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Maria
Caroline estava com 40 semanas de gestação
(Foto: Arquivo Pessoal/ Maria Caroline)
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Mães afirmam
que houve negligência médica. Casos aconteceram com intervalo de nove dias.
O Conselho
Regional de Medicina (Cremerj) informou nesta terça-feira (3) que abriu um
procedimento para investigar a morte de dois bebês no Hospital Alcides Carneiro
(HAC), em Petrópolis, na Região Serrana, em um intervalo de nove dias.
Os dois casos
foram registrados na 105ª Delegacia de Polícia e as mães afirmam que houve
negligência dos médicos da unidade.
O primeiro caso
aconteceu no dia 21 deste mês. A mãe
disse ao G1 que esperou mais de 50 horas pelo parto e contou que deu
entrada na unidade para fazer uma cesárea e se surpreendeu com a
decisão da médica de induzir o parto normal. A polícia pediu a exumação do
bebê. De acordo com o Cremerj, a investigação dos casos feita pelo conselho
ocorre em sigilo de acordo com o Código de Processo Ético Profissional.
Conselho
Regional de Medicina investiga mortes de dois bebês em maternidade de
Petrópolis
Já o segundo
aconteceu com a Maria Caroline Leandro Pereira, de 21 anos. Ela contou à Inter
TV que após ter ido duas vezes com dores para o hospital na semana passada foi
orientada pelos médicos de plantão a voltar para casa.
No sábado (30),
deu entrada na unidade e, segundo ela, foi feita uma cesárea às pressas porque
os batimentos do bebê estavam fracos. A filha, Catharina, não resistiu. Segundo
o atestado de óbito, ela morreu com falta de oxigenação no cérebro.
Um dia antes do
parto, ela contou que esteve no hospital e os médicos a liberaram.
"Eles
falavam para eu vir embora, para dançar, varrer, passar pano, namorar. Falou um
monte de coisa para eu fazer sendo que eu já estava de 40 semanas".
Maria Caroline
disse que toda a gestação foi acompanhada por uma equipe médica do HAC e que
foi uma gravidez tranquila e sem risco.
"O
quartinho dela tava pronto, sabe? É uma coisa que eu nunca mais vou esquecer
porque era minha, só minha. E para tirar assim do nada, sem nenhuma
resposta...", afirma Maria Caroline.
O marido,
Douglas Cunha, que acompanhou tudo, também lamenta o que aconteceu.
"Entrar
para a sala contando que vai sair com a filha nos braços e não poder, né? É
muito difícil", disse.
De acordo com
informações da assessoria de comunicação da prefeitura, a direção do HAC afirma
que em ambos os atendimentos feitos à Maria Caroline não foi constatado o
rompimento de bolsa amniótica e os exames não apresentaram alterações que
justificassem a permanência na internação ou necessidade de parto.
"Nas duas
ocasiões, ela foi avaliada e liberada. A direção do HAC reforça que o caso já
foi encaminhado para a direção técnica da unidade para que seja feita uma
apuração rigorosa por meio de sindicância - medida adotada em todos os casos em
que é constatado óbito de bebê. Se constatada negligência médica, o responsável
será punido pela unidade e pelos órgãos competentes", disse a nota enviada
pela prefeitura.
Recomendações
A Defensoria
Pública do Estado disse, depois de uma reunião com o Ministério Público na
manhã desta terça-feira (3), que vai fazer duas recomendações para a Prefeitura
de Petrópolis.
A primeira, de
acordo com a defensora Andréa Carius, determina que o município tem cinco dias,
contados a partir desta quarta-feira (4), para contratar emergencialmente
leitos obstétricos em hosptiais particulares. E a outra recomendação é para que
nenhuma gestante que esteja no fim da gravidez seja liberada do hospital antes
de ser examinada por um médico obstetra.
A Defensoria
afirma ainda que qualquer paciente deverá ser submetida a exames físicos e de
imagens, já que considera que a dilatação ou falta dela não é o único fator
para a realização do parto. Diz também que a gestante não poderá ser liberada
sem um laudo médico contendo todas as informações sobre o atendimento e
recomendações feitas à paciente.
Posicionamento
do município
Com relação aos
casos de óbitos dos dois bebês, a Secretaria de Saúde diz que não estão
relacionados à lotação da maternidade e afirma que nos dois partos a
maternidade não registrava sobrecarga e que os óbitos estão sendo investigados
por comissões sindicantes, praxe nestes casos.
A Secretaria de
Saúde do município vai acatar a determinação da defensoria pública. Em nota, o
órgão disse que após reunião realizada na terça-feira (3) decidiu pela
contratação de leitos em hospitais particulares em caso de utilização de todos
os leitos da maternidade do Hospital Alcides Carneiro (HAC), única da rede
pública em Petrópolis.
Disse também
que todos os atendimentos são acompanhados por obstetras e são realizados
exames de imagens, protocolos já executados pelo HAC. O hospital afirma que passará
a fornecer à gestante laudo por escrito da conduta a ser seguida.
Por Inter TV RJ 2, Petrópolis

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