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| Foto Agência Brasil |
A Câmara dos
Deputados aprovou, em votação simbólica e com plenário esvaziado, o decreto de
declaração de estado de calamidade pública por causa da pandemia do novo
coronavírus (COVID-19). A aprovação ocorreu na noite desta quarta-feira (18),
um dia depois de o governo federal anunciar o envio do pedido ao Congresso.
A proposta agora segue para o Senado.
O decreto de
calamidade pública permite que o executivo gaste mais do que o previsto e
desobedeça as metas fiscais para custear ações de combate ao novo coronavírus.
A proposta
estabelece a criação de uma comissão mista de seis deputados e seis senadores
para acompanhar os gastos e as medidas adotadas para enfrentar a crise. O grupo
deve se reunir mensalmente com o Ministério da Economia, que também fica
obrigado a publicar a execução orçamentária das ações contra o COVID-19.
O governo quer
que a medida tenha efeito até o dia 31 de dezembro de 2020, e justificou o
pedido com a "necessidade de elevação dos gastos públicos para proteger a saúde
e os empregos dos brasileiros" e a "perspectiva de queda de
arrecadação".
Na prática, se
o Congresso reconhecer o estado de calamidade pública no país, o governo fica
dispensado de atingir a meta de resultado fiscal prevista no Orçamento de 2020
— déficit de R$ 124,1 bilhões.
Medida
administrativa
O estado de
calamidade também permite ao governo fazer transferências sem contrapartida,
como o pagamento de benefícios a afetados ou a concessão de subsídios e
renúncias de impostos.
Ontem (17),
especialistas em direito ouvidos pela CNN explicaram que o
estado de calamidade pública permite ao governo expandir os gastos públicos sem correr os riscos
previstos nas leis orçamentárias.
"É uma
medida orçamentária e administrativa, que não interfere em liberdades
individuais. Estado de calamidade é um status em que o governo tem uma série de
facilidades para gastos e contratações. Vai poder gastar mais do que o normal,
afrouxando os limites previstos em lei", afirmou o advogado Daniel Falcão,
professor de Direito Constitucional do Instituto de Direito Público (IDP).
"Não é
cheque em branco"
Relator do
decreto de calamidade pública, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP)
incluiu em seu parecer a criação de um grupo de parlamentares que vai
monitorar o orçamento do governo nos próximos meses. Silva também
obrigou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a participar de audiências
públicas bimestrais para detalhar os gastos adotados.
"O
presidente não receberá um cheque em branco, mas um cheque especial. Será
criada uma comissão mista com seis deputados e seis senadores, que terão
reuniões mensais para avaliar as medidas adotas no âmbito do decreto",
disse Silva.
Noeli
Menezes Da CNN Brasil, em Brasília

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