10/23/2019

Manoel Corrêa: criminalidade cresce diante da falta de investimentos em ações sociais e educação, diz especialista

Bairro Manoel Corrêa, em Cabo Frio, é cenário frequente
 de ações policiais — Foto: André Dias/Inter TV

Bairro de Cabo Frio é cenário frequente de tiroteios e crimes que afetam diretamente a vida dos moradores, que ficam sem escolas, postos de saúde e ônibus. Para especialista, problema não é só de responsabilidade do poder público, mas também de toda a sociedade.
O crescimento da criminalidade no bairro Manoel Corrêa, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, é motivo de preocupação tanto para quem mora na região quanto para especialistas que destacam a falta de investimentos em ações sociais e na educação.
O bairro que surgiu na década de 1970 é cenário frequente de ações policiais e de crimes, como o desaparecimento de vigias do Espírito Santo que foram torturados e estão desaparecidos.
A realidade para quem vive no local é conviver com escolas e postos de saúde fechados, ônibus que deixam de circular dentro do bairro por falta de segurança e tiroteios constantes.
De agosto até agora, foram três policiais militares baleados e seis pessoas mortas. Segundo a Polícia Civil, a maioria das vítimas morreu em confrontos com a PM.
"Antes de você ter uma ação policial, que é importante, a gente tem que ter uma intervenção humana, isso tem que ficar marcado, o Manoel Corrêa precisa de mais investimentos em espaços culturais, espaços esportivos, em projetos", disse o mestre em geografia Luiz Felipe de Oliveira Gonçalves.
Para o especialista, que teve a cidade como tema da tese de dissertação de mestrado, é preciso que a educação funcione e que os equipamentos sociais funcionem dentro do bairro.
"E não é só uma questão do poder público, a sociedade também precisa abraçar essa ideia, porque é um problema social", destacou.
Segundo Luiz Felipe, o bairro, que já foi conhecido como "Favela do Lixo" está dentro do Parque Municipal das Dunas.
"Então o problema ali é social, ambiental, e acaba hoje gerando também essa questão de violência", afirmou o especialista.
Crescimento desordenado
Luiz Felipe disse ainda que o crescimento desordenado no bairro começou a partir de uma medida do prefeito Alair Correa, em 1983.
"A promessa de campanha dele era despejar para construir casas populares. A Prefeitura entra com 10 milhões de cruzeiros e paga 30% da mão de obra e o restante, entra pelo regime de mutirão, então as pessoas que ali viviam, começam a ajudar na construção das mais de 200 casas iniciais".
Diante disso, ele afirma que a Prefeitura não cria um mecanismo de fiscalização e controle dessa área.
"Cabo Frio começa a ter aumento na população, você já tem uma população em 1991 com quase 120 mil habitantes, começaram a vender mais espaços, ocupar mais áreas de preservação ambiental", destacou.
Projetos sociais
Projetos sociais como o da Alessandra Cristy, "Falar menos e fazer mais", oferecem atividades para as crianças que vivem no Manoel Corrêa, além de distribuir sopa no local.
"A gente poderia fazer o evento dentro da comunidade, mas o interesse foi trazer essas crianças, tirar elas de lá, trazê-las para uma casa de festa para elas poderem ver um ambiente diferente do que estão acostumadas a ver lá", afirmou.
Por Paulo Henrique Cardoso e Jeferson Marques, RJ2 — Cabo Frio

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