30/04/2019

Guaidó diz ter apoio de militares na Venezuela, e governo Maduro fala em 'tentativa de golpe'

Juan Guaidó cumprimenta um militar perto de uma base
 aérea em Caracas — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Opositor chamou população às ruas para pôr 'fim à usurpação'. Governo admite haver 'pequeno grupo de traidores'. Há pontos de conflito em Caracas.
O autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, convocou na manhã desta terça-feira (30) a população às ruas e declarou ter apoio de militares para pôr fim ao que ele chama de "usurpação" na Venezuela. Autoridades do governo falam em tentativa de golpe de estado e houve disparo de bombas de gás nas ruas da capital, Caracas.
Guaidó afirmou em post em rede social que se encontra com as principais unidades militares das Forças Armadas e que deu início à fase final da chamada "Operação Liberdade".
"Povo da Venezuela, vamos à rua. Força Armada Nacional a continuar a implantação até que consolidemos o fim da usurpação que já é irreversível", declarou Guaidó em post.
O governo brasileiro ainda vai esperar ter um quadro mais definido no vizinho sul-americano para anunciar um posicionamento formal sobre a situação na Venezuela, de acordo com a GloboNews.
Maduro compartilha mensagem de apoio de Morales
Também por meio das redes sociais, o presidente Nicolás Maduro compartilhou mensagem do presidente boliviano, Evo Morales, no qual ele afirma condenar o que chama de "tentativa de golpe de estado na Venezuela por parte da direita que é submissa a interesses estrangeiros".
Condenamos enérgicamente el intento de golpe de Estado en #Venezuela, por parte de la derecha que es sumisa a intereses extranjeros. Seguros que la valerosa Revolución Bolivariana a la cabeza del hermano @NicolasMaduro, se impondrá a este nuevo ataque del imperio.
O vice-presidente setorial de comunicações venezuelano, Jorge Rodríguez, falou em um "grupo reduzido" de militares que se posicionou para "promover um golpe de estado".
"Informamos ao povo da Venezuela que nestes momentos estamos enfrentando e desativando um reduzido grupo de efetivos militares traidores que se posicionaram na Rotatória Altamira para promover um golpe de estado contra a Constituição e a paz da República".
O ministro da defesa, Vladimir Padrino, afirmou que as forças armadas seguirão firmes "na defesa da Constituição nacional e das autoridades legítimas" e que os quartéis reportam normalidade nas bases.
Guaidó com líder da oposição solto após prisão domiciliar
Em um vídeo postado em rede social, Guaidó aparece ao lado de Leopoldo Lopez, um outro opositor ao regime de Maduro que cumpria prisão domiciliar, foi liberado nesta manhã e seguiu para as ruas.
"Este é o momento, a convenção é mundial, acabem com a usurpação, todos saiam às ruas", afirmou Lopez.
Leopoldo Lopez, que cumpria prisão domiciliar, ao lado de militar
 ao lado de base aérea em Caracas — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Nas mensagens de Guaidó, o autoproclamado presidente afirma que as Forças Armadas "tomaram a decisão correta", e repetiu o pedido para que o povo saía às ruas para "dar respaldo às forças democráticas e recuperar a nossa liberdade".
 Líder pró-Maduro convoca apoiadores do governo
Diosdado Cabello, que comanda a Assembleia Constituinte pró-Maduro, convocou apoiadores do governo a se dirigirem para o palácio presidencial de Miraflores para se manifestarem.
Segundo Cabello, a Base Aérea de La Carlota, onde Guaidó e Leopoldo Lopez fizeram o chamado para a derrubada de Maduro está sob absoluto controle operacional do governo.
Centro de apoio a Guaidó
O centro de apoio de Guaidó, onde se concentram os líderes que tentam derrubar o regime de Nicolás Maduro, é um local conhecido como "A Carlota", mas o nome oficial é Base Aérea Generelíssimo Francisco de Miranda.
A base fica na região leste de Caracas, a cerca de 13 quilômetros do Palácio Miraflores, sede do governo. Em 2002, o local foi declarado zona de segurança militar. Os voos para lá estão proibidos desde 2014, de acordo com o jornal colombiano “El Mundo”.
Militar usa gás lacrimogêneo em base aérea em Caracas,
 na Venezuela — Foto: Carlos Garcia Rawlins / REUTERS
Bombas de gás
Ainda nesta manhã, foram registrados conflitos na capital venezuelana, Caracas, onde houve disparo de bombas de gás. De acordo com a rede de televisão estatal Telesur, policiais tentaram dispersar com gás lacrimogêneo aqueles considerados "golpistas";

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Por G1

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