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Rio de Janeiro é o estado que tem a gasolina
mais
cara do país — Foto: Reprodução/TV Globo
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Levantamento
mostra que o preço médio no estado é de R$ 4,99. Impostos estaduais, que no RJ
são mais altos, influenciam no preço do combustível nos postos.
O Estado do Rio de Janeiro tem a gasolina
mais cara do país. Nas últimas quatro semanas, o preço médio do combustível no
estado subiu de R$ 4,84 para o valor atual de R$ 4,99, um aumento de cerca de
3%.
De acordo com o último levantamento de preços
da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), o Rio tem
gasolina mais cara do Brasil, seguido do Acre e Piauí.
Ainda de acordo com a ANP, entre os
municípios do RJ, Angra dos Reis apresentou o preço médio mais alto. Lá, a gasolina
custa R$ 5,26. A média mais baixa foi em de São João de Meriti: R$ 4,73. Já na
capital, ela é de R$ 5,02. É a 11ª mais alta.
A variação em diferentes áreas da cidade se
deve aos custos de cada posto. Na Zona Sul, por exemplo, o pacote é mais alto do
que na Zona Norte porque, entre outros fatores, o IPTU é mais elevado. Num
posto em Copacabana, na Zona Sul, a gasolina saía, nesta quinta-feira (9), a R$
5,29.
Na Avenida Brasil, principal via de acesso do
Rio, na Penha, na Zona Norte, a gasolina saía a R$ 5,09. Em outro posto a cerca
de 30 metros de distância e num em Ramos, o preço era o mesmo.
Mais adiante, num quarto posto na via, a
gasolina era vendida a R$ 4,79. Num em Bonsucesso, ela estava a R$ 4,89.
Flutuação
Motoristas que circulam pela Avenida Brasil
dizem que é muito difícil fazer pesquisa de preços. Eles contam que passam num
dia verificando onde está mais barato. No dia seguinte, quando vão abastecer, o
preço já mudou.
“Está bem complicado abastecer, a gente sente
muito no bolso. Hoje a gente bota quase metade do que botava antigamente. Tem
de ficar de olho no preço”, disse um motorista.
Outra motorista também reclamou do custo
elevado. “A gente corre, corre, corre, mas não consegue fugir do preço. A
variação é tão pequena que não vale a pena pesquisar. E o preço está muito
alto. Não sobra nada para você se divertir."
Em Cabo Frio, na Região dos Lagos, a gasolina
tem um dos preços mais altos do estado. Num posto no Centro, o litro está a R$
5,19. Segundo a ANP, o preço médio na cidade é de R$ 5,12, e o mais barato fica
por R$ 4,98.
Em Araruama, também na Região dos Lagos, o
preço médio da gasolina é de R$ 4,88.
Em abril, a ANP esteve em Cabo Frio para
fiscalizar os postos junto com o Procon. Desde setembro de 2018, o Procon apura
uma suposta formação de cartel - quando comerciantes combinam os preços -, o
que é ilegal. O Ministério Público acompanha o caso. E já teve uma campanha
para que consumidores não abasteçam em Cabo Frio.
Em Campos dos Goytacazes, no Norte
Fluminense, no parque rodoviário, a gasolina está sendo vendida a R$ 5,19. O
preço médio na cidade é de R$ 5,01. No local onde ela é vendida mais em conta,
custa R$ 4,69.
Em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, o preço
médio é R$ 5,01, sendo a menos cara vendida a R$ 4,85, e a mais cara, a R$5,19.
Impostos
encarecem combustível
Segundo dados consolidados pela Petrobras com
base no levantamento da ANP, os impostos estaduais são responsáveis por cerca
de 29% do preço final pago pelo consumidor. Como o Rio tem impostos mais altos
que outros estados, isso se reflete no preço nas bombas.
Também entra na conta o custo do etanol
anidro, que é misturado à gasolina e representa 12% do preço final ao redor do
país. Boa parte desse etanol vem de São Paulo, e o frete acaba aumentando a
conta para os fluminenses.
Terminam de compor os preços ao consumidor os
impostos federais, cerca de 15%, os custos de distribuição e revenda, 11%, e o
preço de faturamento do produtor, como a Petrobras, cerca de 33%.
O pesquisador Felipe Pires, do Instituto
Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), explica que no preço final da
gasolina, no total, estão embutidos 45% de impostos.
“O maior vilão é o ICMS, imposto estadual,
que no Rio tem alíquota de 34%. Em São Paulo, essa alíquota é de 25%. O ICMS é
cobrado na fonte de consumo. Em São Paulo, por exemplo, tem maior frota, então
em termos de escalas, a alíquota pode ser menor e o resultado para o cofre do
estado vai ser muito razoável. No Rio, a frota é menor, apesar de ser o maior
estado produtor, em termos de consumo somos um dos menores. Então, a alíquota
acaba sendo um pouco mais elevada para compensar essa diferença”, explicou
Pires.
A política de preços da Petrobras para a
gasolina e o diesel vendidos às distribuidoras tem como base o preço de
paridade de importação, formado pelas cotações internacionais destes produtos
mais os custos que têm os importadores como transporte e taxas portuárias.
Assim, uma variação positiva no preço do
barril de petróleo no mercado internacional ou o aumento do dólar provocam a
alta dos preços no Brasil.
O pesquisador destaca essas questões
internacionais, como a diminuição da produção na Venezuela e embargos no Irã,
que impactam no preço.
Por Cléber Rodrigues, Diego Haidar, Guilherme
Peixoto e Laila Hallack, Bom Dia Rio

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