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©
Getty Images Wuhan, epicentro do surto de
coronavírus,
está isolada desde 23 de janeiro
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Wenjun Wang é
moradora da cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto do novo coronavírus.
Wang, uma dona
de casa de 33 anos, e a família estão confinados desde que a cidade foi
colocada em isolamento em 23 de janeiro.
Desde então, o
vírus infectou mais de 24,3 mil pessoas na China e provocou pelo menos 490
mortes.
Foram
registrados ainda 175 casos em outros 25 países.
Wang
compartilhou com a BBC a luta desoladora da família pela sobrevivência.
"Desde que
o surto de coronavírus começou, meu tio já faleceu, meu pai está gravemente
doente, e minha mãe e minha tia começaram a apresentar alguns sintomas.
Uma tomografia
mostrou que os pulmões delas estão infectados. Meu irmão também está tossindo e
com problemas respiratórios.
Meu pai está
com febre alta. A temperatura dele ontem chegou a 39,3°C, e ele está sempre
tossindo e com dificuldade para respirar. Nós conseguimos uma máquina de
oxigênio para usar em casa, e ele conta com ela 24 horas por dia.
Ele está
tomando medicamentos chineses e ocidentais no momento. E não pode ser internado
porque o caso dele não foi confirmado devido à falta de kits de teste.
Minha mãe e
minha tia vão ao hospital todos os dias na esperança de conseguir um leito para
o meu pai, apesar da própria condição de saúde delas. Mas nenhum hospital vai
aceitá-los.
'Ninguém está
nos ajudando'
Em Wuhan, há
muitos postos de quarentena para acomodar pacientes que apresentam sintomas
leves ou ainda estão no período de incubação.
As instalações
são simples e bem básicas. Mas para pessoas gravemente doentes como meu pai,
não há leitos adequados.
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© Getty
Images A OMS declarou o surto de coronavírus
uma emergência de saúde global
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Meu tio morreu,
na verdade, em um dos postos de quarentena, porque não havia estrutura médica
para pacientes com sintomas graves. Eu realmente espero que meu pai possa
receber um tratamento adequado, mas ninguém está em contato conosco ou nos
ajudando no momento.
Entrei em
contato com agentes comunitários várias vezes, mas a resposta que recebi foi:
'não há chance de conseguirmos um leito no hospital'.
No começo,
achamos que o posto de quarentena para onde meu pai e meu tio foram era um
hospital, mas descobrimos que era um hotel.
Não havia
enfermeira ou médico, tampouco aquecimento. Eles foram à tarde, e os
funcionários serviram um jantar frio naquela noite. Meu tio estava muito
doente, com sintomas respiratórios graves, e começou a perder a consciência.
Nenhum médico
foi atendê-lo. Ele e meu pai ficaram em quartos separados, e quando meu pai se
levantou para vê-lo, às 6h30 da manhã, ele já havia falecido.
'Preferimos
morrer em casa'
Os novos
hospitais que estão sendo construídos são para pacientes que estão internados
em outros hospitais no momento. Eles serão transferidos para as novas unidades.
Mas pessoas
como nós não conseguem sequer um leito agora, muito menos nos novos hospitais.
Se seguirmos as
orientações do governo, o único lugar para onde podemos ir agora é para esses
pontos de quarentena. Mas, se formos, o que aconteceu com meu tio aconteceria
com meu pai.
Então,
preferimos morrer em casa.
'A população
infectada é enorme'
Há muitas
famílias como nós por aqui, todas enfrentando as mesmas dificuldades.
O pai de um
amigo meu foi rejeitado pelas equipes dos postos de quarentena porque estava
com febre alta.
Os recursos são
limitados, mas a população infectada é enorme. Estamos com medo, não sabemos o
que vai acontecer em seguida.
A mensagem de
Wang para o mundo
O que quero
dizer é que, se soubesse que eles fechariam a cidade em 23 de janeiro, eu sem
dúvida teria levado toda a minha família embora, porque não há assistência
aqui.
Se estivéssemos
em outro lugar, poderia haver esperança. Não sei se pessoas como nós, que
ouviram o governo e ficaram em Wuhan, tomaram a decisão certa ou não.
Mas acho que a
morte do meu tio responde a essa pergunta."
BBC News


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