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© Foto:
Fernando Frazão/ABr
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Sem um
candidato à reeleição neste ano, a proibição de um presidente renovar seu
mandato tem pouco apoio entre os presidenciáveis. Levantamento feito pelo Estadomostra
que, dos 13 candidatos à Presidência, apenas Marina
Silva (Rede), Jair
Bolsonaro(PSL) e Alvaro
Dias (Podemos) defendem mudar essa regra.
Geraldo
Alckmin (PSDB), João
Amoêdo (Novo), Guilherme
Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) e Fernando
Haddad (PT) querem continuar tendo a possibilidade de serem
reeleitos. Henrique Meirelles (MDB) preferiu não se posicionar
e Ciro
Gomes (PDT), Cabo
Daciolo (Patriota), Vera Lúcia (PSTU) e Eymael (DC)
não responderam à reportagem.
A defesa de uma
reforma política que acabaria com a reeleição e ampliaria o mandato
presidencial para cinco anos era uma das principais bandeiras do candidato do
PSDB em 2014, senador Aécio Neves (MG). Naquele tempo, ele afirmava que a
reeleição “fez mal ao Brasil”. Na época, Alckmin foi um dos que pressionou
Aécio a se comprometer com o fim da reeleição já em 2018. O nome de Alckmin já
era considerado dentro do partido como um dos que poderia disputar o Planalto
neste ano.
Agora, porém, o
tucano afirma que um segundo mandato “é um direito e uma escolha do cidadão”. A
possibilidade de reeleição foi aprovada em 1997, durante o governo de Fernando
Henrique Cardoso (PSDB).
Marina Silva,
que também disputou aquele pleito, já defendia o fim da reeleição. Para ela,
que tenta chegar ao Palácio do Planalto pela terceira vez, o período de quatro
anos “já é uma dose de doação relevante e suficiente”. Se eleita, Marina diz
que não vai disputar outra vez.
A candidata
propõe ainda que os mandatos sejam ampliados para cinco anos, sem que o
presidente possa tentar uma segunda vez. Para o Legislativo, Marina também
defende a ampliação do mandato pelo mesmo período e admite a possibilidade de
apenas uma reeleição. De acordo com a proposta dela as mudanças valeriam a partir
de 2022.
Cinco anos. Na
mesma toada, Alvaro Dias também quer promover uma reforma política para, dentre
outras coisas, ampliar o mandato presidencial para cinco anos e extinguir a
reeleição. De acordo com sua assessoria, o senador não tentará se reeleger caso
vença.
Em entrevista à
revista americana Time, Bolsonaro afirmou que considera, se eleito,
apresentar uma reforma política para limitar a um mandato o período de um mesmo
presidente no Palácio do Planalto, começando por ele mesmo. Procurada, sua
campanha não deu mais detalhes sobre a proposta.
Para João
Amoêdo, a possibilidade de reeleição é algo que acontece em dezenas de
democracias modernas pelo mundo. Já Guilherme Boulos afirmou não ser contra a
mudança, mas defendeu que o País promova uma ampla reforma em todo o sistema
político e eleitoral.
Henrique
Meirelles preferiu não se posicionar. Em nota via assessoria afirmou apenas que
mudanças neste sentido cabem ao Legislativo. “O que os brasileiros querem
mesmo, independentemente da duração dos mandatos, é um novo jeito de fazer
política”, disse.
Para o
cientista político e professor do Insper Carlos Melo, a reeleição em si não é
ruim, mas ela deveria ser limitada a apenas uma. Melo afirma que, uma vez que o
político já ocupou a Presidência por dois mandatos, ele não deveria poder
tentar um terceiro. “A possibilidade de voltar tende à perpetuação do poder”,
afirmou o cientista político ao Estado.
Melo também é
cético em relação às promessas de quem quer acabar com o expediente antes mesmo
de ter sido eleito. “É muito inconsistente no tempo esse tipo de promessa, é
demagogia eleitoral. Se o Congresso não aprovar a mudança, o direito à
reeleição continua valendo e o sujeito vai, docemente, ser convencido a tentar
o segundo mandato”, disse. Para ele, a discussão só caberia em um amplo e
profundo debate que abarcasse todo o sistema político.
Mudança foi
barrada 2 vezes
No ano passado,
o Congresso tentou aprovar uma mudança nas regras eleitorais para acabar com a
reeleição. A Câmara dos Deputados instalou uma comissão especial para analisar
o tema, mas a proposta acabou derrubada. Em 2015, a mesma proposta havia sido
analisada na Casa. O fim da reeleição seria acompanhado pela adoção do chamado
distritão, com a eleição dos deputados mais votados em cada Estado. Nenhuma das
medidas foi aprovada.
Mariana
Haubert

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