Negociação
entre as duas empresas foi anunciada no ano passado. Fusão depende de aprovação
do governo, detentor de uma ação que permite vetar a venda do controle da
Embraer.
O ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, afirmou nesta
quarta-feira (4) que o governo ainda não foi consultado sobre as negociações
entre a Boeing e a Embraer.
Silva e Luna
deu a declaração após participar de uma audiência pública na Comissão de
Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. O ministro foi questionado sobre o
assunto.
As negociações
sobre a fusão
entre a Boeing e a Embraer foram anunciadas em dezembro do ano
passado. A união entre as duas companhias pode criar uma gigante global de
aviação.
"Como são
empresas que têm ações no mercado, qualquer decisão [...] que não implica a
decisão que o governo for tomar quando for consultado fica por conta delas
[empresas] revelarem. Mas o governo não foi consultado sobre nada",
afirmou o ministro.
Para a fusão
ser concretizada, é necessária a aprovação do governo federal, detentor de uma
ação que permite vetar a venda do controle da Embraer.
A cláusula,
chamada "golden share", que prevê a garantia do poder de decisão em
assuntos estratégicos da empresa, foi incluída em 1994 durante a privatização
da Embraer.
Também presente
à audência pública na Câmara, o comandante da Aeronáutica, Nivaldo Luiz
Rossato, ressaltou que os estudos não foram apresentados ao governo,
acrescentando que "não existe nada de concreto".
"É justo
que a empresa analise as oportunidade sem a perda desse conhecimento que tem.
Mas eles estão estudando, analisando através do apoio de todo mundo, pra
oportunamente apresentar isso ao governo que ainda não foi apresentado. Não
existe nada de concreto. Existem estudos sendo feitos", afirmou.
Segundo a
agência France Presse, as negociações entre a Boeing e a Embraer estão
"avançadas".
Embraer
comunica à CVM possível acordo com a Boeing
Repercussão
Durante a
audiência na Câmara, o deputado Carlos Zaratinni (PT–SP) afirmou que a fusão
entre a Embraer e a Boeing resultará, na opinião dele, na retirada de estudos e
de conhecimento dos brasileiros, transferindo para os Estados Unidos.
"Não
existe coerência da parte do governo brasileiro. O governo brasileiro não pode
entregar. Não podemos aceitar a venda da Embraer para a Boeing. Isso tem que
ser vetado", afirmou.
Nenhum dos
parlamentares presentes à audiência discursou a favor da fusão entre as duas
empresas.
Orçamento
'insuficiente'
O ministro da
Defesa aproveitou a audiência pública para afirmar que o orçamento da pasta é
"insuficiente" para as atividades desenvolvidas, acrescentando que,
em 2019, serão necessários R$ 18,3 bilhões a mais para suprir as despesas
discricionárias (não obrigatórias).
"O Brasil
é grande, suas necessidades são grandes e seus problemas são grandes também. A
missão das Forças Armadas é defender um país continental. O nosso orçamento nos
últimos anos tem se mantido o mesmo. É insuficiente para o cumprimento de suas
missões.”
Por G1, Brasília
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