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João de Deus
entra em veículo do sistema penitenciário
após prestar depoimento ao Ministério Público
de Goiás
Foto:
Reprodução/TV Anhanguera
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Segundo o
órgão, peça abrange quatro casos: um inquérito da Polícia Civil e outras três
vítimas ouvidas pelos promotores. O médium, que nega as acusações, está preso
suspeito dos abusos e de posse ilegal de arma de fogo.
O Ministério
Público do Estado de Goiás (MP-GO) prepara a primeira denúncia a ser entregue à
Justiça contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus. O
documento deve denunciar o investigado por violação sexual mediante fraude em
três casos e por estupro de vulnerável em um. Ele nega as acusações e está
preso suspeito de abusar sexualmente de mulheres que o procuravam para
tratamento espiritual, além de posse ilegal de arma de fogo.
“O MP está trabalhando nesse momento na
produção da primeira denúncia que será oferecida. Essa denúncia, além
de envolver o fato dessa vítima concluída pela Polícia Civil, abarcará
também outras três vítimas que estão incluídas no procedimento de investigação
criminal conduzido pelo MP”, explicou a promotora Gabriella Clementino.
O G1 tentou
contato com a defesa de João de Deus, por telefone e mensagem, na noite de
quarta-feira (26) e na manhã desta quinta-feira (27), mas não obteve retorno
até a última atualização desta reportagem.
O documento
deve ser entregue à Justiça no máximo até domingo (30), prazo legal
estabelecido já que o médium está preso preventivamente. A promotora disse à TV
Anhanguera, no entanto, que pretende entregar a denúncia até sexta-feira (28).
“Nós já
temos trabalhos concretos, que identificaram provas suficientes para oferta de
denúncias”, acrescentou.
O MP-GO
informou que já ouviu 78 mulheres que acusam João de Deus de abusos sexuais. De
acordo com o órgão, três desses depoimentos integram a primeira denúncia e se
tratam de crimes que teriam ocorrido em 2018 na Casa Dom Inácio de Loyola,
em Abadiânia,
no Entorno do Distrito Federal. O endereço era o local onde o médium realizava
os atendimentos espirituais.
O
médium foi ouvido na quarta-feira (26) pelos promotores da
força-tarefa que apuram as denúncias contra ele. Durante o interrogatório, João
de Deus respondeu perguntas da defesa e do MP-GO sobre os casos de três
mulheres que o acusam de abusos. De acordo com o advogado dele, Alberto Toron,
o investigado disse não se lembrar de nenhuma delas e negou ter cometido os
crimes.
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Médium diz
ao MP que não se lembra das mulheres
que fizeram
denúncias — Foto: Reprodução/JN
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Conforme o
MP-GO informou à TV Anhanguera, todo o depoimento do médium, que durou cerca de
duas horas, foi gravado e deve ser enviado à Justiça junto com a denúncia.
A mulher de
João de Deus, Ana Keyla Teixeira, foi ouvida também nesta quarta-feira, mas
pela força-tarefa da Polícia Civil. O advogado dela, Alex Neder, disse que sua
cliente negou
saber dos abusos e que se soubesse “não aceitaria”. Ela também negou
saber da existência de R$
1,6 milhão e armas apreendidos pela Polícia Civil na casa do
médium, segundo a defesa.
João
de Deus está preso desde o dia 16 de dezembro, quando se entregou à
Polícia Civil. Ele está detido no Núcleo de Custódia do Completo Prisional
de Aparecida
de Goiânia, onde dorme sozinho, mas passa o dia em uma cela com outros
quatro presos. O médium teve um 2º
mandado de prisão deferido, desta vez por posse ilegal de arma de fogo.
A defesa do
médium pediu a soltura dele ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) e
ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) – ambos negaram o habeas corpus em
caráter liminar. Portanto, o pedido
foi feito a Supremo Tribunal Federal (STF), que não havia decidido até
a madrugada desta quinta-feira (27). A procuradora-geral da República,Raquel
Dodge, se posicionou contra a soltura de João de Deus.
A Polícia Civil
e o MP-GO apuram as denúncias contra o médium após relatos de mulheres virem à
tona no programa Conversa com Bial, no início de dezembro. Até a manhã da
quarta-feira, o MP-GO já havia recebido quase 600 denúncias, por e-mail, contra
o médium.
O jornal
"O Globo", a TV Globo e o G1 têm publicado nos últimos dias relatos de dezenas de
mulheres que se sentiram abusadas sexualmente pelo médium. Não se trata de
questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas
que o procuram.
Situação atual
- Médium é investigado por estupro, estupro de
vulnerável, violação sexual mediante fraude e posse ilegal de arma;
- MP recebeu mais de 600 emails pelo endereço denuncias@mpgo.mp.br e
identificou cerca de 260 vítimas;
- Mulheres
que denunciaram João de Deus ao MP tinham entre 9 e 67 anos ao serem
abusadas, conforme relatos;
- Médium está preso desde o dia 16 de dezembro;
- Polícia Civil colheu depoimentos de 16
mulheres. Um
inquérito foi concluído e há oito em andamento;
- Em operações em endereços ligados a ele foram
achadas armas,
pedras preciosas e mais de R$ 1,6 milhão;
- Justiça também decretou a prisão do médium por
posse ilegal de armas de fogo;
- Há relatos de supostas vítimas de 15 estados
brasileiros e outros seis países;
- MP e polícia também querem apurar denúncia de
lavagem de dinheiro;
- Não há pedido para suspensão do funcionamento da
Casa Dom Inácio de Loyola, mas laboratório que fazia medicamentos no local
foi interditado;
- Defesa
teve dois habeas corpus negados e foi ao STF;
- Mesmo que o ministro Dias Toffoli conceda o habeas
corpus, João de Deus segue preso por causa do outro mandado de prisão;
- João de Deus e a esposa prestaram
depoimentos;
- PGR
se manifesta contra soltura do médium
Por Patrícia Bringel e Vanessa Martins, TV
Anhanguera e G1 GO


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