Sofrendo com
desemprego, trabalhadores de aplicativos se expõe a riscos e enfrentam
precarização para garantir o sustento
Pedro Luiz de Oliveira da Silva, 18, descansa durante
intervalo das entregas, no vão livre do Masp.
SHEILA PINHEIRO/ R7 - 22.03.2021
Pedro Luiz, de
18 anos, acorda todos os dias cedo, percorre 15,4 quilômetros levando a
bicicleta no ônibus ou pedalando do Jardim Miriam, zona sul, até a Bela Vista,
na região central de São Paulo, para trabalhar como entregador de aplicativo.
"Não tem
horário certo para começar e terminar o trabalho. Chego de manhã, perto das
10h, e vou embora só à noite, em torno das 21h", afirma.
Pedro atende os chamados da Rappi e do iFood. Com o dinheiro que ele ganha com a função, ajuda a sustentar a casa onde mora com a mãe e mais dois irmãos e o financiamento da bicicleta que comprou para o serviço.
"No momento não tá tendo oportunidade de trabalho, então é melhor do que
ficar desempregado."
Sem carteira assinada há alguns anos, Pedro pretende estudar para conseguir
mudar de profissão, mas diz que ainda não tem nada em mente.
A rotina de Pedro não é um caso isolado, durante a grave crise social
desencadeada pela pandemia do novo coronavírus, a taxa
de desemprego atingiu quase 14 milhões de brasileiros, segundo dados do
IBGE.
Nesse meio
tempo, o serviço de entregas por aplicativo deixou de ser uma demanda
diferencial para se tornar essencial.
Como tantas outras, essa categoria de trabalhadores enfrenta o risco da
exposição ao vírus da covid-19, diariamente, em uma cidade onde as extensões de
ciclofaixas são insuficientes.
Com pouca
remuneração, muitas vezes não conseguem equipamentos de proteção e, para ganhar
o equivalente, realizam uma carga horária acima do que é considerado saudável
para fazer valer o serviço.
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| Trabalhadores de aplicativo durante uma pausa para descanso no metrô Santa Cruz, em São Paulo. SHEILA PINHEIRO/ R7- 22.03.2021 |
Matheus
Henrique Saraiva Rodrigues tem 23 anos. Com uma bike doada por amigos, ele
trabalha para a empresa Uber Eats cerca de quatro horas por dia, mas fica
online o dia inteiro esperando o celular acioná-lo para a próxima entrega.
“Houve um dia
que eu fiquei 24 horas ligado e ele chamou só três vezes. Nos aplicativos por
entrega, o valor é meio aleatório, já fiz corrida que pagava R$ 2,50, já fiz
corrida que pagava R$ 15... Depende de como o aplicativo opera na hora de gerar
o valor. E essa informação, de como é gerado o valor, não fica visível para a
gente”, afirma Matheus.
O jovem conta
ter escolhido ser entregador por falta de oportunidades. “É muito vendido o
discurso sobre a liberdade de poder ser seu próprio patrão, mas no caso das entregas,
o meu sentimento real é que falta opção, e não escolha”, lamenta.
De acordo com
pesquisa realizada na Universidade Federal da Bahia, os entregadores que têm no
aplicativo sua fonte de renda trabalham, em média, 10 horas e 24 minutos por
dia, 64,5 horas por semana. Isso significa mais de 20 horas extras em uma
jornada regular. Na média, vão para as ruas atrás do sustento seis dias por
semana, sendo que 40% deles trabalham todos os dias.
Sara Santos
e Sheila Pinheiro, do R7*

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