
Viviane Vieira do Amaral Arronenzi foi assassinada
pelo ex-marido no Rio de Janeiro.
Foto: Reprodução/Facebook
A subsecretária
de Políticas para Mulheres do Rio de Janeiro, Cristiana Onorato Miguel Bento,
defendeu tolerância zero contra casos de feminicídio - assassinatos de mulheres
em razão de seu gênero - como ocorreu na véspera de Natal com a juíza Viviane
Vieira do Amaral Arronenzi, do Tribunal de Justiça fluminense. Segundo
Cristiana, a pasta estadual deverá iniciar projetos de combate à violência
contra mulheres a partir do próximo ano.
Ao Estadão, a
subsecretária afirmou que se inspira no movimento Ni Una Menos, que cobrou mais
ações contra a violência de gênero na Argentina e no Uruguai em 2015 e em 2016.
Cristiana
afirmou que prestará auxílio às filhas da juíza Viviane. "É começar a dar
voz para as mulheres e dizer que não admitimos nenhuma morte por ser
mulher", frisou.
"É falando
que a cabeça das pessoas muda. É tolerância zero e não admitir mais nenhuma
morte por violência de gênero".
Delegada,
Cristiana Bento assumiu o cargo no início deste mês e ficou famosa pela
condução do caso '30 contra todas', que investigou o estupro coletivo contra
uma adolescente após um baile funk no Rio. O abuso foi filmado e compartilhado
nas redes sociais - ao liderar o caso, Cristiana mudou o foco da investigação,
antes voltada para a vida pregressa da vítima, para a participação de cada
homem no crime.
Uma das medidas
já discutidas pela pasta é a implantação de aluguel social a mulheres que
sofram de violência doméstica. "É preciso dar um basta para acabar com
essa cultura e discriminação contra o gênero feminino", frisou.
Desde o
feminicídio da juíza Viviane Vieira do Amaral, diversas entidades tem se
manifestado sobre a necessidade de mais rigidez no combate à violência contra
mulheres.
Na sexta, (25),
o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, divulgou
comunicado afirmando ser urgente o debate sobre violência doméstica no país e
que a Corte e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se comprometem com o
desenvolvimento de ações que identifiquem a melhor forma de prevenir e de
erradicar este tipo de crime.
Manifestação
semelhante foi divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros, que
classificou o femicídio como uma chaga. A Associação dos Juízes Federais
afirmou que o feminicídio perpetua banalização da vida e a liberdade da mulher.
O Conselho
Nacional do Ministério Público disse que levará o caso ao Observatório Nacional
sobre Questões Ambientais, Econômicas e Sociais de Alta Complexidade e Grande
Impacto e Repercussão para elaborar estudos e medidas para aperfeiçoar o
sistema nacional de Justiça em relação a esses crimes.
Viviane Vieira
do Amaral Arronenzi, de 45 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido na frente
das três filhas. O crime ocorreu por volta das 18h30, quando a juíza levava as
três filhas (duas gêmeas de 7 anos e uma de 9 anos) para passar o Natal com o
pai.
Ela se encontrou
com Paulo Arronenzi na rua Raquel de Queiroz. No vídeo que chegou a circular
nas redes sociais e está sendo usado como prova pela polícia, o ex-marido ataca
a juíza na frente das filhas, a despeito dos pedidos das meninas para que
parasse.
Testemunhas
ainda pediram socorro aos guardas municipais do 2º SubGrupamento de Operações
de Praia, que estavam na base ao lado do Bosque da Barra, próximo ao local do
crime.
Os agentes
encontraram a juíza desacordada, caída ao chão. Apontado por testemunhas como autor
do crime, Arronenzi foi preso pelos guardas municipais sem mostrar resistência.
Laudo do
Instituto Médico Legal (IML) aponta que a juíza foi morta com 16 golpes de faca
distribuídos pelo corpo. Segundo reportagem do jornal O Globo, foram dez
perfurações no rosto e na cabeça e seis nas costas. No entanto, um corte na
jugular teria sido o golpe fatal na juíza, que não teve chance de socorro.
Há três meses,
Viviane denunciou Arronenzi por lesão corporal e ameaças. O próprio Tribunal de
Justiça do Rio providenciou uma escolta para a magistrada, mas ela abriu mão da
proteção. Em 2007, uma ex-namorada de Arronenzi já havia denunciado o
engenheiro por agressão.
Paulo
Roberto Netto, do Estão Conteúdo
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