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A embarcação
foi impedida de ancorar, em pelo menos dois portos,
devido aos
temores com a doença Roteiro incerto. BBC NEWS BRASIL
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Depois que
vários países fecharam suas fronteiras como prevenção contra o novo
coronavírus, um cruzeiro que saiu em 28 de fevereiro de Sidney, na Austrália,
com destino a Pabeete, na Polinésia Francesa, foi impedido de ancorar devido
aos temores com a doença
A incerteza
crescente para se viajar, depois que uma série de países decidiu bloquear suas
fronteiras como prevenção contra o novo coronavírus, preocupa especialmente um
grupo de passageiros que está em um cruzeiro que saiu dia 28 de fevereiro de
Sidney, na Austrália, com destino a Pabeete, na Polinésia Francesa, mas foi
impedido de ancorar, em pelo menos dois portos, devido aos temores com a
doença.
A situação
levou o cruzeiro Norwegian Jewel a mudar seu rumo, gerando angústia entre os
passageiros que ainda não sabem se vão conseguir voo para voltar para casa
quando o navio finalmente rceber permissão para ancorar, como contou pelo
telefone à BBC News Brasil o empresário baiano Jorge Fontes, que viaja com a
mulher, e também empresária, Sonia González.
O tour de 23
dias no cruzeiro com capacidade para dois mil passageiros, já saiu do primeiro
porto com mudança no itinerário original, como informou a companhia aos
passageiros.
O roteiro
original, comentaram, foi feito e vendido quando ainda não existia a
preocupação com o novo vírus.
A assessoria da
Norwegian confirmou a BBC News Brasil que após tentar sem sucesso ancorar nos
portos de Auckland, na Nova Zelândia, e de Fiji, no Pacífico Sul, o cruzeiro
foi obrigado a mudar seu roteiro novamente.
Num comunicado,
a empresa informou que o itinerário de 23 dias do Norwegian Jewel da Austrália
à Polinésia Francesa foi modificado para desembarcar em Auckland, Nova
Zelândia, em 20 de março de 2020. E acrescentou: "Devido a vários
fechamentos de portos na área, outras modificações foram feitas e o navio deve
desembarcar em Honolulu em 22 de março de 2020".
Entre a compra
da viagem, a saída do barco e esta semana, foram pelo menos quatro mudanças de
rumo, segundo Fontes.
O barco partiu
nesta terça-feira, às 8h40 da manhã, hora local (16h40 em Brasília), de Pago
Pago, na Samoa Americana, em direção a Honolulu, no Havaí, nos Estados Unidos,
parada que não estava no roteiro.
"Para mim,
o cruzeiro perdeu a graça. Não quero saber de piscina, academia de ginástica,
shows, nada disso. Só quero voltar para casa", disse Fontes à BBC News
Brasil, pelo telefone.
Ele disse que
além da "angústia" de não saber se o cruzeiro vai conseguir ancorar,
há também a dúvida sobre se conseguirá passagem de avião de volta para o
Brasil, diante do bloqueio das fronteiras.
A previsão,
segundo informou a companhia aos passageiros, como disse Fontes, é de cinco
dias de navegação até Honolulu. "Primeiro, eles disseram que comprássemos
passagem para nossos países a partir de Honolulu. Agora, disseram que é melhor
esperar chegar lá, para ter certeza de que poderemos desembarcar", disse.
Além de tentar
sem sucesso ancorar, como destino final, na Nova Zelândia, o cruzeiro não
conseguiu parar em Fiji e depois na Austrália.
"Eles nos
comunicaram pelo alto falante sobre esse quadro. Nós estamos numa situação
difícil. Alguns passageiros brasileiros falaram que não têm visto dos Estados
Unidos para desembarcar em Honolulu. Aqui no cruzeiro estão nos tratando muito
bem, mas estamos em uma incerteza grande porque não sabemos se vamos ancorar e
se vamos conseguir voo para voltar para o Brasil. Esperamos que o Itamaraty nos
ajude", disse Fontes.
Procurado pela
reportagem, o Itamaraty disse que os Consulados e Embaixadas do Brasil
"acompanham de perto a situação gerada por eventuais fechamentos de
fronteiras por conta da pandemia de coronavírus, com especial atenção à
situação dos turistas brasileiros" e que as representações brasileiras
"permanecem à disposição para receber demandas dos brasileiros geradas por
essa situação, sempre buscando prestar toda a assistência consular possível em
cada caso concreto".
Ansiedade
Jorge Fontes
relatou que muitos passageiros estão ansiosos. "Teve gente que já desmaiou
e me contaram que um passageiro chegou a esmurrar a janela. Não tenho nada a
reclamar do navio - tem alimentação, lavam corredores, é até exagerado, mas
minha preocupação é que falaram várias coisas que não foram
concretizadas".
Apesar de ter
experiência de viajar em cruzeiros, como afirmou, ele e a mulher têm ainda um
problema adicional, disse, porque tomam remédios controlados. "Eu tomo
remédios para o coração e minha mulher, para arritmia. Nosso medo é que esta
situação ainda dure muitos dias", disse.
O passageiro
contou que o clima é de preocupação dentro do barco. "Aqui tem uma
enfermaria, para qualquer emergência, e não há nenhum caso de coronavírus no
cruzeiro. Não entendemos porque nos rejeitam nos portos onde se tentou
ancorar", disse.
Até Honolulu
serão mais cinco dias de navegação, com previsão de chegada no dia 22.
"Antes de chegarmos a Fiji nos disseram que os que quisessem comprar
passagem dali para seus destinos, de volta para casa, poderiam fazê-lo. Mas
quando chegou em Fiji ficamos no barco, não nos autorizaram a
desembarcar", disse.
Jorge Fontes e
Sonia González saíram num voo de Barcelona, na Espanha, para Doha, de lá para
Bangcoc e depois Sydney, onde embarcaram no cruzeiro.
A ideia deles
era terminar o cruzeiro no ponto final original, Pabeete, passar dois dias ali
e embarcar de volta para Salvador, onde moram. "Mas agora vamos chegar, em
princípio, no dia 22 de março, não mais no dia 20, e em Honolulu, que não estava
nos nossos planos. Ou seja, perdemos o hotel e a passagem de volta para casa.
Mas o que nos preocupa é se em Honolulu vão nos deixar entrar e dali pegar um
voo ou não para o Brasil. Com as fronteiras fechadas, tudo parece mais
complicado", disse.
Na busca de um
lugar para aportar, disse, o cruzeiro chegou a passar mais de uma vez pela
mesma rota internacional do oceano Pacífico. Com o fuso horário, disse,
"ficamos dois dias no dia 12 de março, sem ter o dia 13", contou. E
destinos sonhados como Bora Bora, no noroeste do Taiti, foram eliminados do
roteiro original por conta do coronavírus.
No comunicado à
imprensa, a empresa disse que "devido às modificações imprevistas
realizadas durante a navegação" dará um crédito para que os passageiros
adquiram futuros cruzeiros neste ano e que está reorganizando os voos daqueles
que compraram as passagens de avião com a companhia.
Nesta
terça-feira, passageiros de um cruzeiro que vinha do Brasil e foi impedido de
fazer escala no Uruguai passaram horas ancorados no Puerto Madero, em Buenos
Aires, na Argentina.
Os quase três
mil passageiros, segundo informação do Ministério da Saúde, só foram liberados
após a confirmação de que nenhum deles tinha o novo vírus. O Brasil passou a
ser considerado, na Argentina, país de risco para o Covid-19, assim como o
Chile, a China, os Estados Unidos e a Europa.
Na prática, de
acordo como Ministério do Interior, os que chegam do Brasil devem fazer a
quarentena de 14 dias para evitar a propagação do vírus. Como outros países, a
Argentina também fechou suas fronteiras na tentativa de evitar a expansão da
doença.
Por BBC NEWS BRASIL

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