estadão apurou que as divergências são tratadas
por Rueda com naturalidade e que a tarefa dele tem sido conversar para resolver
os atritos e abrir caminho para a filiação.
O divórcio com
a legenda começou em outubro de 2019, quando Bolsonaro disse para um apoiador
"esquecer" o PSL e foi desencadeada a crise que culminou no racha do
partido e na consequente saída do presidente da República da legenda.
Ato contínuo à
decisão, bolsonaristas articularam a criação de uma nova legenda, que
seria batizada
de Aliança Pelo Brasil. No entanto, a criação da sigla tem patinado e
os articuladores têm enfrentado dificuldades para reunirem as assinaturas necessárias
para conseguir o registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). "Aliança
[pelo Brasil]? Quase... Muito pequena a chance de sair. Já estou atrasado, já,
não tenho outro partido, espero que esse mês eu resolva", declarou o
presidente nesta segunda.
Aliados.
Deputados aliados de Bolsonaro no PSL acreditam que é possível que o presidente
volte ao partido. "Tudo é possível, mas ainda não está decidido",
declarou a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), uma das mais fervorosas apoiadoras
bolsonaristas.
Luiz Lima
(PSL-RJ) segue a mesma linha e crê em um retorno do presidente. "Vejo uma
enorme possibilidade, sempre lutei por isso e não tenho dúvida que é a melhor
escolha".
O deputado
Carlos Jordy (PSL-RJ) concorda com a ideia de Bolsonaro de expulsar os membros
do PSL que têm sido críticos ao presidente.
"Há
possibilidade de reatar, possibilidade real. As conversas estão nesse sentido,
mas há um impasse que é a questão dos traíras. Existe ali uns oito ou dez no
máximo que têm que sair do partido para que a gente possa restabelecer o PSL
como o partido do presidente. Eu acredito que deva avançar. Eles sabem que mais
importante para o PSL é a vinda do presidente do que ficar um bando de íngua
que não ajuda em nada, não contribui com nada", afirmou Jordy.
Agência Estado

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