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| Carta da Caixa Econômica informa que repasse de empréstimo consignado não foi feito Foto: Arquivo Pessoal |
Governo
municipal não teria feito repasse de pagamento de empréstimos consignados à
Caixa Econômica. Prefeitura nega acusação. Especialista vê crime de apropriação
indébita, se as acusações forem confirmadas.
Servidores
públicos da Educação de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, afirmaram
ao G1 que estão com o
nome negativado por culpa da prefeitura. Eles disseram que o governo municipal
não repassou pagamentos de parcelas de empréstimos consignados adquiridos.
De acordo com
os servidores, os empréstimos consignados – que são descontados através da
folha de pagamento – já tinham sido solicitados por causa dos constantes
atrasos de salário. Ainda segundo os funcionários públicos, a prefeitura, por
sua vez, recolhe as parcelas no contracheque, mas não repassa à Caixa Econômica
Federal.
Raquel Monteiro
da Costa, de 39 anos, tentou fazer um refinanciamento de sua dívida com o
banco, mas teve o pedido negado. Ela disse que começou a receber cartas da
Caixa avisando do não repasse do pagamento das parcelas e descobriu que estava
com o nome negativado.
“Eu fiz o
refinanciamento de um empréstimo por causa dos atrasos salariais. Já tem tempo
que a gente escuta que a prefeitura não estava fazendo os repasses. Há alguns
meses eu recebi cartas e mensagens no celular sobre isso. Foi quando eu resolvi
refinanciar e vi que não dava mais porque a Caixa não estava fazendo empréstimo
e refinanciamento para os servidores de Caxias”, disse a funcionária pública.
“Eu venho
recebendo carta desde agosto da Caixa falando que não estava acontecendo o
repasse. Eu me sinto lesada e indignada. O atraso salarial não se justifica num
município como Duque de Caxias. Se há problemas de arrecadação, a gente quer
pelo menos que a prefeitura faça o repasse para o nosso nome não ficar sujo”,
contou Raquel, que está sem receber o 13º salário e o pagamento de dezembro de
2019.
A situação não
é exclusiva de Raquel e se estende a outros funcionários da prefeitura. Segundo
ela, algumas pessoas estão passando necessidade por causa dos atrasos
salariais. A opção de adquirir um empréstimo não é a ideal, mas é uma
alternativa para quem está em situação de calamidade.
“Os servidores
se sentem humilhados. As pessoas estão adoecendo, temos muitas pessoas com
necessidades sérias. Temos até casos de suicídio. É impossível passar por essa
situação e manter a saúde intacto”.
A professora
Marilene Silveira afirmou ao G1 que muitos funcionários não conseguem pegar
novos empréstimos porque estão com o nome negativado. Segundo ela, os débitos
com os bancos se devem pelo não repasse do pagamento por parte da prefeitura.
“As pessoas que
possuem empréstimo consignado na Caixa estão vendo ser descontado no
contracheque como se eles tivessem recolhendo para pagar a Caixa. Mas, eles não
repassam e o servidor recebem cartas do SPC [Serviço de Proteção ao Crédito] e
não conseguem pegar outro empréstimo”, disse Marilene.
O servidor
público Pedro Quadros, de 57 anos, afirmou que teve que pegar um empréstimo
após acumular dívidas por causa dos atrasos de salário. Segundo ele, há pelo
menos um ano está recebendo cartas da Caixa Econômica afirmando que as parcelas
não estão sendo pagas.
”Eu recebo
notificação há pelo menos 1 anos dizendo que eu estou com as parcelas
atrasadas. O consignado é feito através da prefeitura, pela folha salarial.
Como a prefeitura não passa, a Caixa deveria notificar a prefeitura, mas
notifica a gente e fico passando por esse constrangimento. Nunca ocorreu tanto
atraso quanto esse governo. A gente recebe com mais de um mês de atraso”.
Especialista
vê possibilidade de crime
O especialista
em direito administrativo Manoel Peixinho afirmou que, se confirmadas as
acusações, o caso configura crime de “apropriação indébita” pela prefeitura de
Duque de Caxias. De acordo com ele, os servidores podem entrar na Justiça com
pedido de danos materiais e morais.
“O fato se
configura como apropriação indébita e é crime previsto no artigo 168 do Código
Penal. Também é improbidade administrativa porque viola os princípios da
honestidade, legalidade, lealdade às instituições, dentre outros. Os servidores
podem individualmente ou por suas associações ingressar com ações pedindo danos
materiais e morais em razão da negativação dos seus nomes”, afirmou Peixinho.
Prefeitura
nega acusação
A Secretaria
Municipal de Fazenda e Planejamento afirmou que as informações não procedem. A
Prefeitura garante que realiza mensalmente o pagamento dos empréstimos
consignados à Caixa Econômica Federal.
O Ministério
Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que não possui atribuição
para investigar notícias de insuficiência de vencimentos e de vantagens
pecuniárias de servidores públicos, por se tratarem de direitos individuais
homogêneos disponíveis. Apesar disso, a Promotoria de Justiça com atribuição em
matéria educacional acompanha a execução orçamentária das verbas da educação no
município de Duque de Caxias.
Por Matheus Rodrigues, G1 Rio

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