![]() |
© Washington
Alves/Estadão O governador
de Minas
Gerais, Romeu Zema (Novo)
|
BELO
HORIZONTE - O governador de Minas Gerais, Romeu
Zema (Novo), recorreu ao governador de São Paulo, João
Doria (PSDB), para evitar a saída dos tucanos da base do Palácio
Tiradentes na Assembleia Legislativa. A possibilidade de o partido se
transformar em independente foi defendida na convenção estadual do PSDB de
Minas, no sábado, e tem como um de seus principais defensores o deputado
federal Aécio Neves (MG).
Zema telefonou
para Doria ainda no fim de semana. Disse que precisava da bancada tucana, que
tem seis parlamentares, de um total de 77 deputados estaduais. O governador de
São Paulo, hoje o principal nome da legenda no plano nacional, se comprometeu a
ajudar.
“O PSDB vai
manter seu apoio na base ao governador Romeu Zema. Ele é um homem honesto e
decente. Recebeu uma herança maldita do PT, do Fernando
Pimentel”, disse Doria ao Estado.
O embate
colocou o governador paulista e Aécio em rota de colisão mais uma vez. No
domingo, 5, durante a convenção estadual da sigla em São Paulo, Doria evitou
fazer comentários sobre a possibilidade de expulsão do deputado federal. O
presidente do partido no Estado, Marco Vinholi, ligado ao
governador paulista, defende a expulsão do tucano mineiro da sigla.
Aécio foi
governador de Minas por duas vezes, senador por um mandato e candidato à
Presidência da República em 2014, quando foi derrotado por Dilma
Rousseff (PT). Sob investigação e réu na Lava
Jato, o tucano, no entanto, perdeu força política, não conseguiu
articular a reeleição para o Senado e acabou se candidatando a deputado
federal. Teve 106 mil votos. Na disputa, entre os eleitos, ficou na 19.ª
posição.
O PSDB tem um
secretário no primeiro escalão do governo Zema – o ex-deputado federal e
ex-prefeito de Juiz de Fora Custódio Mattos. O líder do governo na Assembleia
Legislativa, deputado estadual Luiz Humberto Carneiro, também é do PSDB.
Ambos não participaram da convenção em Minas.
O presidente do
PSDB em Minas Gerais, deputado federal Paulo Abi Ackel, que assumiu
o cargo no sábado, 4, confirmou o contato com o governador de São Paulo.
“Converso com Doria com muita frequência sobre muitos assuntos e sobre Minas
Gerais. E noto que tem preocupação com o Estado. Mas sobre a política mineira e
sobre os destinos do partido em Minas, nada foi falado e o governador não se
sentiria à vontade para fazê-lo.”
O deputado
disse que a possibilidade de o partido adotar postura de independência em
relação a Zema “não é algo para ontem”. “Vamos provocar um debate dentro da
legenda. Não podemos ser caudatários de um projeto político de outro partido,
que é menor que o nosso”, afirmou Abi Ackel.
O governo Romeu
Zema não se posicionou sobre a disputa envolvendo o PSDB de Minas e o de São
Paulo. A convenção nacional do partido será no dia 31.
Retorno. O
principal objetivo de Aécio Neves ao querer ver o PSDB longe do governo Zema é
tentar pavimentar um possível retorno ao topo da política nacional, mesmo
respondendo a diversos inquéritos na Justiça. Para isso, o tucano precisa,
primeiro, voltar a ter expressão no cenário político de Minas.
Na convenção de
sábado, o parlamentar foi aplaudido ao discursar, mas nada que destoasse das
palmas a outros integrantes da legenda. Também não havia faixas de apoio. De
forma oficial, Aécio tem o mesmo discurso do presidente da legenda, de que o
partido não pode ser signatário de uma sigla que não tem o mesmo projeto dos
tucanos, por isso o melhor caminho seria a independência.
Segundo o
deputado, o projeto dos tucanos não é o “ultraliberalismo”, conforme disse em
sua fala no sábado. A reportagem entrou em contato com a assessoria do deputado
e não obteve retorno até a conclusão desta edição.
Leonardo
Augusto, ESPECIAL PARA O ESTADO, e Pedro Venceslau

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!