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© GABRIELA
BILÓ / ESTADÃO Fernando Haddad,
candidato do
PT à Presidência
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O desempenho do
candidato Fernando Haddad nas
mais recentes pesquisas do Ibope e Datafolha e a ameaça de uma derrota no
primeiro turno para Jair Bolsonaro (PSL)
acentuaram diferenças internas e levaram o PT a procurar culpados e buscar
correções na reta final da disputa presidencial nas eleições 2018. O principal revés da
candidatura Haddad ocorreu no índice de rejeição, que disparou nos últimos dias
– crescendo de 9 a 11 pontos porcentuais nas sondagens dos institutos
divulgadas nesta semana.
Segundo
relatos, as discordâncias entre o círculo mais próximo de Haddad e o grupo
ligado à direção do PT ficaram evidentes na reunião da coordenação da campanha
realizada nesta terça-feira, 2, na casa que abriga a produtora de vídeos da
campanha, em São Paulo.
Enquanto um
grupo defendia que o candidato imponha mais sua personalidade e seja “mais
Haddad” nesta reta final para amenizar os efeitos do antipetismo, outro exigia
a manutenção do roteiro original traçado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –
condenado e preso na Operação Lava
Jato –, no qual o candidato é o porta-voz do programa de governo
elaborado pelo PT.
Aos poucos, as
críticas até aqui veladas ao programa de governo, considerado “radical” por
muitos petistas, começam a ficar públicas. Na terça-feira, o deputado Paulo Teixeira(PT-SP) afirmou, durante
evento de campanha em um bar na Vila Madalena, na zona oeste da capital
paulista, que Haddad deve abandonar a proposta de convocação de uma
Constituinte, prevista no programa.
“Tira do
programa. Dá uma tesoura para recortar esse negócio de Constituinte, que já
está sendo explorado pela direita”, disse Teixeira, sob aplausos.
O diagnóstico
de que uma onda de fake news direcionada para ao eleitorado evangélico de baixa
renda é o maior motivo para o aumento da rejeição ao candidato também é alvo de
especulações internas. Para setores importantes do PT, a campanha falhou ao
subestimar o potencial de estrago das fake news. A área jurídica também é alvo
de críticas por não conseguir derrubar na Justiça as postagens falsas em tempo
compatível com o ritmo da campanha presidencial.
Até a semana
passada integrantes da coordenação da campanha consideravam as fake news
inofensivas e se diziam mais preocupados com a cobertura da mídia tradicional,
segundo eles antipática ao PT. “A campanha tem respondido prontamente a todas
calúnias e notícias falsas, o que não quer dizer que isso é suficiente”,
afirmou o secretário nacional de Comunicação do PT, Carlos Árabe.
Árabe admite
que a estrutura de Bolsonaro nas redes, segundo o petista montada em 2013, é
mais eficiente e bem estruturada do que a do PT, criada a partir de 2016.
O ex-ministro
da Justiça Eugênio Aragão, responsável pelo setor jurídico da campanha, foi
procurado mas não respondeu.
O desempenho
sofrível dos candidatos do PT aos governos de São Paulo, Luiz Marinho, e do Rio, Marcia Tiburi, também é apontado por
dirigentes e lideranças petistas como um dos motivos para que o ritmo de
crescimento de Haddad nas pesquisas tenha diminuído. Marinho, com 8% das
preferências, segundo o Ibope, tem, por enquanto, o pior desempenho de um
petista da história no maior colégio eleitoral do País. Marcia, com apenas 5%
no Ibope, amarga a sétima colocação no Estado que tem o terceiro maior
eleitorado do País.
Haddad, que
teve crescimento meteórico desde que foi oficializado candidato, no dia 11 de
setembro, estacionou em 21% na penúltima pesquisa Ibope/Estado/TV Globo e oscilou positivamente para 23% na sondagem
divulgada ontem. Petistas ainda temem que Bolsonaro seja eleito na votação em
primeiro turno.
Temer
O PT tenta
estancar o crescimento do candidato do PSL o associando à política econômica do
governo do presidente Michel Temer (MDB).
“Infelizmente o governo Temer termina melancolicamente e o que eu vejo de mais
triste ainda é o Bolsonaro querer dobrar a aposta do governo Temer”, disse
Haddad à Rádio Jornal de Pernambuco.
Ainda nesta
quarta-feira, 3, começou a circular no horário eleitoral a primeira inserção da
campanha petista na TV que cita nominalmente Bolsonaro. Na peça, o PT afirma
que o candidato do PSL votou a favor de medidas do governo Temer e “contra o
trabalhador” como a reforma trabalhista e conclui: “Já basta o Temer”.
Ricardo
Galhardo

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