
O Deic trabalha
com o número de 14 criminosos envolvidos no assalto. Até o momento, a Polícia
Civil identificou seis suspeitos e conseguiu prender quatro deles. Outros dois,
no entanto, seguem foragidos – entre eles, o homem apontado como mentor
intelectual do grupo: Francisco Teotônio da Silva Pasqualine, o Velho.
Segundo as
investigações, a quadrilha seria composta por assaltantes experientes, com
histórico de ataques a bancos em outros Estados. Integrantes do bando também
teriam participado de um ataque violento à transportadora de valores Prosegur em Ciudad
del Este, no Paraguai, em 2017. O assalto milionário terminou com
quatro mortos e foi considerado o maior da história do país vizinho.
Para o assalto
em Cumbica, realizado na tarde de 25 de julho, os ladrões usaram viaturas
clonadas da Polícia Federal, fuzis e até munição antiaérea. Rápida, a ação
terminou sem que fosse preciso disparar nenhum tiro. Não houve feridos.
Inicialmente,
foi divulgado que a carga roubada era de 719 quilos de ouro e seria
transportada para Estados Unidos e Canadá. Nesta terça-feira, 6, o Deic confirmou
que mais 51 quilos de outra empresa, que iriam para os Emirados Árabes, também
foram levados. A quadrilha ainda roubou pedras preciosas, que sairiam de
Guarulhos para a Índia, e joias, que eram destinadas à Suíça.
A polícia
investiga o paradeiro do material, mas até o momento nenhuma parte da carga foi
recuperada. “Nós temos a informação de que boa parte do ouro é transportado
para o mercado exterior, através de diversas modalidades distintas”, afirma o
delegado Pedro Ivo Corrêa, titular da Roubo a Bancos do Deic, responsável pelo
caso. “Certamente, não vai ser comercializado nas proximidades (do Brasil).”
Segundo as
investigações, o material roubado pode estar sendo escoado aos poucos. “Uma da
forma que descobrimos foi através da ‘formiguinha’: chineses que compram peças
de ouro, em filetes pequenos, de 9 por 6 centímetros, que pesam cerca de 100
gramas”, diz o delegado Rogério Luís Marques, do Deic. “Colocam dentro do
celular e encaminham para a China, possivelmente de avião.”
Na
segunda-feira, 5, um chinês foi preso no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, com cerca de 1 quilo de ouro ilegal.
Ele foi autuado por evasão de divisas. “Nada impede que a gente consiga,
através das investigações, vincular. Mas, de início, não se pode afirmar que
esse ouro apreendido é derivado do roubo (de Cumbica)”, diz Marques.
Segundo o delegado, o comércio ilegal para a China seria “vantajoso”. “O grama
de ouro no Brasil vale R$ 180. Na China, passa de R$ 300.”
Sequestro de
família de funcionário foi real, diz Polícia
O transporte de
material valioso faz parte da rotina do terminal de cargas de Cumbica. Segundo
a Polícia Civil, o aeroporto chega a movimentar até duas toneladas de ouro em
um único dia.
O assalto era
planejado ao menos desde janeiro. De acordo com a investigação, a ação só foi
possível após a quadrilha conseguir cooptar um funcionário do aeroporto. Para a
Polícia Civil, este homem é Peterson Patrício, de 33 anos, que está preso.
Patrício teria
sido responsável por repassar informações privilegiadas ao bando. “Ele anuiu,
sabia e participou do planejamento”, afirma o delegado Corrêa. A primeira parte
do inquérito foi relatada nesta semana.
Segundo as
investigações, a quadrilha tentou invadir o terminal de cargas outras duas
vezes – em março e na semana anterior ao assalto –, mas o plano acabou não
dando certo. Nessas ocasiões, Patrício teria “criado obstáculos” e, por isso,
teve a família sequestrada.
“No final,
quando começou a criar obstáculos, o pessoal da organização findou por
sequestrar sua família para ‘estimulá-lo’, vamos dizer assim, a participar um
pouco mais efusivamente”, diz Corrêa. “A família não sabia disso (do assalto).”
Quem é quem,
segundo a investigação
O funcionário
do aeroporto teria sido convencido a participar do ataque por um amigo de
infância, Peterson Brasil, que também teve a prisão decretada pela Justiça.
Por sua vez,
Brasil teria ligação com Pasqualine, o Velho, que é apontado como autor
intelectual do assalto em Cumbica. De acordo com o delegado Corrêa, os dois são
cunhados e Pasqualine tem um filho com a irmã de Brasil.
Dono de extensa
ficha corrida, Pasqualine foi preso pela primeira vez em 1982 e coleciona
passagens por roubo a banco e a carro-forte, segundo a Polícia Civil. “Ele
buscou contanto com o líder da parte operacional, que tinha armamento, know-how
e conhecimento para poder arregimentar os demais”, diz.
Ele, no
entanto, não teria participado diretamente do assalto. Ficou no grupo que
sequestrou e fez de refém a família do funcionário do aeroporto.
Para os
investigadores, o líder da “parte operacional” seria Marcelo Ferraz, o Capim,
que tem passagens por roubos. Ele é um dos criminosos que aparece na imagem do
circuito de segurança de Cumbica e foi preso no Guarujá, no litoral, onde
estava escondido, segundo o inquérito.
O quarto preso
por suspeita de envolvimento no assalto de Cumbica é o pintor Célio Dias, de 45
anos. Ele é acusado de ter definido o local para intermediar a fuga: um
estacionamento na zona leste de São Paulo. Também foi autuado em flagrante por
estar com um carregador de fuzil contendo projéteis calibre 7.62 mm.
Já Joselito de
Souza também foi indiciado, mas está foragido. Ele teria relação próxima com
Ferraz e seria proprietário de um estacionamento onde foram clonadas as
viaturas da PF. Segundo a investigação, a quadrilha comprou os veículos e
mandou blindá-los para o assalto.
Os indiciados devem responder
pelos crimes de roubo, extorsão mediante sequestro, falsidade ideológica e
formação de organização criminosa. A soma das pensa ultrapassa 20 anos de
cadeia.
Felipe
Resk
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!