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REUTERS/Ricardo Moraes .
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Depois de uma
reunião que durou boa parte da tarde e da noite de terça-feira, o comando
político conseguiu concordar em mudar o tom da campanha e partir para o ataque
mais direto ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, adversário em um possível
segundo turno. No entanto, parte do comando, ainda apegado à imagem de Lula,
resiste à tese de que é preciso tirar o ex-presidente do centro da campanha e
abrir mais espaço para Haddad.
Membros do
comando político defendem que é preciso, a partir de agora, haver "mais
Haddad e menos Lula", relatou uma fonte à Reuters, com o candidato se
mostrando mais, até em uma tentativa de atrair, em um eventual segundo turno,
uma aliança maior do que o PT tem hoje.
O núcleo duro
petista, no entanto, resiste à idéia de tirar Lula do centro da campanha e
deixar Haddad, tido como "excessivamente moderado", solto, o que lhe
permitiria fazer mais acenos ao mercado e abertura aos adversários.
"Acho que
isso vai ter de ficar para o segundo turno, mas é preciso construir mais a
narrativa do personagem Fernando Haddad. Ele precisa se colocar como líder.
Continua a transferência de votos do presidente Lula como uma das coisas
importantes, mas aí associando com outros elementos", disse uma outra
fonte que participou da reunião.
A preocupação
de parte dos petistas é considerada pelo outro grupo pouco pragmática, mas o
conselho político, formado por vários caciques petistas e dos demais partidos
aliados, PCdoB e Pros, empurrou a decisão para frente.
"Não se
trata de fazer acenos para o mercado, se trata de defender a democracia. Temos
que jogar para ganhar, não para jogar bonito. Mas acho que essa ficha caiu. O
Haddad compreende isso perfeitamente", disse a fonte.
Conseguiu-se,
pelo menos, chegar a um acordo: a mudança no tom da campanha, que passará a
adotar um discurso mais claro contra Bolsonaro.
Até agora, o PT
tinha evitado atacar diretamente o ex-capitão, deixando esse serviço para os
outros adversários. No entanto, a estratégia acabou dando errado, porque o PT
também era atacado e foi colocado como o outro extremo de Bolsonaro.
"Não
adianta ficar chamando Bolsonaro de fascista, isso é muito abstrato para a
maior parte das pessoas", disse a fonte que estava presente à reunião.
"Tem que
mostrar concretamente que esse é um programa ruim, que afeta a vida das
pessoas, que ele foi a favor de coisas como a terceirização, o teto de
gastos", disse uma outra fonte.
Uma primeira
peça dessa nova campanha já foi ao ar nesta quarta-feira e mostra votações de
Bolsonaro contra a política de reajuste do salário mínimo, a favor da reforma
trabalhista, contra a criação do Fundo da Pobreza e a favor de aumentar o
salário dos parlamentares. "Não vote em quem sempre voltou contra
você", diz a propaganda.
O PT planeja
tentar vincular Bolsonaro ao governo Temer, mostrando que o parlamentar apoiou
medidas impopulares do atual governo.
"Tem que
desconstruir essa imagem do Bolsonaro e mostrar que ele vai usar uma ditadura
para continuar o que Temer não conseguiu fazer numa democracia", contou a
fonte.
De acordo com
uma das fontes ouvidas pela Reuters, os trackings do PT já haviam dado um
crescimento de 3 pontos do candidato do PSL, Jair Bolsonaro --ainda assim,
inferior aos 4 pontos apontados pelo Ibope e pelo Datafolha-- mas não haviam
captado o crescimento de até 11 pontos na rejeição ao candidato petista.
O diagnóstico
para a mudança --o petista vinha subindo nas intenções de voto, enquanto
Bolsonaro havia estagnado, e ganhava já nas simulações de segundo turno-- foi
creditada a três pontos: a ofensiva do PSDB no final de semana, que teria
acentuado o antipetismo, a ação de líderes evangélicos, que declararam voto em
Bolsonaro e passaram a recomendar voto nas igrejas, e a uma nova onda de
notícias falsas.
"Foi uma
explosão organizada, planejada", disse uma das fontes.
Nesta quarta, o
PT abriu um número de telefone para receber denúncias de notícias falsas contra
o partido e seu candidato, e Haddad deu entrevista reclamando dos ataques, que
teriam incluído até sua família.
"Nós
acreditamos que essas mensagens no WhatsApp estão fazendo alguma pequena
diferença. Nós estamos falando de milhões de mensagens que estão sendo
disparadas de mulheres nuas, crianças sendo abusadas, coisas gritantes
mesmo", disse o candidato, creditando a isso o crescimento de Bolsonaro.
"Nós
desconfiamos do Bolsonaro pelo conteúdo, Eu não posso acusar, mas posso
desconfiar pela natureza. É muito compatível com o discurso dele, uma aderência
muito grande em relação ao que ele fala", completou.
Por Lisandra
Paraguassu
Reuters
Reuters

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