![]() |
© BBC Janaína
Paschoal e Jair Bolsonaro se encontram pela
primeira vez na vida durante a Convenção
Nacional do PSL,
no Rio de
Janeiro, que vai lançar a candidatura do militar
à
Presidência
|
Às 8:30h da
manhã desse domingo, em um táxi no qual se deslocava do aeroporto ao centro do
Rio de Janeiro, a advogada Janaína Paschoal trocava seu sapato baixo por um
alto - em tom róseo que combinasse com seu vestido - e se preparava para estar
frente à frente com o deputado e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) pela primeira
vez na vida.
"Como
posso estar decidida se nunca olhei nos olhos dele? Quero olhar nos olhos
deles. Estou indo conhecer. Vamos conversar", dizia, sobre a possibilidade
de ser indicada como vice na chapa do PSL ainda neste domingo, na Convenção
Nacional do partido que chancelaria Bolsonaro como o candidato do partido ao
Planalto, nas eleições 2018.
Depois de
ganhar notoriedade, em 2015, ao longo do processo de impeachment da
ex-presidente Dilma Rousseff, de cujo pedido foi autora, Janaína viu a pressão
pública sobre si se intensificar de novo na última quinta-feira - depois que o
senador Magno Malta, do PR, e o General Heleno, do PRP, declinaram do posto de
vice de Bolsonaro, sepultando as possibilidades de coligação do PSL.
"(Interlocutores
do Bolsonaro) me ligaram na quinta à noite. A sexta foi um inferno da
indefinição e ontem compramos passagens pra vir pra cá", contou Janaína à
BBC News Brasil.
Sua primeira
reação foi a negativa - não queria correr o risco de mudar para Brasília ou
expor a família. "Eu nunca nem tinha pensado sobre isso, é tudo tão
prematuro", diz ela, que se filiou ao PSL no último dia para o registro, 7
de abril, no "puro feeling". "Não tinha amigos no partido nem
nada, achei que tinha a ver. Mas nem sabia se queria mesmo me candidatar a
algo".
Mas os contatos
não pararam desde o fim da semana passada. "Praticamente colocaram uma
arma na cabeça dela", diz, em tom de piada, um dos envolvidos na
negociação.
A cadeia de
reveses da semana ameaçavam levar a campanha do ex-capitão do Exército a lançar
a candidatura em meio a uma agenda negativa. Para tentar chegar ao evento com
sucesso em sua missão de obter um vice, Bolsonaro escalou o presidente do
partido, o advogado Gustavo Bebianno, para escoltar Janaína de São Paulo ao
Rio.
"Janaína!
Que saudade, não te vejo desde o impeachment! Que bom que vai ser nossa
vice", a cumprimentou uma militante quando Janaína chegou ao Centro de
Convenções Sulamerica, onde ocorre o lançamento da candidatura de Bolsonaro
neste domingo. Celular em punho, a militante rapidamente registrou o encontro
em uma selfie. Janaína aceitou a foto sorridente mas esclareceu: "ainda
não está nada definido", para desânimo da militante.
Os
interlocutores de Bolsonaro que procuraram a advogada indicaram à ela que, caso
aceitasse a vice-candidatura, teria que submeter seus pontos de vista aos do
candidato, movimento que ela se diz impossibilitada de fazer. "Eu não sou
aderente, minha força no processo de impeachment veio porque fui
autêntica", disse, atribuindo ao traço de personalidade seus problemas
políticos na Faculdade de Direito da USP, onde é professora.
Na antessala da
reunião com o deputado, Janaína se perguntava sobre qual seria seu papel
"nesse processo". Ela sabia que sua presença na campanha poderia
diminuir a rejeição do Bolsonaro junto ao eleitorado feminino, uma das
principais fragilidades de Bolsonaro.
Embora seja
contra a legalização do aborto, Janaína é comedida ao falar de questões de
gênero, diferentemente de Bolsonaro. Em entrevista ao jornal O Globo publicado
neste domingo, ele afirmou sobre as pautas feministas: "não estou
preocupado com movimento de mulher com braço cabeludo. Quer depilar, depila.
Não quer, não depila".
"Vou
apoiá-lo com certeza esse ano. Não sei se como vice ou não. Mas isso não quer
dizer que eu concordo com tudo o que ele fala", disse Janaína, que mais
tarde seria fortemente aplaudida pelos 2,5 mil militantes que compareceriam ao
ato de lançamento.
Sua principal
preocupação, no entanto, é com corrupção. "Ainda não vi nada de caixa 2
nessa campanha. Conversei com um empresário que disse que ofereceu dinheiro e o
Bolsonaro não pegou, achei bom. Mas se voce souber de alguma coisa,
'pelamordedeus', me avisa", pediu à reportagem, antes de sumir por trás da
porta da sala vip, onde se encontraria com Bolsonaro.
Enquanto isso,
Bebbiano declarava aberta a Convenção Nacional, para uma plateia ainda vazia,
sob o jingle "muda Brasil, muda Brasil, muda de verdade, Bolsonaro com
amor e com coragem".
BBC Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!