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Presidente
venezuelano, Nicolas Maduro, fala no Palácio Miraflores,
em Caracas,
na terça-feira (12) — Foto: Marco Bello/ Reuters
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Após 75
anos, último jornal independente deixa de circular no país, vítima de
perseguição do regime chavista.
A guerra
permanente promovida pelo regime chavista aos meios de comunicação
independentes fez a sua derradeira vítima: fundado há 75 anos, o “El Nacional”
deixa de circular nesta sexta-feira, asfixiado pela perseguição do governo, que
se arrastava há pelo menos 15 anos na forma de restrições à importação de
papel, processos e pesadas multas judiciais, além de violência de militantes.
Embora trágico,
o desaparecimento deste último sobrevivente de circulação nacional e de linha
independente venezuelano não chega a surpreender. Entre 2005 e 2017, a chamada
revolução bolivariana criada por Hugo Chávez e seguida por Nicolás Maduro impôs
o fechamento de 99 emissoras de rádio e de TV e tirou de circulação pelo menos
33 jornais, segundo dados do Instituto de Imprensa e Sociedade Venezuelana
(IPYS).
Como observou o
diretor do “El Nacional”, Miguel Henrique Otero, ao jornal espanhol ABC, o
assédio aos meios independentes completa o perfil de “uma ditadura pura e dura”
na qual não há divisão de poderes nem liberdade de expressão.
“Conseguiram
silenciar a rádio e a televisão e fizeram desaparecer os meios impressos
independentes, transformando-os em plataformas web “, explicou Otero.
Com o fim de
sua edição impressa, o “El Nacional” ainda resiste, mantendo sua operação
digital como testemunha de arbitrariedades que ocorrem no país, entre elas, a
repressão de opositores, a manipulação política de índices e o sumiço de
alimentos e medicamentos.
Mas a censura
oficial também é forte na internet, com frequentes bloqueios de sites e portais
e penas de 20 anos de prisão aos acusados de promover o discurso de ódio por
meio destas plataformas. É o que prevê uma lei aprovada no ano passado pela Assembleia
Nacional Constituinte, que tem como objetivo principal limitar a diversidade de
conteúdo dos meios de comunicação tradicionais e digitais.
O governo
utiliza como táticas de cerceamento da liberdade de expressão o bloqueio de
sinais internacionais, a compra de meios de comunicação, e multas pesadas aos
que se mostram críticos das políticas chavistas.
No ano passado,
o CNN em espanhol teve seu sinal cortado pelo governo, dias depois de
apresentar uma reportagem sobre a emissão fraudulenta de passaportes e vistos.
Atualmente, só é possível assistir à programação da emissora pela internet,
mediante um sinal gratuito habilitado pelo canal.
O caso mais
emblemático foi a extinção da RCTV,
há dez anos. Chávez decidiu não renovar a concessão da emissora mais antiga e
de maior audiência no país, apesar da forte pressão de organismos
internacionais.
Desde então,
venezuelanos habituaram-se a constatar a mudança de linha editorial dos meios
de comunicação como consequência da autocensura ou da venda para outros grupos.
Foi o que aconteceu com a emissora Globovisión, em 2013, e com o centenário
jornal “El Universal, no ano seguinte.
“Somos
inviáveis politicamente porque estamos num país totalmente polarizado e do lado
contrário de um governo todo poderoso que quer o nosso fracasso”, justificou na
época, em carta pública, o fundador da Globovisión, Guillermo Zuloaga.
O fim da
circulação impressa do “El Nacional” coincide, esta semana, com a escolha do
trabalho de jornalistas perseguidos, presos ou mortos como personalidade de
2018, pela “Time”. A revista americana faz justiça ao classificá-los de
guardiões da verdade. E na Venezuela, como resumiu Luz Mely Reyes, fundadora do
site independente Effecto Cocuyo, o jornalismo livre é uma espécie em extinção.
Por Sandra Cohen, G1

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