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| Advogado suspeito de aplicar golpe contra plano de saúde não foi localizado em casa de luxo no Recreio dos Bandeirantes. Foto: Reprodução / TV Globo |
Entre 2012 e
2019, suspeitos movimentaram R$ 400 milhões em suas contas bancárias. Um dos
suspeitos se apresentava como próximo do ex-ministro Geddel Vieira Lima.
Por Felipe
Freire, Lívia Torres e Marco Antônio Martins, G1 Rio e Bom Dia Rio
Polícia e MP
realizam operação para prender grupo de advogados acusados de aplicar golpes
Quatro
advogados foram presos, na manhã de segunda-feira (10), durante uma operação
para desarticular uma quadrilha suspeita de aplicar um golpe milionário contra
uma empresa de plano de saúde.
A ação é
comandada por agentes da Delegacia de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, e
promotores do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco),
do Ministério Público do Rio de Janeiro. Os mandados são cumpridos na capital
fluminense e também no Distrito Federal e nos estados da Bahia e de Minas
Gerais.
Até as 6h45, já
tinham sido presos os advogados Edilson Figueiredo de Souza, em Brasília, Darcy
José Royer, em Uberlândia, Minas Gerais, e Daniel Angelo de Paula, em Salvador,
na Bahia. Márcio Duarte de Miranda já está preso desde novembro por um esquema
de venda de sentença no Tribunal de Justiça da Bahia, na chamada operação
Faroeste.
Nos endereços
onde os suspeitos foram presos a polícia encontrou muitas jóias e artigos de
luxo. Entre 2012 e 2019 eles movimentaram R$ 400 milhões em suas contas bancárias.
No Rio de
Janeiro, os agentes fizeram busca na casa de Edilson de Souza, localizada em um
condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, mas ele não foi encontrado. O
suspeito foi encontrado por policiais em Brasília.
Em Salvador, a
polícia prendeu o advogado Daniel Ângelo de Paula, de 42 anos. Depoimentos
prestados por diretores da Unimed de Petrópolis no inquérito revelaram que ele
se apresentava como próximo do ex-ministro Geddel Vieira Lima, titular da
Secretaria de Governo de Michel Temer.
Quebras de
sigilo bancário e fiscal na investigação confirmaram a ligação entre Daniel e
Geddel. A defesa do ex-ministro foi procurada, mas ainda não foi localizada
para comentar as suspeitas.
Os presos são
suspeitos de estelionato, falsificação de documentos, organização criminosa e
lavagem de dinheiro.
A Justiça
concedeu o bloqueio de bens e sequestro dos valores nas contas bancárias dos
suspeitos.
Os agentes
também tentam cumprir mandados contra outro advogado. De acordo com as
investigações, um dos golpes praticados pelo grupo causou um prejuízo de R$
17,6 milhões à Unimed de Petrópolis.
O golpe
consistia em vender para empresas créditos da Receita Federal, que na verdade,
não existiam. Os dados falsos eram inseridos no sistema e enganavam
empresários.
As
investigações apontam que as irregularidades foram praticadas entre setembro de
2012 e abril de 2017.
No caso do
prejuízo à Unimed, os advogados primeiro fingiram vender um para o outro a
cessão do crédito, depois ofereceram os documentos para a cooperativa.
Como
funciona o esquema
- Criam-se processos administrativos fictícios,
alterando sistema computacional de órgão federal, gerando números de
protocolos;
- São lavradas escrituras públicas falsas contendo
números de protocolos e processos administrativos fictícios e ajuízam-se
demandas almejando chancela judicial para concretizar o suposto crédito
inexistente,
- De posse das cópias de processos administrativos e
judiciais criados propositalmente para este fim, o grupo confere aparência
de legalidade aos documentos, até porque há correspondência dos números
nos sítios oficiais;
- Vendem os falsos créditos, normalmente para grandes
empresas que visam se beneficiar de uma compensação tributária.

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