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O ministro
da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, durante
apresentação
do projeto anticrime, na Câmara dos Deputados,
em fevereiro
deste ano — Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
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Em
entrevista neste domingo, presidente disse que tem compromisso com o ministro,
caso Moro queira ocupar a vaga. Indicados precisam ser sabatinados pelo Senado.
O
presidente Jair
Bolsonaro afirmou neste domingo (12), que pretende indicar o
ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro,
para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista à
Rádio Bandeirantes, Bolsonaro disse que firmou compromisso com o ministro e que
vai honrar o que foi acertado, caso Moro queira ocupar a vaga e se for aprovado
em sabatina no Senado.
“A primeira
vaga que tiver, eu tenho esse compromisso com o Moro e, se Deus quiser,
cumpriremos esse compromisso", disse Bolsonaro.
A Corte tem 11
ministros. A indicação dos integrantes é de competência do presidente da
República, mas o nome deve passar por sabatina no Senado. A próxima vaga no
tribunal deve ser aberta em novembro do ano que vem, quando se aposentará, aos
75 anos, o decano da Corte, ministro Celso de Mello.
“Eu fiz um
compromisso com ele porque ele abriu mão de 22 anos de magistratura. Eu falei:
a primeira vaga que tiver lá, vai estar a sua disposição", disse
Bolsonaro.
"Obviamente
ele teria que passar por uma sabatina no Senado. Eu sei que não lhe falta
competência para se aprovado lá. Mas uma sabatina técnico-política, tá certo?
Então, eu vou honrar esse compromisso com ele, caso ele queira ir para lá. Ele
seria um grande aliado não do governo, mas dos interesses do nosso Brasil
dentro do STF", declarou o presidente.
Ainda no ano
passado, logo após a vitória nas urnas, Bolsonaro afirmou em entrevista ao
Jornal Nacional que pensava em convidar Sérgio Moro para assumir
vaga no STF.
O presidente
Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro — Foto: José Cruz/Agência
Brasil
Imposto de
Renda
Bolsonaro
também afirmou na entrevista que orientou o ministro da Economia, Paulo Guedes,
a corrigir a tabela do Imposto de Renda, no mínimo, pela inflação prevista para
o ano que vem.
"Hoje em
dia, o Imposto de Renda é redutor de renda. Eu falei com o Paulo Guedes que, no
mínimo, este ano, temos que corrigir de acordo com a inflação a tabela para o
ano que vem", disse Bolsonaro.
Durante a
campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro defendeu isenção do imposto para quem
ganha até cinco salários mínimos.
Pela tabela
atualmente em vigor, estão isentos do Imposto de Renda os contribuintes que
recebem por mês até R$ 1.903,98, descontada a contribuição previdenciária.
A partir desse
valor, o imposto retido na fonte é calculado com base em alíquotas de 7,5%,
15%, 22,5% ou 27,5% sobre o valor dos rendimentos. Hoje, a alíquota de 27,5% é
a mesma para todos os contribuintes que recebem mais de R$ 4.664,68.
Reforma da
Previdência
O presidente
disse acreditar que a “maioria dos parlamentares” vai dar o “devido apoio”
para reforma
da Previdência que está em tramitação na Câmara dos Deputados.
A proposta de
emenda à Constituição (PEC) que mexe nas regras de aposentadoria já foi
aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e agora
está em discussão em comissão especial. A reforma é considerada pelo governo
federal como uma das principais medidas para recuperar as contas públicas.
"Acredito
que a maioria dos parlamentares vão nos dar o devido apoio por ocasião dessa
reforma que precisa ser feita. É como uma vacina. Tem que dar vacina no
moleque, se não ele pode ter um problema mais grave lá na frente. A grande
vacina no momento é a nova Previdência", afirmou o presidente.
O presidente
reconheceu que muitas medidas do governo dependem de aprovação da Câmara e do
Senado, como a própria reforma da Previdência.
"Eu acho
que a gente pode fazer, nós estamos fazendo o possível, muitas medidas tomadas,
em grande parte, dependemos da Câmara e do Senado. Eu conheço a sensibilidade
deles [dos parlamentares] porque fiquei 28 anos lá dentro [do Congresso]. Muita
gente já tem consciência do que tem que ser fazer. Não todos, mas a maioria
sabe o que tem ser feito e nós vamos buscar atingir esse objetivo, obviamente
com Câmara e Senado ao nosso lado", disse Bolsonaro.
Pacote
anticrime
Para Bolsonaro,
o pacote
anticrime, proposto pelo ministro Sérgio Moro, já deveria ter sido
discutido e votado. O projeto que propõe mudanças na legislação penal e
processual penal, para reforçar o combate ao crime organizado, à corrupção e à
violência foi apresentado ao Congresso em fevereiro.
"No meu
entender já deveria ter sido discutido e votado esse tema. Tá demorado a
tramitação disso lá", disse o presidente.
A proposta está
sob análise de um grupo
de trabalho criado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ). O colegiado tem até 90 dias para dar um parecer.
“Ele é o dono
da pauta na Câmara [Rodrigo Maia] e o Davi Alcolumbre no Senado. E essa bola
essa bola tá com eles. Eu não posso chegar e fazer essa exigência ao Rodrigo
Maia”, declarou Bolsonaro.
Coaf
O presidente
comentou, ainda, decisão de comissão do Congresso de transferir o
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia.
A comissão
aprovou na última quinta-feira (9) o relatório da medida provisória (MP) da
reforma administrativa. Texto pode sofrer novas alterações quando for à votação
nos plenários da Câmara e do Senado.
O Coaf é uma
unidade de inteligência financeira do governo federal que atua principalmente
na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro (crime que consiste na prática
de disfarçar dinheiro de origem ilícita).
Bolsonaro
sugeriu que caso a mudança não seja revertida em votação no plenário não haverá
prejuízo ao trabalho do conselho.
"Vamos
supor que vá lá pro Paulo Guedes, ministro da Economia, vai ter uma linha
direta com o ministério da Justiça. Nossos ministros conversam entre si. [...]
O Moro precisando de informações vai ter essas informações. O moro com toda
certeza, como ele conversa e se dá bem com o Paulo Guedes, vai ter gente
indicada por ele dentro do Coaf", afirmou Bolsonaro.
O presidente
defendeu, no entanto, que o Coaf tenha "limitações" e não pode
"vazar" informações "ao arrepio da lei".
"O Coaf é
importante. Agora, o Coaf tem que ter suas limitações. Não pode vazar. Não pode
vazar como fez no ano passado. Vazou muita coisa ao arrepio da lei. A gente
pode não gostar da lei no tocante a isso, mas se infringi-la, alguém tem que
pagar o pato no tocante a isso ai", declarou. "O coaf é um órgão de
assessoramento; não é de investigação", disse.
Base aliada
Questionado
sobre o apoio no Congresso para aprovar a medida, Bolsonaro devolveu a
pergunta: queria que a mídia dissesse como faz a base aliada.
"Quero
isso deles, mas não falam, apenas criticam que não tenho interlocução, que sou
falho nessa questão e não formei base. Agora, resposta está na ponta da língua,
qualquer um sabe dar. Agora queria que a grande mídia me dissesse né,
claramente, onde que formaria, como formaria essa base", afirmou.
O presidente
voltou a dizer que não deve mudar a forma de se relacionar com os
parlamentares. Segundo Bolsonaro, até o governo do ex-presidente Michel Temer
os partidos acertavam com o chefe do Executivo a distribuição de ministérios e
cargos estatais.
"É assim
que era feita, e a mídia sempre criticava essa forma de fazer a base
eleitoral", disse Bolsonaro.
"Essa
forma de fazer política não deu certo. A resposta está aí. Tem presidente
preso, tem ex-presidente de Câmara preso, não só federal como estadual também.
Tem município com prefeitos com problemas e queremos evitar isso aí. Se o
brasil estiver bem, todos nós estaremos bem", declarou.
Reforma
administrativa
O presidente
comentou ainda as alterações na medida provisória da reforma administrativa.
Indagado sobre a possibilidade de os parlamentares deixarem a MP perder
validade, Bolsonaro disse não acreditar nesta hipótese.
"Olha,
tenho que trabalhar com toda expectativa, mas acredito que o parlamento não vai
fazer isso, porque mais sete ministérios aqui, ninguém aguenta", disse o
presidente.
A medida
provisória que reformou a administração da Esplanada assim que Bolsonaro
assumiu o Palácio do Planalto extinguiu ministérios e deslocou órgãos de uma
pasta para outra.
A Fundação
Nacional do Índio (Funai), por exemplo, saiu do Ministério da Justiça e foi
para os Direitos Humanos. Agora, pode retornar à Justiça. A medida provisória
também extinguiu o Ministérios das Cidades, dos Esportes entre outros. A
matéria está em tramitação no Congresso Nacional.
“Eles na comissão
querem desmembrar o Ministério Desenvolvimento Regional e criar o das cidades.
É uma das propostas deles. Isso existe sim, mas é aquela velha história. Se
dependesse de mim, eu queria que minha MP saísse como chegou no parlamento que
tá bem ajustado”, disse Bolsonaro.
Por Luiz Felipe Barbiéri, G1 —
Brasília

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