
Pessoas podem se recusar fornecer CPF a lojas.
PIXABAY
Criminosos
que têm acesso a esse documento possuem uma chave para encontrar outras
informações da vítima
Nas últimas
semanas foi noticiado o vazamento de dados de mais de 223 milhões de
brasileiros, entre pessoas vivas e que já morreram, como data de nascimento e
gênero. Além dessas informações, também houve a exposição do CPF destas
pessoas, o que pode abrir muitas portas para golpes realizados por criminosos.
Em um cenário
onde cada vez mais serviços solicitam o CPF dos seus clientes, é necessário
saber o porquê dessa informação ser tão valiosa para bandidos e empresas.
Marcus Garcia, vice-presidente de tecnologia da FS Security, empresa
especialista em soluções digitais, alerta para o fato desses dados caírem nas
mãos de golpistas e qual o interesse por trás.
“O CPF, no
Brasil, é o documento exclusivo de uma pessoa. Então, quando o criminoso tem
acesso a esse dado, ele tem uma chave de busca para todas as outras informações
da pessoa, podendo encontrar o endereço, o nome e a idade da vítima”, ressalta.
Uma vez que
tenham posse desses dados, Marcus afirma que os golpistas podem começar a agir
abrindo contas em bancos de forma online ou até mesmo fazendo compras com o
nome do cliente que teve as informações vazadas.
No caso das
lojas, a solicitação do CPF do cliente pode ser um mecanismo de proteção para
que ela entenda se aquele comprador é realmente a pessoa que está informando
ser. Contudo, diante dos recentes vazamentos, o especialistas sugere que o
consumidor recuse fornecer sempre o CPF para se proteger da possível exposição
deste dado.
“Em cenários
presenciais, em que não está se fazendo algum tipo de cadastro na loja, por
exemplo, mas sim uma simples compra, o consumidor pode sim se recusar a
fornecer o CPF”, afirma
No que diz
respeito à precaução das pessoas em relação à exposição do CPF, outra
orientação do especialista é ser mais criterioso ao fornecer os dados a
aplicativos e outros serviços online, assim como ter muito cuidado ao acessar
sites duvidosos que possam roubar conteúdos sigilosos do usuário.
O que fazer
após o vazamento dos dados
Depois de
noticiado um vazamento de dados como o que aconteceu recentemente, a orientação
do profissional da FS Security é para que as pessoas passem a trocar as senhas
de contas como e-mail, bancos e redes sociais com maior regularidade. Outra
dica é utilizar aplicativos gerenciadores de senhas, que podem auxiliar tanto
na geração de chaves de acesso fortes, como também na proteção destes códigos.
Outra dica dada
por Marcus é a consulta dos dados pessoais através de um serviço chamado
Registrato, do Banco Central do Brasil. Através deste serviço público, a pessoa
consegue fazer o acompanhamento sobre empréstimos e pagamentos feitos em seu
nome e também verificar a lista de bancos onde o cidadão possui conta.
A LGPD pode
ajudar os clientes
Em relação à
proteção das pessoas físicas por parte de órgãos públicos, esta função, no
Brasil, é da ANPD (Autoridade Geral de Proteção de Dados). Essa instituição é a
responsável pela elaboração e fiscalização da LGPD (Lei Geral de Proteção de
Dados), que coloca como regra a explicação do porquê as empresas estão
solicitando aquelas informações dos clientes.
Caso a empresa
infrinja alguma regra estabelecida por essa lei, a LGPD prevê, além das
denúncias que qualquer pessoa pode fazer, sanções que podem chegar até a 2% do
faturamento anual da empresa no Brasil, e no limite de R$ 50 milhões de multa a
cada infração cometida.
João
Melo, Do R7*
*Estagiário
do R7 sob supervisão de Pablo Marques
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