
Isac Nóbrega | PR
“O relatório
conjunto da China e da Organização Mundial da Saúde sobre a Covid-19 não
forneceu respostas confiáveis sobre como a pandemia começou, então,
investigações mais rigorosas são necessárias, com ou sem a participação de
Pequim”, exigiu um grupo de cientistas e pesquisadores internacionais, na
última quarta-feira (7).
O trabalho de
especialistas da OMS, publicado na
semana passada, diz que a rota mais provável de transmissão do SARS-CoV-2 – o
vírus que causa a covid-19 – “envolve morcegos e outros animais selvagens da
China e do Sudeste Asiático”. O relatório da OMS descartou quase completamente
a possibilidade de um vazamento de um laboratório. No entanto, e alertado que
as críticas se multiplicariam, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus,
anunciou que novas investigações são necessárias e admitiu que os pesquisadores
não tiveram acesso a todos os dados na forma bruta.
Na Carta Aberta, que foi obtida pelo The New York Times, os 24
cientistas e pesquisadores da Europa, Estados Unidos, Austrália e Japão
denunciaram que a missão de investigação em Wuhan (Hubei), onde a doença
apareceu pela primeira vez pelo menos no final de 2019, foi indevidamente
influenciada por fatores políticos.
Para Jamie
Metzl, investigador do Conselho Atlântico que escreveu a carta, a OMS fez
concessões para obter um mínimo de cooperação das autoridades chinesas.
No texto, especialistas afirmam que as conclusões do
estudo são baseadas em pesquisas chinesas não publicadas, enquanto registros
críticos e amostras biológicas “permanecem inacessíveis”.
“O mundo pode
ter que voltar ao ‘Plano B’ e conduzir uma investigação da forma mais
sistemática possível, sem o envolvimento de Pequim. A China tem bancos de dados
dos vírus que eles tinham, há notas de laboratório do trabalho que estava sendo
feito, há todos os tipos de cientistas que estão fazendo o trabalho e não temos
acesso a esses recursos ou a essas pessoas”, revelou Metzl.
O grupo de
cientistas está em busca de novas pesquisas que incluam especialistas em
biossegurança. A comissão poderia envolver a OMS ou um esforço multinacional
independente para estabelecer um processo diferente para explorar os primórdios
da pandemia e suas origens na China.
Metzl disse que
as novas chamadas para mais investigações refletem a necessidade de maior
controle e restrições aos vírus que podem ser estudados em laboratórios de todo
o mundo.
Ele alertou que
um dos requisitos é substituir o poder de veto de qualquer governo sobre a
composição da equipe internacional de especialistas por uma disposição que
exige que as decisões finais sobre a composição do grupo internacional de
especialistas sejam tomadas pelo Conselho Executivo da OMS.
Além disso, eles
exigem uma seleção transparente da equipe de especialistas que têm um mandato
oficial que lhes permite solicitar acesso total a todos os locais, registros e
exibições de interesse, e entrevistar as pessoas relevantes “sem a presença de
autoridades governamentais e com a ajuda de tradutores fornecidos pela OMS”.
O grupo também
pede que um sistema de relatórios seguro seja estabelecido que permita aos
cientistas na China e em outros países compartilhar informações relevantes sem
medo de retaliação.
A Carta Aberta
completa, em inglês, pode ser lida neste link.
OMS, Tedros
e Pequim
Além de
cientistas, vários governos acusaram Tedros de encobrir os erros de Pequim
nas fases iniciais da pandemia. Eles argumentam que a OMS atrasou a
declaração da transmissibilidade do vírus entre humanos. Além disso, denunciam
que a organização internacional não insistiu que seus especialistas fossem a
Wuhan no início da crise de saúde.
Embora o
ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha sido desde o início um
dos mais críticos em relação aos posicionamentos da entidade e às atitudes
obscuras da China, o atual governo americano também expressou dúvidas sobre o
relatório e anunciou que especialistas daquele país revisarão o documento a fim
de garantir que a pesquisa seja independente e robusta.
“Deixamos claro
que estamos nos concentrando em uma investigação independente e tecnicamente
sólida e, assim que isso for revisado, faremos uma avaliação das próximas
etapas”, disse o secretário de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki.
“Temos
preocupações reais sobre a metodologia e o processo usados para este
relatório, incluindo o fato de que o governo de Pequim aparentemente ajudou a
redigi-lo”, alertou o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken.
Por Thaís Garcia
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