
Ministro Ricardo Lewandowski no Supremo Tribunal Federal.
Brasília, 18 de fevereiro de 2020.Foto: Rosinei Coutinho/STF
O ministro
Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), deve defender uma
obrigação indireta para a vacinação contra a Covid-19 no Brasil. O magistrado é
relator de duas ações que pedem que o tribunal fixe normas pela obrigatoriedade
da imunização no país.
A CNN apurou
que Lewandowski pretende apresentar o entendimento de que não só a União, mas
também os Estados e municípios podem criar regras que incluam a vacinação
contra o coronavírus como critério para que a população possa ter acesso a determinados
serviços.
Hoje, por
exemplo, vacinar é um dever previsto no ECA (Estatuto da Criança e do
Adolescente) e os responsáveis que não imunizarem seus filhos estão sujeitos a
sanções.
Lewandowski é
relator dessas duas ações que devem ser debatidas pelo plenário do Supremo na
próxima quarta-feira (16). Apresentadas pelos PDT e PTB, elas questionam
dispositivos da lei aprovada em fevereiro que prevê medidas de combate ao
coronavírus.
O PDT pede que
o STF estabeleça a interpretação de que estados e municípios podem determinar a
vacinação obrigatória contra a covid-19. Já a ação do PTB defende que a
possibilidade de imunização compulsória, prevista na lei, seja declarada
inconstitucional.
Os dois
partidos ingressaram com as ações no Supremo, após a lei 13.979/20, sancionada
pelo presidente Jair Bolsonaro, prever a possibilidade de as autoridades
públicas obrigarem a população a ser vacinada.
Na defesa da
vacinação compulsória, o PDT argumenta que o direito à saúde instiga o
Estado ao cumprimento das demandas que possam propiciar aos cidadãos uma vida
sem nenhum comprometimento que afete seu equilíbrio físico ou mental.
De acordo com o
partido, a preservação desse direito fundamental, especialmente em um momento
de pandemia, que exige atitudes mais proativas dos órgãos de governo, não é
exclusiva da União, competindo também aos estados e aos municípios.
Já o PTB, que é
contra a determinação de vacinação obrigatória, afirma que as
vacinas contra a Covid-19 estão sendo produzidas com celeridade e, em muitos
casos,
sem transparência, o que impossibilitaria que sua eficácia e sua segurança
sejam
efetivamente comprovadas.
Segundo o PTB,
num cenário de insegurança que pode colocar não só a saúde, mas a própria vida
em risco, é fundamental que a vacinação seja facultativa, e não compulsória.
Além do debate
sobre a vacinação contra a Covid-19, também está previsto para quarta o
julgamento de uma ação mais ampla, sob a relatoria do ministro Luís Roberto
Barroso. Ela discute se pais podem deixar de vacinar seus filhos por convicções
filosóficas, religiosas, morais e existenciais.
Por Thais
Arbex, CNN
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