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Dr. Luiz
Augusto Maltoni Jr. e Dr. Marcos Moraes prestigiaram
a formatura
da quarta turma de técnicos em Radioterapia.
Foto: Gianne
Carvalho
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20 mestres em Física Médica, 80 técnicos em radioterapia, 244 físicos
médicos e 229 médicos radiologistas foram qualificados. Atendimento humanizado
e qualidade técnica foram os motes dos cursos.
“Esse curso, para existir, exigiu muita coragem e disposição de todos.
Uma brilhante equipe, técnica e docente, e nós, que escolhemos nos dedicar a
esse curso com todas as nossas forças. Já começamos em pleno ano de Olimpíadas,
em agosto de 2016. Enquanto o Rio de Janeiro estava de recesso e em festa,
estávamos nos dividindo entre uma sala no nono andar da Fundação do Câncer e a
Uerj”. A fala da oradora Camila Costa Ribeiro resume bem o espírito da primeira
turma do mestrado profissional em Física Médica, promovido pela Fundação do
Câncer, em parceria com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e o
Instituto Nacional de Câncer (Inca). No total, a iniciativa certificou 554
profissionais, sendo 20 mestres em Física médica, 80 técnicos em radioterapia,
além de atualizar 229 médicos em radiologia e outros 244 em física médica.
Todos retornam para seus estados de origem com a missão de multiplicar o
conhecimento adquirido.
A cerimônia de formatura do curso, realizada na última quinta-feira
(21), na Uerj, reuniu os físicos mestrandos e a quarta turma de técnicos em
radioterapia. O evento teve como marco a conclusão da primeira fase do Programa
Nacional de Formação em Radioterapia, idealizado pela Fundação. A iniciativa é parte
do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), do Ministério da
Saúde, que tem o intuito de expandir a prestação de serviços
médico-assistenciais e apoiar a formação, o treinamento e o aperfeiçoamento de
recursos humanos.
Ao longo de dois anos, a primeira fase do Programa Nacional de
Radioterapia formou 20 mestrandos; 80 técnicos em radioterapia, divididos em
quatro turmas, com seis meses de duração cada; e qualificou 244 médicos nos
cinco cursos de Atualização em Física Médica realizados. O projeto enriquece a
expertise em educação da Fundação do Câncer, desenvolvida ao longo de 26 anos.
Para o Dr. Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, a experiência
bem-sucedida reafirma o propósito da instituição: “a ideia é que a gente contribua
com o país como um todo, onde precisa e onde há pacientes com câncer. Sabemos
que são mais de meio milhão de novos pacientes de câncer por ano no Brasil,
temos que estar com o nosso pé lá, juntos, para ajudar no controle da doença”.
O Professor Carlos Eduardo de Almeida, coordenador científico do
Programa Nacional de Formação em Radioterapia e coordenador geral do programa
de Pós-graduação em Física Médica da Uerj, esclarece que o projeto nasceu a
partir do lançamento do Programa Nacional de Extensão em Radioterapia, em 2012,
pelo Ministério da Saúde. “Sabemos que entre 40 e 50 mil pacientes não têm
acesso à radioterapia por falta de equipamentos e serviços. É um plano
ambicioso e a nossa preocupação dentro desse projeto foi formar recursos
humanos para suprir essa demanda. Só temos a agradecer a toda a equipe da
Fundação do Câncer, à Uerj e aos alunos por terem tornado isso possível”.
Peter Rodenbeck, diretor presidente do Conselho de Diretores da
Fundação do Câncer, descreveu o evento como a concretização de um outro campo
de atividades da Fundação, a educação. “O Professor Carlos Eduardo Almeida
elevou o nível de organização das iniciativas de ensino. O sucesso do projeto
mostra a qualidade das pessoas que estão ao redor e dentro da Fundação, e que
podem nos ajudar a evoluir nessa direção. Ninguém sobrevive sem educação no
cardápio”.
Medicina humanizada num país de
profundas desigualdades
As profundas desigualdades que marcam o Brasil foram mais um motivo
para investir numa qualificação que contemple a medicina humanizada. Sobre
isso, na cerimônia de formatura da primeira fase do Programa Nacional de
Formação em Radioterapia, Dr. Maltoni declarou que a sensação é de dever
cumprido, já que os formandos vão replicar o conhecimento adquirido ao longo do
curso. “Estamos preparando pessoas pra cuidar de pessoas num país tão grande
como o nosso, que precisa de gente capacitada atuando na área da radioterapia.
Mais do que formar 20 mestrandos e quatro turmas de técnicos com 20 alunos
cada, criamos entre eles uma rede de colaboração. Independente de onde estejam,
eles podem comparar casos e tirar dúvidas”.
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Os 19
formandos do mestrado profissional em Física Médica
celebram ao
fim da cerimônia de colação de grau, realizada na
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
(Uerj).
Foto: Gianne Carvalho
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Paulo Leonardo de Souza Ferri,
também orador da turma de físicos médicos, reforçou a relevância do curso para
o cenário nacional da radioterapia. “2017 foi o ano dos estágios. Alguns de
nós, que se afastaram das famílias para estudar no Rio, retornaram para suas
cidades, mas a maioria foi conhecer novos lugares. Nossa formação ganhou outra
dimensão, ganhou o Brasil. Um país muito desigual, com muitos avanços, mas
também de muitas carências, como descobrimos em outros estados. Aliás, um
objetivo desse curso, que nunca devemos esquecer, é contribuir para diminuir
essas carências”.
Os técnicos Raimundo Nonato Silveira de Lima e Josimar de Azevedo
Soares podem falar com propriedade sobre essa desigualdade entre as regiões do
Brasil. Nonato trabalhava em Rio Branco, no Acre, com aparelhos obsoletos.
Durante a prática do curso, teve a oportunidade de operar aceleradores
lineares, a tecnologia mais atualizada em radioterapia. A intensidade teórica
também impactou Nonato. De acordo com ele, grande parte dos técnicos sequer
recebe explicações sobre o que é a radioterapia em suas formações de base. O
cearense Josimar também se impressionou com a diferença entre a realidade vista
no curso e a do exercício da profissão na sua cidade natal, Fortaleza, onde,
segundo ele, os técnicos recebem um treinamento precário.
Nonato e Josimar também estão de acordo sobre outro ponto: o
diferencial do curso oferecido pela Fundação. “É a preocupação com a
humanização do atendimento. Nós estamos lidando com vidas que já estão
sensibilizadas e precisam da gente. Além de profissionais da área, técnicos e
físicos, tivemos aulas com psicólogos. É um curso tão completo que agregamos
conhecimento de outras áreas, que não necessariamente vamos executar, mas que
contribuem para a nossa compreensão do tratamento como um todo”, observa
Nonato.
Sobre a Fundação do Câncer
A Fundação do Câncer é uma instituição privada e sem fins lucrativos
que há mais de 26 anos atua na pesquisa, prevenção e controle da doença.
Localizada no Rio de Janeiro, também oferece assistência direta ao paciente,
com tecnologia de ponta e atendimento humanizado, por meio do Hospital Fundação
do Câncer, projetado para ser um centro de referência em oncologia no país.
Algumas das principais iniciativas da Fundação são o desenvolvimento do
Programa Nacional de Formação em Radioterapia, em parceria com a Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e o Instituto Nacional de Câncer (Inca); o
apoio ao Programa de Oncobiologia da Univesidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) e a gestão operacional do Registro Nacional de Doadores Voluntários de
Medula Óssea (Redome).


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