
Bombeiros passaram toda a noite e madrugada no trabalho
de rescaldoAline Cavalcante / Agência O Dia
Fumaça ainda é
vista no local; PF instaurou inquérito para apurar causas
Rio - Quase 24
horas após o incêndio que atingiu o Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona
Norte do Rio, os bombeiros ainda atuam no trabalho de rescaldo na manhã desta
quarta-feira. A fumaça do local ainda pode ser vista por moradores de vários
bairros.
Segundo
dirigente sindical, mangueiras e hidrantes da unidade não funcionavam. reginaldo
pimenta
No pátio do
hospital, foram montadas tendas para facilitar o trabalho das equipes. O fogo
começou no subsolo da unidade de saúde, onde está localizado o almoxarifado, na
manhã desta terça-feira. A causa do incêndio ainda é desconhecida. A Polícia
Federal instaurou um inquérito para apurar as causas.
Três
pacientes que estavam internados em estado gravíssimo não resistiram.
No fim da noite desta terça-feira, morreu a terceira vítima do incêndio que atingiu
o Hospital Federal de Bonsucesso. A informação foi confirmada pelo Ministério
da Saúde. A vítima era um homem de 39 anos, mas ainda não há informações sobre
as circunstâncias de sua morte.
Também faleceu
uma senhora de 83 anos, ainda não identificada, que estava internada com
covid-19 e em estado grave no CTI coronariano. Mais cedo, Núbia da Silva
Rodrigues, 42 anos, também paciente da doença, morreu durante o processo de
transferência para outro hospital. O estado dela era gravíssimo.
A
assessoria do Hospital Federal de Bonsucesso informou, na noite desta
terça-feira, que todo o prédio será evacuado e os pacientes serão
transferidos para outras unidades do estado do Rio, de acordo com a
disponibilidade que será apontada pela Central de Regulação do Município. Ao
todo, 289 pacientes estavam internados na unidade, 11 pacientes
ainda aguardam transferência para outras unidades de saúde, outros 179
pacientes já foram remanejados e 37 receberam alta.
Segundo a
assessoria, a recomendação para a transferência de todos os pacientes partiu do
Corpo de Bombeiros, por conta do volume de fumaça, cheiro forte e da combustão
ainda não controlada. Outra questão, é que o subsolo, onde o incêndio começou,
é interligado aos outros seis prédios, podendo apresentar riscos aos pacientes.
Para
especialista, incêndios de Bonsucesso e Badim têm similaridades
Em agosto de
2019, o incêndio de grandes proporções no Hospital Badim, na Tijuca, trouxe
profunda dor e aflição para familiares e pacientes, deixando 23 mortos. Mais de
um ano depois, a comoção em escala nacional retorna com o incêndio no Hospital
Federal de Bonsucesso, referência para o tratamento da covid-19, que deixou
dois mortos, segundo a última atualização. As tragédias, separadas pelo tempo,
possuem muitas similaridades, segundo especialista em prevenção e combate a
incêndios.
Wesley Pinheiro conta que os dois incêndios começaram no subsolo onde, em
estruturas prediais mais antigas, estão localizados geradores de energia e
almoxarifados, uma combinação muito volátil quando não há a devida proteção.
Apesar do alarme referente às chamas, o treinador de brigadas de incêndio
alerta para o principal perigo: a fumaça.
"Quando a fumaça sai da cobertura de um prédio, o calor não atinge os
andares inferiores, mas, de baixo para cima, tem tudo para dar errado porque
ela sobe com velocidade, elimina a fissão, causa queimaduras. Pelas
estatísticas NSTA, órgão dos Estados Unidos, 80% da causa de morte de pessoas
em incêndios é a fumaça", destaca.
Somando-se ao
alarde da fumaça, o Hospital de Bonsucesso ainda não tem o documento de
vistoria do Corpo de Bombeiros, e para Wesley, isso significa um sinal de
portas interditadas. "Primeiro, tem que ser emitido o certificado de
aprovação, o CA. Uma edificação sem isso não era para estar funcionando, não
tem fiscalização", afirma. Ainda segundo ele, a corporação poderia ter
sido mais incisiva no pedido de fechamento do hospital.
POR O DIA
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