7/05/2018

Governo ainda não foi consultado sobre negociações entre Boeing e Embraer, diz ministro da Defesa


Negociação entre as duas empresas foi anunciada no ano passado. Fusão depende de aprovação do governo, detentor de uma ação que permite vetar a venda do controle da Embraer.
O ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, afirmou nesta quarta-feira (4) que o governo ainda não foi consultado sobre as negociações entre a Boeing e a Embraer.
Silva e Luna deu a declaração após participar de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. O ministro foi questionado sobre o assunto.
As negociações sobre a fusão entre a Boeing e a Embraer foram anunciadas em dezembro do ano passado. A união entre as duas companhias pode criar uma gigante global de aviação.
"Como são empresas que têm ações no mercado, qualquer decisão [...] que não implica a decisão que o governo for tomar quando for consultado fica por conta delas [empresas] revelarem. Mas o governo não foi consultado sobre nada", afirmou o ministro.
Para a fusão ser concretizada, é necessária a aprovação do governo federal, detentor de uma ação que permite vetar a venda do controle da Embraer.
A cláusula, chamada "golden share", que prevê a garantia do poder de decisão em assuntos estratégicos da empresa, foi incluída em 1994 durante a privatização da Embraer.
Também presente à audência pública na Câmara, o comandante da Aeronáutica, Nivaldo Luiz Rossato, ressaltou que os estudos não foram apresentados ao governo, acrescentando que "não existe nada de concreto".
"É justo que a empresa analise as oportunidade sem a perda desse conhecimento que tem. Mas eles estão estudando, analisando através do apoio de todo mundo, pra oportunamente apresentar isso ao governo que ainda não foi apresentado. Não existe nada de concreto. Existem estudos sendo feitos", afirmou.
Segundo a agência France Presse, as negociações entre a Boeing e a Embraer estão "avançadas".
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Repercussão
Durante a audiência na Câmara, o deputado Carlos Zaratinni (PT–SP) afirmou que a fusão entre a Embraer e a Boeing resultará, na opinião dele, na retirada de estudos e de conhecimento dos brasileiros, transferindo para os Estados Unidos.
"Não existe coerência da parte do governo brasileiro. O governo brasileiro não pode entregar. Não podemos aceitar a venda da Embraer para a Boeing. Isso tem que ser vetado", afirmou.
Nenhum dos parlamentares presentes à audiência discursou a favor da fusão entre as duas empresas.
Orçamento 'insuficiente'
O ministro da Defesa aproveitou a audiência pública para afirmar que o orçamento da pasta é "insuficiente" para as atividades desenvolvidas, acrescentando que, em 2019, serão necessários R$ 18,3 bilhões a mais para suprir as despesas discricionárias (não obrigatórias).
"O Brasil é grande, suas necessidades são grandes e seus problemas são grandes também. A missão das Forças Armadas é defender um país continental. O nosso orçamento nos últimos anos tem se mantido o mesmo. É insuficiente para o cumprimento de suas missões.”
Por G1, Brasília

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