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| Reajuste no preço da gasolina deve ser fracionado, ou seja, em duas parcelas. LUCAS LACAZ RUIZ / FOLHAPRESS 02.05.2019 |
Consultoria estima que reajuste possa ser aplicado de forma fracionada, ou seja, parcelado em duas vezes
O preço da
gasolina na bomba deve sofrer um reajuste de até 12% nos próximos 15 dias,
influenciado pelo desempenho do custo do barril do petróleo nos mercados
interno e externos.
A previsão é da
Ativa Investimentos que também estima que o aumento pode ser aplicado de forma
fracionada, ou seja, parcelado em duas vezes.
Levantamento
feito pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)
até o dia 28 de janeiro – últimos dados disponíveis – mostra que o preço médio
da gasolina nas bombas é de R$ 4,686. Com uma eventual alta de 12%, subiria R$
0,56232, para R$ 5,24832.
Desde que a
Petrobras retomou a política de seguir os preços internacionais, em 2016,
aumentou a previsibilidade de seus reajustes, diz Étore Sanchez,
economista-chefe da Ativa Investimentos.
É certo
que as oscilações de preço do barril do petróleo no exterior e do dólar
refletirão no custo do combustível por aqui.
ÉTORE SANCHEZ
A consultoria
também estima que o reajuste na refinaria terá impacto no IPCA (Índice de
Preços do Consumidor Amplo) de março.
Nesta
sexta-feira (5), o barril do petróleo girava em torno de US$ 60 (R$ 323,02).
Sanchez diz que
a metodologia aplicada pela consultoria para o cálculo do reajuste vem
permitindo uma margem constante de acertos desde setembro do ano passado.
José Alberto
Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro-SP (Sindicato do Comércio Varejista de
Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), confirma a tendência de alta no
preço da gasolina devido à defasagem no no mercado interno.
Desde que
a Petrobras começou a acompanhar o mercado internacional, a defasagem vem
caindo, mas ainda é de 12%. No passado, esse percentual chegou a 20%.
JOSÉ ALBERTO
PAIVA GOUVEIA
Rodrigo
Zingales, diretor executivo da Abrilivre (Associação Brasileira de Revendedores
de Combustíveis Independentes e Livres), afirma que além da decisão da
Petrobrás, outros fatores afetam o custo da gasolina:
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• ICMS Pauta
(veja explicação abaixo);
• Preço do etanol;
• Preço do biodiesel; e
• Custo nas distribuidoras.
Ele frisa que
distribuidoras como a Shell, Ipiranga e BR que têm exclusividade na
comercialização para seus postos podem elevar o preço da gasolina em 20% e os
postos serão obrigados a comprar delas.
Os postos
de gasolina não terão outra alternativa a não ser repassar o custo para o
consumidor porque são os que menos têm condições para opinar pelo preço.
RODRIGO
ZINGALES
Para Adriano
Pires, economista e diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), a
política de reajuste da Petrobras está correta.
“A companhia
persegue a tendência do mercado internacional. Se lá aumentar, ela precisa
reajustar aqui e certamente haverá reflexo na bomba”, comenta Pires.
O especialista
destaca que a elevação no preço do barril do petróleo refletirá no valor da
gasolina e do diesel por causa da defasagem sofrida em 2020 devido à pandemia
do novo coronavírus.
“O preço dos
combustíveis deve subir mais no Brasil em 2021 com a retomada da economia
mundial impulsionada pela chegada das vacinas.”
Setor
precisa de desoneração fiscal
Zingales diz que
além da influência do mercado internacional, o preço do combustível engloba a
oneração fiscal.
“O chamado ICMS
Pauta, aquele que calcula o imposto em cima de uma estimativa, acaba onerando o
preço da gasolina no país. Diversas vezes houve redução no valor da gasolina,
do etanol, mas não do ICMS, o que acaba refletindo no preço para o consumidor
final.”
Ele
exemplifica:
Para calcular o
ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da gasolina, o
governo estima um preço médio.
Vamos supor que
ele considere R$ 3 o litro, mas o posto vendeu a R$ 2,80 o litro para o
consumidor. Mesmo assim ele pagará o tributo em cima do maior valor.
O mesmo vale
para o inverso: o posto cobra R$ 3,20 o litro e vai recolher imposto em cima de
R$ 3.
ICMS deve
constar na reforma tributária
Pires criticou
a forma como o governo federal vem tratando a questão da incidência do
ICMS sobre os combustíveis. “O assunto é tão extenso que deveria ser um
capítulo da reforma tributária”, observa.
Não dá
para tratar essa questão de forma precipitada e correr o risco de embaralhar
tudo. O Brasil tem problemas sérios de sonegação e precisa intensificar os
esforços nesse sentido.
ADRIANO PIRES
Nesta
sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que encaminhará ao
Congresso um projeto para atribuir aos Estados a definição do ICMS sobre os
combustíveis. A decisão foi tomada após reunião com ministros e grupos
de caminhoneiros.
O consultor diz
que estima-se que a sonegação de ICMS na cadeia de combustíveis chega à margem
de R$ 7,2 bilhões por ano.
“O foco não
deveria ser a redução de tributos ou de políticas para diminuir o preço do
diesel e da gasolina na bomba, mas sim no combate à sonegação. Isso,
consequentemente, acarretará na queda de preço do combustível para o
consumidor.”
Márcia
Rodrigues, do R7

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