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| Afastamento de Witzel foi aprovado por 14 votos a 1 no STJ. Pilar Olivares/Reuters - 28.08.2020 |
Procurador-geral
da República avalia que o governador não apresentou elementos suficientes que
indicassem que seu afastamento causaria danos
O
procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou ser inviável suspender os
efeitos da decisão monocrática do ministro Benedito Gonçalves, do Superior
Tribunal de Justiça, que afastou
o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) por 180 dias. A
liminar foi validada pela Corte Especial do STJ nesta quarta-feira (2), por 14
votos a 1.
O parecer de
Aras foi enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em recurso
apresentado por Witzel para suspender a decisão. Na quarta, o
presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, negou o pedido do governador para
adiar o julgamento no STJ até a análise da ação.
Segundo o PGR,
Witzel não apresentou elementos suficientes que indicassem que a liminar
potencialmente causaria danos à ordem, segurança, saúde ou economias públicas.
"Ao
contrário, os elementos e informações constantes nos autos indicam que o risco
de grave dano à ordem é inverso, e estaria caracterizado pela manutenção do
requerente em seu cargo durante a instrução probatória da demanda
originária", afirmou Aras.
O
procurador-geral disse que também é inviável suspender os efeitos da decisão,
visto que ela já foi referendada pela Corte Especial do STJ. Aras sustentou que
o afastamento do governador é ‘medida que se mostra imprescindível para
garantir a higidez da investigação judicial subjacente’.
Witzel é
acusado de integrar esquema de propinas pagas por organizações sociais da área
da saúde a agentes públicos do Rio. As vantagens indevidas seriam lavadas no
escritório de advocacia da primeira-dama, Helena.
Segundo os
investigadores do MPF, cargos e contratos teriam sido loteados entre três
grupos distintos, liderados pelo empresário Mário Peixoto, preso pela Lava
Jato, pelo presidente do PSC Pastor Everaldo, preso temporariamente na última
sexta, e pelo empresário José Carlos de Melo.
O julgamento da
Corte Especial do STJ e o placar que levou à manutenção do afastamento de
Witzel indicam a tendência do tribunal em colocar o governador no banco dos
réus por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A avaliação é de ministros e
aliados de Witzel ouvidos reservadamente pela reportagem.
Segundo eles,
até o final do ano o STJ deve aceitar a denúncia apresentada pela PGR e
afastá-lo de vez do cargo - isso se o processo de impeachment na Assembleia
Legislativa do Rio não for concluído até lá.
Advogados do
governador afastado devem acionar o ministro Dias Toffoli para tentar
reconduzi-lo ao cargo, mas uma reviravolta no caso é considerada improvável.
As
investigações da PGR miravam Witzel desde maio, quando foi deflagrada a Operação
Placebo. As diligências vasculharam o Palácio Laranjeiras - residência do
governador - e o Palácio Guanabara. A delação do ex-secretário de saúde, Edmar
Santos, aprofundou as apurações e as levaram diretamente ao ex-juiz.
A
subprocuradora-geral Lindôra Araújo apontou que o esquema criminoso de
contratação de organizações sociais da Saúde pretendia angariar quase R$ 400
milhões em propinas durante todo o mandato de Witzel. A estimativa leva em
consideração suposto objetivo do grupo em cobrar propina de 5% de todos os
contratos para gestão de unidades de Saúde.
Nas redes
sociais, após ser afastado do cargo, Witzel afirmou que ‘compreende a conduta
dos magistrados’ no julgamento e disse que ‘jamais’ cometeu atos ilícitos.
"Respeito
a decisão do Superior Tribunal de Justiça. Compreendo a conduta dos magistrados
diante da gravidade dos fatos apresentados. Mas, reafirmo que jamais cometi
atos ilícitos", publicou Witzel em sua conta no Twitter. "Continuarei
trabalhando na minha defesa para demonstrar a verdade e tenho plena confiança
em um julgamento justo".
Por Agência
Estado

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