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| Desembargadoras do Tribunal de Justiça da Bahia foram presas. Foto: Silvana Freire/CNN |
As informações
estão na decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Og Fernandes, que
determinou a prisão temporária das desembargadoras Lígia Maria Ramos e Ilona
Márcia Reis, ou seja, inicialmente de 5 dias.
De acordo com a
decisão, a investigação aponta que, em fevereiro deste ano, uma assessora de
Lígia Maria recebeu a visita da desembargadora, em casa, porque ela estaria
preocupada com o acordo de delação premiada do advogado Júlio César Cavalcanti,
um dos investigados. A colaboração trouxe detalhes que a operação até então não
sabia, o que foi separado em 25 anexos. Júlio contou, por exemplo, que, somente
ele, negociou 30 decisões judiciais. Isso sem contar os interesses de outros
advogados.
Ao visitar a
funcionária, Lígia queria se certificar de que conseguiria apagar a lista de
processos para os quais havia pedido prioridade por se tratar de interesse do
grupo criminoso. A desembargadora pediu que a assessora apagasse as informações
e depois enviasse uma mensagem cifrada dizendo "já fui ao mercado",
para confirmar. Atendendo à determinação, a assessora prosseguiu com uma
mensagem que dizia "já fui ao mercado. Vou me arrumar e vou ao trabalho,
dra. Comprei tudo!". A investigação também descobriu que Lígia chegou a
votar ao contrário do pedido apresentado pelos interessados para disfarçar sua
participação no esquema.
Ilona Márcia,
por sua vez, passou a se afastar dos processos que abasteciam a propina porque
teria ficado preocupada com os avanços da investigação. Ela teria deixado de
receber a segunda parte de um dos acordos, no valor de R$ 500 mil reais, para
evitar deixar pistas. Antes, de acordo com a investigação, a desembargadora
garantiu a primeira parcela de R$ 200 mil, pagamento que se deu no
estacionamento do Salvador Shopping.
Outros
alvos
A justiça também autorizou a prisão preventiva, portanto sem tempo para acabar,
de um homem identificado como Ronilson Pires de Carvalho. Ele está foragido,
mas a investigação descobriu que movimentou R$ 11 milhões em suas contas, entre
setembro de 2018 e 2019.
Assim como as
desembargadoras, o secretário de segurança pública da Bahia, Maurício Barbosa,
também investigado, foi afastado do cargo. De acordo com a investigação, ele
teria simulado operações policiais. A Procuradoria requereu a prisão dele, mas
a justiça não concedeu. Maurício Barbosa é homem de confiança do governo Rui
Costa.
Entre os alvos
de busca e apreensão, aparece ainda a ex-cantora da Timbalada, Amanda Santiago,
filha da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, que foi presa na
fase anterior da operação, em novembro.
A CNN tentou
contato com as pessoas investigadas e ainda não obteve retorno. Em nota, o
TJ-BA informou que foi surpreendido com a ação.
Por Basília
Rodrigues, CNN

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