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Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
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De acordo com o
secretário Marcos Cintra, dois acessos feitos no final de outubro não foram
justificados e estão sob investigação
A Receita
Federal identificou que os dois servidores que acessaram dados do presidente Jair Bolsonaro e de seus
familiares fizeram várias consultas ao longo de 2018 e em períodos
que coincidem com datas importantes do calendário eleitoral, disse o secretário
da Receita Federal, Marcos Cintra, neste sábado (6). "Está comprovado e
está nas mãos da polícia. Nem o secretário da Receita pode entrar e fuçar o que
quiser."
De acordo com o
secretário, dois acessos feitos no final de outubro não foram justificados e
estão sob investigação.
Foram
levantados dados de irmãos e tios do presidente, além do próprio Bolsonaro. Em
depoimento à Polícia Federal, um dos servidores investigados, Odilon Alves
Filho, disse que fez apenas um acesso e consultou só dados cadastrais, por
curiosidade. Ele é irmão da deputada Norma Ayub (DEM-SP).
A Receita abriu
sindicância depois de a corregedoria ter sido informada que dados confidenciais
do presidente e de vários CPFs relacionados à família dele estavam sendo
acessados - os sistemas do órgão são monitorados e cada consulta é registrada.
"Pedimos à PF que investigue se há ligações externas, se isso faz parte de
um plano maior, se tem gente por trás", afirmou o secretário.
Cintra avisou
Bolsonaro da sindicância no fim de janeiro e disse que o presidente pediu para
dar andamento à investigação "como qualquer outro caso". O secretário
teve vários encontros com Bolsonaro nos últimos meses. Na sexta-feira (5), o
presidente escreveu no Twitter que os servidores procuravam "algo para
vazar" e incriminá-lo antes das eleições.
Os acessos aos
dados foram feitos em datas próximas a convenções de partidos, no início do
segundo turno e logo depois do resultado das eleições, entre outros períodos. A
PF foi acionada no fim de janeiro e, segundo apurou o Estado, está agora
investigando a dimensão dos acessos e que dados os servidores, ambos
administrativos, conseguiram levantar. Na quinta-feira (4) os policiais
apreenderam computadores e ouviram os servidores. A operação está em andamento
e o sigilo foi redobrado.
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Sindicância
Foi aberto um
processo disciplinar dentro do Fisco, que pode levar à suspensão ou exoneração
dos investigados. Além de Alves, que trabalha em uma delegacia da Receita em
Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, é investigado também um segundo
servidor vinculado à delegacia da Receita Federal de Campinas, que acessou
dados em Sumaré, ambas cidades do interior de São Paulo. Os dois funcionários
teriam agido de forma separada.
Apesar de não
ser presidente na época, a consulta a dados de Bolsonaro já não poderia ser
feita por servidores sem justificativa, já que, como deputado federal, ele era
uma "pessoa politicamente exposta". Políticos e familiares fazem
parte dessa lista em que há um controle ainda maior no sistema da Receita e,
quando os dados são consultados, é gerado um alerta para o superior imediato do
servidor.
De acordo com o
advogado Yamato Ayub Alves, irmão de Odilon, ele admitiu ter feito um acesso a
dados cadastrais do presidente, no dia 30 de outubro - dois dias depois do
segundo turno das eleições presidenciais e quando já se sabia que Bolsonaro
havia sido eleito presidente.
Ayub disse que
o irmão acessou apenas dados do chamado sistema via, que permite consulta a
nome, CPF e endereço, e não entrou em um segundo sistema da Receita que tem
dados fiscais, como a declaração de Imposto de Renda do contribuinte. "Ele
fez isso de forma ingênua, sem maldade. Não houve vazamento nem quebra de
sigilo."
Segundo a
deputada Norma Ayub, "Odilon é Bolsonaro doente". Ela afirmou que
também fez campanha para ele ano passado. O servidor é agente administrativo da
Receita na agência de Cachoeiro do Itapemirim. Ele ingressou no órgão em 1981 e
recebe cerca de R$ 5 mil por mês.
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