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O papel
geoestratégico das rotas chilenas do Pacífico para o tráfico de drogas não foi
diminuído pelas restrições impostas pelas medidas governamentais de covid-19,
segundo um artigo do El País Digital.
Mesmo a
pandemia de covid-19 alterando a situação de normalidade dos direitos e
liberdades das pessoas, ela não impediu o avanço do tráfico de drogas no Chile.
As restrições à
quarentena forçada e o fechamento das fronteiras terrestres e aéreas não
tiveram impacto em conter as organizações criminosas que conseguiam abastecer o
mercado interno e externo vinculados ao tráfico de drogas. Estas organizações
criminosas se adaptam rapidamente, buscaram novas drogas, rotas e expandiram
sua presença em outros territórios, apesar das limitações geradas pela
pandemia.
O papel
geoestratégico do Chile nas rotas do narcotráfico não foi diminuído pelas
restrições. Segundo o El Pais Digital, o relatório sobre apreensões de drogas
elaborado pela Polícia de Investigação do Chile (PDI) alertou para o aumento do
tráfico de cocaína e maconha em 94% e 50%, respectivamente.
A rota do
Pacífico passou a ser geradora de acessos à América do Norte, Europa, Oceania e
Ásia, e os portos chilenos tornaram-se facilitadores para que organizações
criminosas continuassem operando, visto que continuaram operando devido ao fato
de 96,4% do comércio exterior do Chile ser realizado por esta via.
Embora a rota
do Pacífico não seja nova, ela tem adquirido maior visibilidade devido ao
impacto que a exportação de cocaína do Chile tem produzido, principalmente para
os mercados europeu e australiano. Tradicionalmente, 90,7% da cocaína do Peru e
da Bolívia entraram no Chile por via terrestre no norte do país. Durante 2020,
a cocaína continuou a entrar, por meio de 200 etapas ilegais, mas também a
cocaína peruana começou a entrar por mar. As apreensões feitas pela Polícia
Marítima indicam que uma das rotas utilizadas é Tacna-Iquique, local onde foi
realizada a apreensão de mais de meia tonelada de cocaína em novembro. E
Tacna-Arica, cidade onde funcionava uma organização criminosa que havia criado
uma empresa de turismo como fachada para o transporte de cocaína para o centro
do país.
Por outro lado,
a tendência é que a maconha destinada ao consumo doméstico venha do Paraguai,
geralmente via Argentina ou Bolívia. Essa situação mudou drasticamente,
reduzindo-a em 900%, em face da irrupção da maconha da Colômbia, via Equador,
um importante país de trânsito no Pacífico Sul.
Isso representa
uma nova dinâmica portuária entre os países do Pacífico Sudoeste, que começa
nos portos de Buenaventura, na Colômbia, passa pelo Equador e Peru para entrar
no Chile por portos de carga como San Antonio e Valparaíso, entre outros
ilegais. As embarcações que atracam nesses portos podem estar infiltradas na
zona primária ou em alto mar, de acordo com o El Pais Digital.
As gangues e
organizações criminosas que operam no Chile caracterizam-se por seus laços
familiares e pelo microtráfico empresarial. No entanto, a pandemia evidenciou,
por um lado, a impunidade que os protege e, por outro, a presença de
organizações criminosas colombianas e mexicanas em território chileno.
A busca de
novas rotas de comércio na América Latina torna o Chile um país altamente
atrativo para o narcotráfico, pois possui uma infraestrutura portuária
permeável e um importante mercado para o consumo de cocaína e maconha. O Cartel
Jalisco Nueva Generación (CJNG), em Português Cartel da Nova Geração de
Jalisco, descrito pelo governo mexicano como o mais perigoso e violento, parece
ter compreendido o papel geoestratégico do Chile no sudoeste do Pacífico e
começou a usar essa rota para traficar maconha por portos chilenos. A apreensão
de 3,5 toneladas de maconha, no período mais crítico da pandemia, do porto
mexicano de Manzanillo, local de operação do CJNG, indica que o tráfico nesta
rota poderia ter se desenvolvido anteriormente, sob a proteção da impunidade e
da corrupção.
Em suma, a
pandemia covid-19 não impediu o avanço do narcotráfico no Chile pela rota do
Pacífico. As organizações criminosas modificaram sua forma de operar,
aproveitando as janelas de oportunidade que foram geradas, administrando novas
dinâmicas.
Texto extraído
originalmente do El País Digital com o título ‘Chile e o tráfico de drogas pela rota do Pacífico‘ e
adaptado.
Por Thaís Garcia
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